Mundial
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Portugal precisava deste choque
As ondas de choque ainda se fazem sentir por essa opinião pública e publicada fora na sequência da péssima exibição da Seleção Nacional frente à República Democrática do Congo, mas talvez tenha sido bom para todos, desde os adeptos aos próprios jogadores, este banho de realidade para baixar o otimismo exagerado que pode ser muito interessante para o marketing mas que pouco ou nada acrescenta a um grupo de jogadores que tem no seu ADN a pressão de conquistar títulos - não precisam de ser lembrados a toda a hora que desta é que é, eles já têm essa experiência nos clubes que representam.
A história dos Mundiais de futebol mostra-nos que muitos campeões nasceram da adversidade e que se foram moldando em pela competição, numa corrida de trás para a frente. Quem não esquece, por exemplo, que o herói francês Zinédine Zidane em 1998 foi expulso frente à Arábia Saudita num lance em que revelou uma gritante imaturidade, afastando-o do resto da fase de grupos e pondo em risco a equipa? Ou a derrota na estreia da Espanha que viria a ser campeã em 2010? E o mesmo em 2022 com a vencedora Argentina, que bateu de frente contra todos os seus fantasmas após a surpreendente derrota com a Arábia Saudita?
A beleza de um Mundial ou um Europeu é o facto de, ao contrário das competições longas, o tempo ser um aliado de quem precisa urgentemente de mostrar a outra face. Mas este é um Campeonato do Mundo diferente, que por ter 48 equipas obriga a um intervalo maior entre jogos. Se por um lado é positivo porque permite maior descanso físico, por outro pode ser prejudicial a nível mental, especialmente para quem não ganha. Nos Mundiais e Europeus disputados por esta geração (para não falar do que está para trás), cada partida foi disputada com hiatos temporais de três a quatro dias; já entre o jogo da RD Congo e Uzbequistão, será quase uma semana a separá-los. Vale que esta é uma realidade transversal a todas as equipas, se bem que são poucas (talvez Brasil, França, Inglaterra e Argentina) que tenham tanta atenção mediática (já incluindo o universo digital) do que Portugal no Mundial 2026, muito por culpa de Cristiano Ronaldo e da narrativa da Última Dança do avançado do Al Nassr, que tanto alimenta o lado romântico do futebol mas também expõe o fanatismo que excede os mínimos da razoabilidade. Que não haja dúvidas: para a Seleção ter luz e paz, tem de encontrar um ponto de equilíbrio na gestão de balneário e de expectativas. Será que o vai conseguir?