Gabriel foi desenvolvendo proximidade com os jogadores do Estoril, caso de Pizzi, que se vai despedir do futebol no jogo com o Benfica - Foto: D.R.
Gabriel foi desenvolvendo proximidade com os jogadores do Estoril, caso de Pizzi, que se vai despedir do futebol no jogo com o Benfica - Foto: D.R.

O que Marco Silva une o Benfica não separa

Em Ermesinde, há um adepto do Estoril. Resistiu ao benfiquismo do pai e, com 10 anos de idade, descobriu que a sua grande paixão estava a 350 km de casa

Haver um adepto do Benfica em Ermesinde (a pouco mais de dez minutos do Porto) pode não ser a coisa mais comum do mundo, mas não causa estranheza. Porém, ser ermesindense e afeto ao Estoril… arriscamo-nos a dizer que só o Gabriel e mais ninguém.

«Sou adepto do Estoril desde 2011, tinha dez», começa por dizer Gabriel Pinto, em entrevista A BOLA. O jovem nortenho afeiçoou-se aos canarinhos, depois de ler, no jornal, que o clube estava «em maus lençóis» e que o diretor desportivo, Marco Silva, iria assumir o comando técnico da equipa.

Corria a temporada 2011/12. À quinta jornada da Liga 2, houve chicotada na Amoreira e o atual treinador do Fulham assumiu a equipa. No primeiro jogo, a equipa perdeu 2-0 com o Aves e caiu para antepenúltimo. Era um começo enganador, uma vez que o conjunto da Linha acabaria por ser campeão e subir à Liga. 

«Eu não conhecia o Marco Silva, mas vi as notícias de que tinha passado de diretor desportivo para treinador e aquilo despertou-me a atenção. A partir daí, comecei a interessar-me e a acompanhar o Estoril», conta Gabriel. 

Não mais quis outra coisa, mesmo com um pai benfiquista em casa que ainda o tentou desviar para a Luz. «Quando eu nasci era benfiquista, porque o meu pai também era, mas depois cresci e nunca mais», confessa. Em criança, «via que todos os meus amigos eram do Benfica, FC Porto ou Sporting», mas essas modas não o estimulavam.

Gabriel tornou-se sócio dos estorilistas aos 18 anos, quando se tornou independente - Foto: D.R.

Quando chegou à maioridade, tornou-se sócio do Estoril, mas antes já tinha ido ao Estádio António Coimbra da Mota (sozinho) ver um jogo: «A primeira vez foi em 2016. Fui sozinho de autocarro e passei o jogo a chorar de alegria. Ganhámos 2-0 ao Moreirense

A partir daí, foi criando ligação até se sentir, verdadeiramente, em casa: «As pessoas dizem que sou doido e perguntam-me porque sou do Estoril, sendo de Ermesinde. Eu gostava mesmo que essas pessoas fossem à Amoreira ver um jogo… Eles vão à Luz, ao Dragão ou a Alvalade e não conhecem ninguém. Com o Estoril não é assim. Há amigos, conhecemos toda a gente, sentimo-nos em casa.»

Gabriel, na cadeira onde se costuma sentar Ian Cathro - Foto: D.R.

«A Rede Expressos tinha um autocarro a sair de Campanhã para Cascais às sete da manhã... Eu apanhava sempre esse, chegava lá às onze, via o jogo e voltava. Só que, depois, a Liga começou a pôr os jogos em horários que… enfim, agora já não dá para fazer isso», lamenta, acrescentando que foi nessa altura que criou «ligação até com os jogadores», de quem chegou a receber «camisolas em casa, por correio, como a do Yohan Tavares», recordando ainda que «o próprio líder da claque» o ia «buscar à estação de Cascais».

Protesto no jogo para o Benfica

O ermesindense, de 25 anos, vai ver o jogo de sábado (20h30) diante do Benfica no sofá. Recusa-se a ver os jogos em casa contra os grandes e explica porquê: «Os jogos com Benfica, FC Porto, ou Sporting nunca quis ir ver. Não consigo ir ver o Estoril nesses dias, porque eu vejo pessoas que, durante o ano, dizem que são do Estoril, mas quando esses clubes vão lá mudam de camisola e eu não gosto disso.»

Gabriel escolherá, por isso, ficar no sofá a rivalizar com o pai, admitindo que «esses jogos são sempre engraçados, porque cada um veste a camisola de cada clube». O jovem antevê que «será difícil para o Estoril, ainda por cima com o Benfica a lutar pelo segundo lugar».

Sobre Pizzi, considera que «vai despedir-se não contra, mas sim no melhor clube que jogou [risos]».

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