Prestianni e Pavlidis celebram o segundo golo do Benfica — Foto: KAPTA+/Miguel Lemos
Prestianni e Pavlidis celebram o segundo golo do Benfica — Foto: KAPTA+/Miguel Lemos

Em relvado feio a estética da vitória pouco importa (crónica)

Águias saem dos Açores com três pontos depois de uma primeira parte em crescendo e um segundo tempo firme. Estão a quatro pontos do FC Porto e lado a lado com o Sporting

O Benfica continua a olhar para cima e, pelo menos até saber o resultado do Sporting, olha agora para o lado também. As águias foram aos Açores somar três pontos e igualar os leões com o desempenho possível numa vitória que não merece contestação. O Santa Clara chegou ao jogo como o relvado, em mau estado, e, sendo uma das equipas em pior forma no campeonato, viu o Benfica marcar quando quase nada tinham feito os lisboetas para chegar ao golo. A entrada satisfatória dos açorianos acabou ali, no cabeceamento de Pavlidis, pois a partir de então o jogo das águias foi em crescendo eaté ao intervalo.

O Benfica pressionou bem na frente e obrigou o Santa Clara a usar a bola longa para sair dessa pressão. Com o jogo controlado por aí, José Mourinho viu Rafa Silva desperdiçar duas boas oportunidades, ainda que, no geral, o estado do terreno e a ausência de Aursnes retirou algum dinamismo ao futebol dos lisboetas. Barrenechea saltou para a titularidade, mas o dinamismo que a dupla Aursnes-Barreiro estava a ter não se viu com o argentino e luxemburguês em campo. Já a outra alteração ao onze tinha resultado, Tomás Araújo foi um lateral que teve impacto ofensivo, com o 1-0 a ser maior exemplo disso.

Quando o descanso chegou, com 2-0 no marcador após uma das melhores jogadas do encontro, com Pavlidis como protagonista no passe, o Benfica era dono da partida e a probabilidade de chegar aos três pontos era altíssima: pelo resultado, obviamente, pelo que se via o Benfica fazer e por aquilo que o Santa Clara não conseguira executar perante a boa organização da equipa de Mourinho. Fruto dos últimos resultados, os açorianos saíram cabisbaixos e só mesmo algo de estranho poderia vir a inverter o rumo das coisas.

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O golo de Gonçalo Paciência foi esse momento insólito, pela infelicidade de Trubin, e reabriu a dúvida quanto ao desfecho do encontro. O Benfica tinha crescido com o tempo na primeira parte, mas o mesmo não sucedeu na segunda. As águias deixaram de chegar à baliza contrária, com o relvado a tornar-se cada vez mais feio e com as capacidades técnicas dos jogadores a terem de sobressair em cada receção e passe. Não foi fácil jogar, para alguns nem fácil foi manter-se em pé, mas pelo menos o Benfica manteve-se firme.

Mourinho trocou Schjelderup por Sidny Cabral e depois Rafa por Sudakov. Não ganhou muito com isso em termos ofensivos, mas também não perdeu equilíbrio e essa foi a nota dominante. O Santa Clara tinha ainda mais dificuldades que as águias em chegar à área adversária. Para além disso, quando, por exemplo, Mourinho viu o lateral-esquerdo dos açorianos a cruzar, sozinho no flanco, para a área de Trubin, percebeu que era preciso retirar [um já desgastado ]Prestianni e fechar esse caminho também.

O Benfica não pôde descansar até ao apito final, mas só se viu aflito pelos números do marcador e nunca por aquilo que uma e outra equipa produziam.

As águias partem detrás no que resta do campeonato, e estão proibidas de falhar, mas com 2-1 em Ponta Delgada metem pressão nos rivais. Até domingo, altura em que FC Porto e Sporting jogam, olham para quatro pontos de distância para os dragões e nenhum para o vizinho lisboeta.

Mourinho e o Benfica estão na luta e quando não dá para ganhar bonito, há que vencer feio. A estética da vitória pouco importa com um relvado destes. Talvez seja por aqui também que o Santa Clara não vence em casa desde 6 de dezembro...