Mundial
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Ganhar à Espanha? Não com este Portugal
Há sempre duas formas de analisar uma exibição como a de Portugal diante da Croácia e partir para uma projeção do que pode ser o resto do Mundial para a formação das quinas.
Em primeiro lugar, o lado negativo: a equipa não defende bem porque se desorganiza nas transições defensivas, debilidade que tem vindo a ser exposta à medida que aumenta o nível dos adversários e muito mais se, tal como ocorreu entre o minuto 62 a 81, jogou em inferioridade numérica a meio-campo, abrindo crateras que só por sorte não deram em golo; ainda há jogadores que não fizeram o transfer dos seus clubes para a Seleção, casos de Bernardo Silva, Bruno Fernandes e até mesmo o próprio Vitinha; João Cancelo oscila entre as boas iniciativas no ataque e as más abordagens defensivas; e a dupla de centrais está abaixo do nível do que Portugal teve neste século (Fernando Couto/Jorge Costa, Ricardo Carvalho/Jorge Andrade, Pepe/Rúben Dias só para citar alguns exemplos).
Em segundo lugar, o lado positivo: tal como Rui Patrício no Euro 2016, Portugal tem em Diogo Costa um guarda-redes que garante pontos; Nélson Semedo dá cada vez mais sinais de fiabilidade e por isso merece a titularidade na lateral-direita; Nuno Mendes está a crescer depois de um final de época com limitações físicas; Gonçalo Ramos não perdeu o instinto de baliza mesmo privado de minutos na fase de grupos, Cristiano Ronaldo voltou a marcar (de penálti, sim, mas o golo anulado por centímetros foi de uma execução ao alcance de poucos) e, ao ganhar o jogo já sem o capitão em campo, Roberto Martínez conquistou pontos para fora e para dentro.
Agora vem aí a Espanha, campeã da Europa e uma das grandes candidatas ao título, mesmo com um Lamine Yamal ainda a 80 por cento. Nos quatro jogos que realizou, mostrou melhor futebol que os seus irmãos ibéricos, mas ninguém se recordará do passado recente se a Seleção fizer em 90 minutos o que conseguiu em 45’ diante da Croácia: roubar-lhes a bola pela posse.
Portugal não tem outra forma de ganhar a La Roja – não é uma equipa de transições, nem fisicamente forte, nem suficientemente mortífera na bola parada. Até agora ainda não se viu a química que tantos esperavam de um meio-campo que prometia madrugadas de música clássica, mas ainda vamos a tempo. Temos sempre a final da Liga das Nações como barómetro, um dos jogos em que João Neves jogou a lateral-direito (na primeira parte). E mesmo assim correu bem…