«Sven Goran-Eriksson tratou-me de uma forma extraordinária»
— O que aprendeu quando recebeu e trabalhou junto da seleção de Inglaterra no Euro 2004?
— Foi um doutoramento em todos os aspetos. Para já, pela grande seleção que era, Beckham, Gerrard, Terry, Lampard e tantos outros. Depois por um senhor, Sven-Goran Eriksson, que me tratou de uma forma extraordinária. Eu era o oficial de ligação, fazia o acompanhamento da seleção inglesa. Era contratado pela UEFA para garantir que nada faltava à seleção em termos de organização e dos protocolos de uma competição como é o Euro 2004, mas sobretudo para garantir que a seleção tem tudo aquilo que precisa. Pude estar perto de uma equipa de alta competição, perceber o dia-a-dia, palpar o contexto, e tive uma pessoa que me abriu as portas completamente, que foi o Sven-Goran Eriksson, toda a sua equipa técnica, todo o staff da seleção, eu lembro-me que na altura, só em staff eram 70 pessoas.
— E como foram aqueles dias antes do jogo dos quartos de final com Portugal?
— Foi muito difícil. Afastei-me um bocadinho da equipa. Até que um senhor, o Sven-Goran Eriksson, me veio perguntar porquê. Eles sabiam que eu era do meio e como é óbvio, podia haver ali alguma desconfiança. É natural. Sabemos como é que o mundo do futebol. E para não dar azo a qualquer situação que pudesse acontecer, afastei-me da equipa. Lembro-me de não estar presente nos treinos. Até que me foi perguntado porquê e eu disse: “Míster, não vos quero deixar numa situação desconfortável. Vão jogar contra o meu país.” Mas foi muito engraçado porque eu tenho uma paixão muito grande pelo nosso país, mas eu estava fazia parte de uma equipa, que era a Inglaterra. Foi um misto de emoções. Eu acho que, sinceramente, ali, independentemente de quem ganhasse, eu ia estar contente. Ou pelo enorme patriotismo que tenho, ou pela parte profissional, porque aquilo que eu e a minha equipa fazíamos tinha impacto. Alguma coisa contribuíamos para o sucesso.
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