Rodrigo Magalhães: de Gonçalo Ramos a Bernardo Silva, de António Silva a Cancelo
— Qual foi o último jogador que lhe enviou uma mensagem?
— Gonçalo Ramos.
— Para que jogador enviou a última mensagem?
— António Silva.
— Podemos saber o conteúdo?
— Foi mensagem de encorajamento de responsabilização sobre o que precisa para voltar ao patamar que ambiciona.
— Nos 20 anos que esteve no Benfica, qual foi o jogador que o fazia rir mais?
— Poderia dizer muitos. É difícil dizer, porque as brincadeiras há 20 atrás são diferentes das brincadeiras de hoje. Havia um grupo, na geração de 1997, composto pelo Kiko, o João Carvalho, o Guga… era um grupo famoso, faziam brincadeiras sensacionais, o Ricardo, que ficou apelidado de Ricardo do taxista, o Alison Baldé.
— Desses jogadores todos, qual foi aquele cujo percurso o deixou mais feliz?
— Não consigo distinguir. O objetivo de chegar à equipa A e ter sucesso, de chegar posteriormente a um clube topo na Europa e ter sucesso deixa-me muito feliz. Mas também me deixa muito feliz ter encontrado um vosso colaborador há pouco e perceber a pessoa que se tornou com o passar do tempo.
— Qual foi o jogador com o melhor pé esquerdo?
— Bernardo Silva.
— Melhor pé direito?
— Essa é difícil. Mas, por incrível que pareça, tenho que dizer o Cancelo. A forma como desenvolveu a técnica de cruzamento, como conduz a bola, os cruzamentos curto, médio e longo, com trajetória rasteira ou aérea, é realmente algo diferenciador.
— Qual foi a última coisa que o fez rir?
— Já nos rimos aqui quatro ou cinco vezes. Rio-me com frequência. Tenho grande amplitude emocional. Vai do indivíduo afável a alguém que tenta impor respeito e exerce a liderança. Tanto salto com os miúdos e toco o bombo com eles como a seguir visto o blazer para participar num seminário. No último, em Viseu, em representação pelo Benfica, em representação do Benfica foi uma coisa incrível. [emociona-se]
— Ia perguntar-lhe sobre a última vez que chorou. Poderia ser agora.
— Nesse dia, lembro-me perfeitamente de beijar a minha esposa e as minhas filhas. Sabia que seria o último jogo, o último momento pelo Benfica. Conquistámos o campeonato sub-17. Lembro-me perfeitamente do que os miúdos diziam. Há um que passa por mim e diz: ‘Ó pá, você não precisa de falar, passe no balneário. Olho para si, e vou lá para dentro capaz de matar uma pessoa. A influência que tem sobre nós é fantástica’. Depois, festejar com ele, beber a última cerveja com os treinadores, entrar no carro, falar naquele congresso em Viseu. À noite ir ao cemitério, ter de saltar o muro para ir ao jazigo dos meus avós e bisavós, depositar a medalha e a camisola, falar com eles. Falo muito com eles. Saltar o muro outra vez e fazer uma viagem de mais de quatro horas para Lisboa. Dormir duas ou horas e meia e estar a trabalhar no outro dia de manhã, já 50 por cento no outro projeto. [emociona-se e chora]. Acho que foi uma treta chorar agora, mas, é pá, isto é o que é.