Roberto Martínez - Foto: Miguel Nunes
Roberto Martínez - Foto: Miguel Nunes

Força de Diogo Jota, saída de Ronaldo e Espanha: tudo o que disse Roberto Martínez

Análise do selecionador nacional ao duelo com a Croácia

Roberto Martínez, selecionador nacional, fez a análise ao duelo com a Croácia, válido para os 16 avos de final do Mundial 2026. A equipa das quinas venceu por 2-1, num final impróprio para cardíacos, e vai defrontar Espanha nos oitavos de final.

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— Que análise faz a este jogo sofrido?

— Estamos no Mundial e é isso. Os jogos são competitivos. A primeira parte foi muito boa, fomos superiores e controlámos o jogo muito bem. Faltou o golo, mas anulámos aquilo que a Croácia faz muito bem. A reação à perda, a transição defensiva… tivemos uma intensidade que não tínhamos tudo. A segunda parte foi diferente, o jogo mais aberto e a Croácia com mais bola. O momento de sofrer um golo, é fácil dar força à Croácia. Mas é aí que podemos usar os valores da equipa. Tivemos muito coração e capacidade para usar diferentes perfis. Agora precisamos de melhorar em todos os jogos. É um dia para estar orgulhoso dos nossos jogadores. O jogo foi fantástico para o adepto em geral e para os portugueses foi um dia feliz e orgulho pelo significado do jogo. Honramos o Diogo Jota e o André, o pai do Ricardo Carvalho. A Croácia, última equipa a que o Jota marcou pela Seleção. 2-1, que é o 21 do Diogo Jota. Muitos sinais e merecemos a vitória. Sinais de uma força e energia daquilo que o Diogo Jota era na Seleção. Um foco de acreditar e temos uma responsabilidade pelo Diogo Jota de continuar a mostrar os valores da equipa que tivemos. É a nossa luz no Mundial.

— Quando o Cristiano sai e entra mais um médio, a equipa estava partida. Sentiu que era aquilo que a equipa precisava?

— É importante utilizar os perfis de diferentes jogadores que temos. Houve um momento que era difícil chegar ao último terço e à área. A entrada do Gonçalo Ramos, com o Cristiano dentro da área, podia condicionar os centrais. A Croácia não conseguia seguir. Depois do nosso golo é diferente. Era o momento de ter mais um médio e controlar o ponto forte da Croácia. Diogo Costa? Nos primeiros dois jogos não teve muito trabalho. Contra a Colômbia esteve preparado, é o capitão do FC Porto. Cresceu muito a nível de maturidade e estamos muito contentes por ter um guarda-redes como ele.

Gonçalo Ramos conquistou a titularidade e qual o objetivo da saída do Ronaldo?

— A primeira parte foi a melhor que fizemos no Mundial. Foi muito boa, mas faltou o golo. A segunda parte tem dois jogos, quando a Croácia marca. Utilizámos os jogadores que temos, o Gonçalo Ramos acrescenta sempre. Estamos habituados a ver o banco a acrescentar. Tentámos arriscar com dois pontas de lança para condicionar os centrais da Croácia. Depois era o momento de ter mais um médio e utilizámos o Rúben Neves. Por isso, tirámos um ponta de lança.

— Conquista da Liga das Nações frente a Espanha serve de referência?

— Serve. Não sei como articular, mas num Mundial é diferente jogar contra uma equipa europeia. Respeitámos Espanha, mas é uma equipa europeia. Conhecemos bem a Espanha e eles também nos conhecem. Vai ser um jogo fantástico. Vai ser um jogo europeu dentro do Mundial. Mas são duas equipas que querem bola e procurar rápido a baliza. Vai ser um grande jogo. Portugal favorito? Não. Se estamos a ver os jogos dos 16 avos de final, França foi superior, mas os outros jogos têm sido por detalhes. O jogo com Espanha vai ser muito assim.

— Tirou Vitinha e Bruno Fernandes com Portugal a perder. O que o levou a fazer isso?

— Temos padrões de ataque definidos. Era um bom jogo para jogar no jogo interior, mas não conseguimos. Era o momento para usar mais a largura e profundidade do Rafael Leão. Utilizámos isso na Liga das Nações. Não acho que seja novo. Foi acompanhar o momento do jogo.

— Qual a análise ao golo anulado à Croácia?

— Tenho uma grande admiração pela Croácia. As bolas têm um ship. Quando há o toque, o ship assinala. Não há uma opinião subjetiva, é fora de jogo. O jogador que marca está fora de jogo, é claro. Compreendo. Admiro o trabalho do Zlatko Dalic. Tivemos sorte no momento, mas foi claro.

— Foi o último jogo em Toronto. O que achou da atmosfera?

— Incrível. A receção que tivemos… Foi a primeira vez que estive no Canadá. Parabéns a todos que estiveram envolvidos na organização. O relvado, o balneário, fez-me lembrar a Premier League. É uma pena não haver mais jogos em Toronto. Foi tudo incrível.

— Foi o último Mundial para Modric, o que dizer do seu desempenho?

— Estamos a falar de um jogador que joga como um jovem. Muitas vezes não falámos do pensar do jogo. É tudo sobre táticas, parte técnica e física. Modric é o exemplo bonito  disso. Encontra espaços, depende de como o jogo decorre, faz o passe certo. Tive a oportunidade de sofrer quando o Modric estava o Tottenham. Os meus parabéns, inspirou milhares de crianças.

— Portugal mereceu ganhar à Croácia?

— Foi um jogo muito competitivo, principalmente a segunda parte. Quando uma equipa é superior precisa de marcar. Foi um jogo que mostrou a qualidade da Croácia, que conhecemos de muitos anos. Jogam como um clube. São flexíveis taticamente. Fiquei satisfeito de como anulámos a Croácia na primeira parte. Mostrar a capacidade de sofrer um golo e dar a volta, só por isso, com a qualidade na primeira parte, fomos superiores.

— Com a eliminação dos Países Baixos, que nunca ganharam um Mundial, sobra Portugal como o grande favorito que nunca ganhou. Esse sonho não deve morrer?

— Estar aqui… em crianças temos esses sonhos. Como selecionador, tenho de traçar esse caminho ao sonho. O caminho é recuperar e preparar o jogo com Espanha. Respeitar Espanha. Não nos consideramos favoritos. Somos um grupo com autocrítica. As emoções na segunda parte foram bem controladas. Passo a passo e respeitamos Espanha.

Cristiano Ronaldo fez o empate, como foi o sentimento?

— Temos de estar focados no que podemos fazer para ajudar os jogadores em campo. Provavelmente o primeiro Mundial foi difícil. Depois aprendi a gerir as emoções. Penso muito no processo das substituições, no que podemos fazer. Perdi todo o meu cabelo (risos) pelo caminho, mas valeu a pena. Permitiu-me ser mais racional e calmo. Não me lembro de um Mundial tão entusiasmante tão cedo.

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