Miguel Queiroz, em entrevista a A BOLA, mostra-se radiante com o regresso dos azuis e brancos aos títulos de campeão nacional

Capitão do FC Porto e a receita para o sucesso: «Pusemos os egos de lado»

Miguel Queiroz radiante com a conquista do campeonato nacional, dez anos depois do último triunfo. Esteve presente nos dois títulos e ambos foram especiais de formas diferentes. «União, caráter e superação» na base do campeaão, destaca em entrevista exclusiva a A BOLA

De jovem promessa a figura de proa em dez anos, tanto no FC Porto como na Seleção Nacional. O capitão dos azuis e brancos e de Portugal esteve à conversa com A BOLA e fez um balanço da temporada histórica para os dragões, que colocaram um ponto final no jejum que durava há uma década. O poste de 34 anos - completa 35 no dia 4 de julho - explica o que mudou desde 2015/16, dá a receita do sucesso e garante que a fome e a ambição permanecem intactas. Título carregado de emoções fortes.

— Dez anos depois, o FC Porto sagrou-se campeão. Com que sensação é que a equipa sai desta temporada de sucesso?

É uma sensação muito boa. Não só por culminar no título de campeão nacional, mas também pela forma como a época decorreu. Foi uma temporada difícil, em que houve momentos em que não estivemos muito bem, e conseguimos superar-nos e perceber o que é que a equipa precisava. Trabalhámos todos em conjunto, pusemos os egos de lado para trazer o título para o FC Porto foi de uma superação enorme e de um grande caráter por parte da equipa. Estamos muito felizes.

Azuis e brancos festejaram título depois de baterem o Benfica na final - Foto: FC Porto

— Qual foi a chave do sucesso?

Percebemos o que estava mal, tivemos união e tivemos de perceber "Ok, não estamos a jogar bem, mas o que é que podemos fazer para melhorar?". O caráter para pôr os egos de lado em prol da equipa, dar os passos atrás para conseguir o objetivo final… É isso: união, caráter e superação.

— Utiliza-se muitas vezes a expressão ganhar à Porto. Como é que o Miguel, como capitão, transmite esse sentimento aos estrangeiros, por exemplo, que não estão tão familiarizados com a realidade do clube nem do basquetebol em Portugal?

Costuma dizer-se: "Só quem sabe é que sente". É lutar até à última bola. É, independentemente de as coisas estarem a correr bem ou mal, nunca desistir. Mesmo quando se está cansado ou a sangrar, ir lá para dentro na mesma. Ter coragem de enfrentar toda a gente, respeitar toda a gente, mas não ter medo de ninguém. E lutar até à última bola independentemente do que é que se passa à volta.

Miguel Queiroz participou em 28 jogos na temporada portista - Foto: FC Porto

— Houve algum momento específico da época em que pensaram que este título já não vos fugia?

Da forma como correu a época, foi um ano em que demorámos a acreditar que era possível. E depois, nesta parte final, aos pouquinhos, fomos acreditando que podíamos ganhar a qualquer equipa. Principalmente fizemos uns play-offs muito bons. E queria agradecer também ao departamento de performance e ao nosso departamento médico, porque chegámos em condições físicas muito boas à fase final da temporada. E, lá está, fomos acreditando aos poucos que podíamos vencer. Não foi um momento apenas. Houve outras épocas, a passada, por exemplo, em que nós sentimos, acreditámos sempre que podíamos vencer e depois acabámos por não conseguir. Esta época, fomos aos poucos, fomos trabalhando esse acreditar, essa convicção de que podíamos vencer, mais para a parte final. Foi construída aos poucos.

— E é um título também dedicado ao jovem Pedro Machado, jovem basquetebolista do FC Porto que luta contra uma doença oncológica?

Sem dúvida. O Pedro foi sempre a nossa força cá dentro. O Pedro, os pais... fizeram-nos ver que às vezes aqueles problemas que nós sentimos no dia a dia, como uma derrota, não têm assim tanta importância. E depois ver a força dele, a força que os pais têm... Como é que nós conseguimos queixar-nos quando estamos a treinar muito ou quando o árbitro marca uma falta? Foi uma força muito grande que ele nos passou, sem dúvida, e que nos fez ver que há outros problemas que não têm tanta importância.

— No futebol costuma dizer-se que existe o décimo segundo jogador, no basquetebol não há décimo segundo, mas sim o sexto. Considera que os adeptos portistas foram fundamentais nesta conquista?

Eu não tenho dúvidas. Aliás, se formos ver os dois pavilhões que estiveram aqui no jogo três e no jogo quatro, foram duas casas incríveis. Já não me lembro de ver assim o Dragão Arena há muito tempo. As pessoas estavam muito felizes quando vencemos. Fomos campeões todos juntos. O Dragão Arena e as pessoas que queriam muito cá estar e não conseguiram, todos fomos campeões juntos. É assim que o FC Porto tem de ser: unido. Não só quando ganhamos, mas unidos sempre. Especialmente no fim de semana do título, estivemos muito juntos e fomos campeões todos juntos.

A iniciar sessão com Google...