Nacional, Samu, apanha-bolas e Francisco Moura: tudo o que disse Farioli
Francesco Farioli projetou, este sábado, a deslocação do FC Porto à Madeira, onde vai defrontar o Nacional, no domingo (15h30), em duelo da 22.ª jornada da Liga.
O que espera da partida frente ao Nacional
«Vamos jogar contra uma equipa que, se formos pelas memórias do nosso primeiro jogo, nos complicou a vida. Eles fizeram um jogo muito sólido aqui no Dragão e, claro, ir lá jogar fora é sempre uma dificuldade extra, um desafio extra. Para nós, trata-se de sermos realmente fortes, como sempre, com uma grande atitude e começar a subir [na tabela] novamente.»
Impacto da lesão de Samu no grupo e na forma de o FC Porto jogar
«Os últimos dias foram muito duros para todos nós, porque é uma notícia que criou um grande choque no balneário. Acho que em toda a gente que ama futebol. Recebi muitas mensagens a perguntar por ele, de diferentes clubes, e muita gente manteve-se próxima dele e da situação. Mas o Samu é um homem forte. No dia seguinte já estava aqui connosco, já com um grande sorriso, a preocupar-se com a equipa. Claro que a minha conversa com ele permanecerá privada, mas o que ele me disse e o que disse aos colegas diz muito sobre ele. Agora, a única coisa que podemos fazer é estar perto dele, desejar-lhe uma boa cirurgia e uma boa recuperação. E, certamente, ele será capaz de maximizar este momento difícil para melhorar e, quando voltar, será ainda mais forte. Éum grande homem, com grandes qualidades humanas e futebolísticas, e será definitivamente mais forte do que era ontem. Claro que vamos perder um jogador fundamental para nós, não há dúvida. Por outro lado, e acho que não é apenas pelo que aconteceu com o Samu, mas acho que já provei a minha confiança no Deniz [Gul]. Já foi titular em vários jogos. Agora é uma oportunidade realmente importante para ele e não tenho dúvidas de que ele a vai agarrar, porque tem todas as características para assumir o papel e esta responsabilidade. É um número 9 tecnicamente muito dotado e fisicamente é um monstro. Agora é uma questão de encontrar a continuidade certa, a confiança certa. Tem toda a equipa e todo o clube atrás dele, os adeptos adoram-no, por isso esperamos ouvir a música dele muitas vezes nos próximos meses.»
Reação às palavras de Rui Borges sobre «um regresso ao século passado»
«Não ouvi a conferência e não sei a que se refere, mas, mais uma vez, não estou aqui para comentar as palavras do meu colega. Nessa parte não tenho muito a dizer.»
Acha normal a situação com os apanha-bolas no clássico com o Sporting?
«Já disse que estamos num momento em que há um dossiê a decorrer, portanto as autoridades estão a verificar o que têm de verificar. Por outro lado, acho que encontramos sempre razões para desviar a atenção do jogo. Vi um artigo esta manhã que falava exatamente sobre esta parte, sobre a rapidez com que nos esquecemos da bola a rolar no relvado e das coisas que acontecem dentro de campo. Acho que a atenção tem de estar lá, porque, estamos sempre a falar do que falta. E não vejo muitas vezes comentários sobre o que estamos a fazer e o que estes rapazes estão a fazer todos os dias. E, nessa parte, acho que temos de estar bastante felizes com o caminho em que estamos. Com uma equipa que, até agora, está invicta contra os dois principais rivais, sofrendo apenas dois golos: um de penálti no último minuto e um de bola corrida. Há muitas coisas boas sobre as quais devíamos falar um pouco mais.»
Francisco Moura e o impacto dos comentários negativos nas redes sociais pós-clássico
«É exatamente um exemplo do que eu disse. Sei que por vezes certos comentários e polémicas fazem mais títulos do que boas notícias ou coisas interessantes. O que aconteceu no último minuto do jogo é um erro claro, não há nada a esconder. Mas são coisas que acontecem quando se joga futebol. Há três ou quatro semanas estávamos aqui a falar dos dois penáltis falhados pelo Samu. E para o Francisco, mais uma vez, é um erro que certamente não queria cometer. E não há nada para matar primeiro o jogador de futebol e depois [o homem], porque o outro problema principal é que muitas vezes ultrapassamos a linha e vamos também para a parte humana. O Francisco treinou bem esta semana. Infelizmente não vai estar connosco amanhã devido à suspensão, e depois, quando voltar, voltará com a mente fresca, pronto para nos ajudar como fez até agora.»
Como protegeu o grupo depois de uma semana de «ruído» em torno do clássico?
«Eu tento acompanhar [as notícias] para vos dar o contexto. Acho que sou o único que lê todos os jornais, porque é o meu papel estar aqui várias vezes por semana para falar convosco. Os jogadores verificam às vezes o Twitter, alguns dos mais velhos talvez tenham um jornal nas mãos, mas, na realidade, todo este ruído e este tipo de poluição e polémicas que tentamos construir não afetam realmente a dinâmica do grupo, porque está realmente motivado. Estamos a sair de um clássico, não com o resultado que queríamos, mas, na minha opinião, após uma grande exibição. Nessa parte, acho que há muitas formas de analisar o jogo. Há algo que gosto muito de fazer após a minha revisão normal do jogo: há um painel que o meu analista faz, que é o das "etiquetas" do jogo. E aí é onde a intenção e a abordagem da equipa se veem. E o que chamamos de "construção na zona 1" (a primeira fase de construção), tivemos apenas um clipe no jogo. Enquanto, se formos ao oposto, tivemos 25 momentos de pressão alta. E esta é a imagem da intenção do jogo. É sobre como se aborda o jogo. Antes do jogo, fui muito claro que íamos abordar o jogo "ao ataque" (from front foot). E o reflexo desta análise é muito claro: ao ataque o jogo todo. Acho que merecíamos ganhar. Contra uma equipa que é uma grande equipa, que está a fazer um trabalho incrível na liga e na Champions. Mas se olharmos para a dinâmica dos 90 minutos, foi muito claro como a equipa atuou e o desejo que tivemos de tentar obter o resultado total. (...) A realidade é que há muita atenção no passado, enquanto o nosso futuro é o Nacional. Uma equipa que, como disse, quando veio jogar ao Dragão, colocou-nos em dificuldades. (...) Espero o mesmo amanhã, uma equipa capaz de gerir os momentos do jogo, e nós temos de ter a resposta certa.»
Seko Fofana está pronto para ser titular?
«O Seko [Fofana] está numa boa condição física. O impacto que teve no jogo no último dia foi claro para todos. É um jogador com liderança, com qualidade, fisicalidade, por isso é um jogador que quero muito que esteja aqui connosco para nos ajudar. O clube fez um trabalho magnífico para o trazer. É uma questão de tempo e de momento, mas certamente ele vai desempenhar um papel fundamental para nós. Talvez amanhã, talvez num futuro próximo, mas estamos muito entusiasmados por ver mais nas próximas semanas.»
Atualização do estado clínico de Pablo Rosario e Martim Fernandes
«O Pablo teve alguns problemas a seguir ao jogo do Casa Pia, onde, como sabem, o relvado foi um problema, por isso teve uma pequena lesão na barriga da perna. Na semana passada trouxemo-lo para o banco, mas não estava realmente em condições de jogar. Esta semana, nos últimos dois dias, teve finalmente uma sessão completa com a equipa, com sensações muito positivas. Por isso, amanhã está totalmente apto novamente para participar no jogo. O Martim não vai estar na equipa. Teve uma grande reação e resposta nos últimos dias, por isso estamos a fazer tudo para o recuperar o mais depressa possível. Ainda não sabemos se na próxima semana poderá estar connosco, mas ele está muito positivo.»
Deniz Gul deverá ser titular. Como se encontra Moffi fisicamente?
«O Terem [Moffi] está a trabalhar muito bem. Estávamos a verificar os dados físicos dele com o departamento de performance e ele teve uma melhoria física muito boa nos últimos dias. A sua massa gorda voltou à de um jogador de topo e de elite. Está a esforçar-se muito, com uma grande atitude, muito bem integrado na equipa e com o espírito certo. Por isso, amanhã ele fará parte do jogo, a começar ou a entrar, mas amanhã será o dia dele. E a partir daí, claro, temos de ver, passo a passo, porque estamos num momento em que vamos precisar da contribuição dele também. Já disse na conferência após o Clássico sobre o esforço do clube para estar preparado para qualquer problema, e neste caso enfrentamos quase o pior cenário possível: ter dois números 9 com lesões no ligamento cruzado anterior (ACL). O clube fez um trabalho magnífico para providenciar a solução certa e agora, com o Terem e o Denis para acabar a época, e também com o Samu e o Luuk [de Jong?] que são dois grandes adeptos de fora a empurrar-nos, estamos felizes.»