Rugby do Benfica cumpriu centenário em 2024 e tenta ganhar 10.º título que escapa há 25 anos (foto: José Camelo)

Cascais-Benfica: a grande 'final' este sábado para ver n'A BOLA TV

Benfica ou Cascais será campeão nacional. Cinco pontos de vantagem para os encarnados; equipa da Linha obrigada a vencer com ponto bónus e impedir bonificação das águias. Treinadores antecipam final na última jornada

Cascais e Benfica defrontam-se este sábado (17h00, transmissão BOLA TV) na 10.ª e última jornada da Divisão de Honra de rugby, duelo que decidirá o título de campeão nacional. 

Os encarnados (34 pontos), líderes, apresentam-se no Hipódromo Municipal de Cascais Manuel Possolo com cinco pontos de vantagem em relação à formação da Linha (29). 

Para ser campeão e recuperar um título que lhe escapa desde a época 1995-1996 (30 anos) o Cascais tem de vencer com ponto bónus ofensivo (totalizaria cinco pontos e igualaria o clube da Luz na tabela) e não permitir qualquer ponto defensivo ao Benfica, vencendo face aos critérios de desempate (ver caixa). 

A formação encarnada conquistará o título, 25 anos depois, se vencer, naturalmente, empatar ou sair derrotada com ponto bonificado (derrota por menos sete pontos) ou impedir extra pontos ao Cascais. 

«É não olhar para a contabilidade» assumiu à A BOLA António Aguilar, treinador da formação encarnada perante os cálculos do título nacional. «Queremos jogar, queremos atacar e queremos ganhar o jogo. Não vamos fazer contas para gerir, para perder por poucos. Vamos para ganhar», avisou. 

Treinador contratado este ano para fazer dupla com Francisco Fernandes, António Aguilar reconhece que as contas já podiam ter sido fechadas na 9.ª e penúltima jornada. O empate (17-17) diante o CDUL adiou a decisão do título nacional. «A equipa tentou gerir o resultado em vez de jogar o nosso jogo. Fomos menos atacantes que o normal, demos muito a bola ao adversário, correu mal e foi a tempestade perfeita no final», recordou.

Abandona o passado e olha para o futuro imediato. «O Cascais tem um jogo mais físico do que a maioria das equipas», reconhece. «Mas, nós também conseguimos batermo-nos bem na parte física», acrescentou. 

A preparar a final, a equipa treinou esta semana, por duas vezes, no Estádio da Luz. «Já estava previsto», esclareceu António Aguilar. «No início do primeiro treino, atrapalhou um bocadinho, é normal, ficámos a olhar, não estamos habituados», sorriu.

O Cascais, a par do Belenenses, são as duas únicas equipas que venceram o Benfica esta temporada. Foi a 15 de novembro (26-20), no campo da Guia, Cascais, na meia-final da Taça Portugal. Na fase final da Divisão de Honra, as águias venceram (42-28) na 5.ª jornada. 

Cascais está «tranquilo»

«Foi uma semana de treinos normal, trabalhar as mesmas coisas que fizemos durante o ano, acreditar muito no trabalho que estamos a fazer com os jogadores, tentar que estejam tranquilos e desfrutem», antecipou Gabriel Ascarate, treinador do Cascais. 

Em relação ao embate decisivo no Hipódromo Manuel Possolo, local envolto de uma atmosfera especial para a formação cascalense, um dos palcos do pentacampeonato (1992, 1993, 1994, 1995, 1996), a par do pelado Guilherme Salgado, é incisivo. 

«Se tivermos de ser campeões, vai ser, se não, é continuar a trabalhar», rematou o antigo internacional argentino em conversa com A BOLA. «O Benfica é uma equipa profissional com grandes jogadores e individualidades», reconheceu Ascarate, para concluir: «Acreditamos e vamos fazer tudo para ganhar o jogo e vencer mais um título para o Cascais».

Os critérios que decidirão o campeão

O Cascais, seis títulos nacionais, procura a sétima tábua de madeira em 51 anos de história da modalidade no centenário clube (111 anos celebrado a 13 de maio). O Benfica, cuja secção de rugby cumpriu os 100 anos em 2024, tenta recuperar o 10.º título e igualar o Belenenses no terceiro lugar do pódio dos campeões nacionais de rugby, lista liderada pelo CDUL (20) seguido do Direito (12). 

Para ser campeão, o Cascais terá de vencer obrigatoriamente com ponto de bónus ofensivo (4+1 pontos), isto é, quatro ensaios marcados e uma diferença de três em relação ao adversário e não permitir qualquer ponto bonificado (ponto bónus defensivo) ao XV encarnado (a diferença no marcador terá de ser acima dos sete pontos). Um simples triunfo (4 pontos) não é suficiente para fazer a festa.

Com um empate, uma derrota bonificada e, naturalmente, uma vitória, o Benfica conquista o título de campeão nacional.   

Em caso de vitória bonificada do XV da Linha, e sem qualquer ponto somado pelas águias, os dois emblemas terminam em igualdade pontual. Cenário favorável ao Cascais.

Segundo o Regulamento Geral de Competições (art.31), o primeiro critério de desempate é o número de vitórias na fase final. Ora, cada um somaria sete e obriga a recorrer ao segundo critério, a diferença de pontos marcados e sofridos. Aí, a vantagem mora em casa e o título ficará em Cascais. Tem 143 pontos de diferença (311 marcados e 168 sofridos) contra 98 do Benfica (245-147). 

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