Wilson Manafá recorda o momento em que soube do interesse dos dragões, que representou durante quatro épocas e meia

Treinou no Benfica, jogou no Sporting e diz: «FC Porto foi o meu auge»

Wilson Manafá abriu o livro sobre a passagem pelo FC Porto, recordando a chegada ao Dragão e a grave lesão no joelho, tocando, ainda, na experiência em Espanha, ao serviço do Granada

Entre memórias do FC Porto, histórias de balneário e a passagem por Espanha ao serviço do Granada, Wilson Manafá fala sobre os momentos altos e baixos da carreira. Em entrevista a A BOLA, o lateral, atualmente na China, ao serviço do Shanghai Shenhua, recorda a chegada ao Dragão, elogia Sérgio Conceição, revela quem mais o impressionou no balneário portista e revisita a grave lesão que o afastou dos relvados durante vários meses.

— Na China há três anos, pensa voltar à Europa e a Portugal?

A Portugal, se calhar mais para a frente. Tenho 32 anos e ainda não vejo que seja o momento para voltar. Mas pode acontecer, não sei o futuro.

— A voltar, havia algum sítio especial que gostasse de regressar?

Gostava de jogar no Portimonense, mas agora está um pouco complicado. Obviamente que o FC Porto é o clube que mais gosto na Liga, mas sei que é muito difícil voltar.

— Destacou-se no Portimonense e depois surgiu o interesse do FC Porto. Como foi esse momento?

As coisas estavam a correr muito bem no Portimonense. Já se falava no interesse do Olympiakos e tal. Só que o Jadson, central que jogava comigo, estava sempre a dizer que eu ia para o FC Porto. Só que não sabia de nada. Depois, no jogo com o Benfica, o António Folha veio ao pé de mim e disse: ‘Assim vai ser difícil aguentar-te aqui.’ Começaram a sair notícias a dizer que o FC Porto estava interessado e o meu empresário na altura confirmou-me. Até falei com o Sérgio Conceição. Foi do nada. Estava em casa, falei com a minha mulher, a Jéssica, e disse: ‘Tenho a oportunidade de ir para o FC Porto.’ Ela começou logo a fazer um filme, parece que ia para o outro lado do mundo [risos]. Mas correu tudo bem, ela veio comigo para o Porto e gostou muito.

— Foi um sentimento de orgulho? 

Era um sonho de criança. Sempre quis jogar num clube grande e na Liga. Quando surgiu essa oportunidade, foi um sonho concretizado. Depois vieram os títulos e ainda bem, mas quando cheguei ao FC Porto, foi o auge da minha carreira.

— Foi fácil a integração no FC Porto?

No início é sempre complicado. Passar do Portimonense para um FC Porto em que tens a exigência de ganhar todos os jogos, é sempre complicado. Muitas críticas, muitas pessoas a falar, o que é normal. Aquela meia época, quando cheguei, e o início do ano a seguir foram um pouco complicados, mas depois comecei a adaptar-me à exigência e à forma como o clube trabalhava e foi muito mais fácil.

Wilson Manafá está ao serviço do Shnanghai Shenhua, da China. Foto: DR

— Com qual jogador se deu melhor? E qual foi o jogador que mais o surpreendeu pela qualidade?

O Corona era um fora de série. Em termos de tudo, drible, passe, receção, era mesmo um fora de série. E por acaso era dos que me dava melhor lá. Era eu, Otávio, Tiquinho, mesmo o Danilo também é muito porreiro. Podia falar do balneário praticamente todo porque sou uma pessoa que se dá com toda a gente e o grupo era espetacular. Maxi, mesmo o Iker, o Pepe, Zaidu, Fábio Cardoso...

— E ser treinado pelo Sérgio Conceição, como foi?

Foi bom, porque deu-me outra visão do futebol, fiquei mais exigente. Agora, tenho a mania, não gosto de perder e fico todo chateado, não como ele, como ele nem perto [risos], mas fico chateado. Fez-me muito bem, fez-me evoluir e acreditar mais em mim.

— Alguma história dele que queira contar?

Tenho uma engraçada. O Alex Telles marcou contra o Portimonense e, na altura, ainda eram três substituições. O Alex fez o golo, fomos todos festejar, estava no banco, passei o campo, fui festejar e o árbitro vem e dá-me amarelo. Estou a chegar ao banco e o mister Sérgio começa: «Ó Manafá, tira o colete, tira, que vais entrar!’ E eu fiquei a olhar para ele: ‘Mas o mister já fez as três substituições, já não entra mais ninguém.’ E ele: ‘Ah! É verdade, desculpa, desculpa.’ Já estava a ferver por todo o lado.

— Falando de um período mais complicado, teve uma lesão grave, uma rotura do tendão do joelho. Foi o período mais difícil da carreira? Como ultrapassou isso?

Sim, de certeza. Fiquei muito tempo de fora. Nunca tinha tido uma lesão grave, então foi um susto. Mas, depois, o departamento médico tranquilizou-me. Várias pessoas disseram que, se fosse antigamente, já não jogava mais, mas, hoje, com as facilidades que se tem, foi tudo muito tranquilo. Não foi fácil pelo tempo que estive de fora, quase 10 meses, mas a recuperação correu bem, sinto-me bem e continuo a jogar, é o mais importante.

— No momento da lesão, percebeu logo que era grave?

Não. O lance é estranho. Foi contra o Benfica. Eu salto para cabecear a bola e até pensei que tinha sido tocado na perna, porque foi uma dor muito forte. Pensei que tinha sido chutado. Depois, olhei para o joelho e vi um buraco e eu disse: ‘Já fui. Isto é joelho, não tenho hipótese’. Fui para dentro e disseram-me que era o tendão rotuliano, tinha que ser operado. Passei a passagem de ano dentro do hospital. 

— Como viu esta época do FC Porto

O FC Porto esteve muito bem, sempre muito consistente desde o início do campeonato, sempre a fazer bons resultados. Fico contente. Tento ver sempre os highlights no dia a seguir, mas não é a mesma coisa do que estar a ver o jogo em direto. Mas tento sempre acompanhar o FC Porto e penso que, este ano, surpreenderam tudo e todos.

— Não esperava que Farioli, no primeiro ano no Dragão, fizesse o trabalho que fez?

Exato, também pelo ano anterior, pela confusão que foi, do grupo passar por muitos altos e baixos. Pensei que ia demorar um pouco mais ao FC Porto para se organizar outra vez, pela mudança de presidente e reestruturação também. Mas o FC Porto esteve muito bem.

Manafá conquistou dois campeonatos, três Taças de Portugal e uma Supertaça pelo FC Porto. Foto: A BOLA

— Passando para outra fase da carreira, antes da China, esteve no Granada. O que guarda desse período e de jogar na LaLiga?

A LaLiga é uma liga muito boa. A melhor em que joguei. Tem muita qualidade, muitos jogadores inteligentes. Todas as equipas sabem jogar à bola. Não há uma equipa que veja que está ali só para defender. Gostei muito. O clube tinha acabado de subir e, se calhar, a equipa não era a ideal para se manter na primeira divisão, porque realmente é muito exigente e muito difícil. Mas gostei da experiência.

— Sentiu que alguma coisa correu mal?

A verdade é que já cheguei em setembro. Não fiz pré-época, não fiz nada. A equipa já estava mais ou menos montada e, quando cheguei, íamos jogar contra o Atlético Madrid logo. Fui para o banco. O treinador estava a demorar a apostar em mim e a equipa ia perdendo e empatando... não ganhava nenhum jogo. Quando eu jogo, empatámos com o Getafe, perdemos contra o Alavés e o treinador é despedido. Veio um treinador uruguaio e não resultou com ele, também já não estava contente e saí em dezembro.

Wilson Manafá esteve meia época no Granada. Foto: IMAGO

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