Roberto Martínez fala aos jornalistas após revelar a convocatória para o Mundial - Foto: Miguel Nunes
Roberto Martínez fala aos jornalistas após revelar a convocatória para o Mundial - Foto: Miguel Nunes

Roberto Martínez: «2026 é o ano de Portugal atingir o que merece»

Selecionador garantiu que Portugal chega ao Mundial 2026 preparado para «lutar contra a história», assumindo que a Seleção está entre as mais talentosas do mundo e defendendo ainda as escolhas

Roberto Martínez acredita que Portugal chega ao Mundial 2026 com condições para discutir o título e assumir-se entre as melhores seleções do planeta. Numa entrevista concedida à RTP, o selecionador nacional falou sobre a ambição da equipa portuguesa, o estatuto de favorita, o papel de Cristiano Ronaldo e ainda justificou algumas das escolhas mais debatidas da convocatória, incluindo a ausência de Ricardo Horta.

Martínez começou por afastar a ideia de definir um mínimo obrigatório no Mundial, recusando colocar metas concretas como quartos ou meias-finais. «Não gostaria de dizer que chegar aos quartos de final é um bom Mundial para Portugal. Não é isso. Um mau Mundial é não dar tudo o que podemos dar», afirmou.

Ainda assim, Martínez colocou Portugal no lote das seleções mais talentosas do mundo e garantiu que a equipa acredita verdadeiramente na possibilidade de fazer história. «Se compararmos a nível de talento, sem dúvida que estamos ao nível dos melhores balneários do mundo. O Mundial é a melhor competição, é um desafio que chega no final da época. Temos de recuperar as forças e a frescura. Percebo que no balneário há uma força especial, um objetivo de tentar dar tudo neste Mundial.»

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«Chegar a Nova Iorque a19 de julho [data da final] é o nosso sonho. É isso que está na mente de todos. Precisamos de trabalhar muito e estar preparados para momentos difíceis, mas o sonho da Seleção é esse, lutar contra a história. Em 2016 ganhámos o Europeu, em 1966 obtivemos o 3º lugar, a melhor classificação de sempre num Mundial, e em 2006 chegámos às meias-finais. Acredito que 2026 será o momento de Portugal atingir o que merece.»

Martínez recordou também a recente conquista da Liga das Nações e os triunfos frente a Alemanha e Espanha como sinais claros do crescimento competitivo da equipa. «Ganhar à Alemanha na Alemanha era um desafio histórico. Pudemos ganhar à Espanha pela primeira vez numa final. A equipa está preparada. Acredito muito nos nossos jogadores porque estão no momento certo.»

O espanhol admitiu mesmo que este é o maior desafio da sua carreira e que não está preocupado com o futuro: «Sem dúvida. O balneário é forte, temos juventude e talento, mas também autocontrolo e disciplina que vêm com a experiência.»

«Continuidade na seleção depende do Mundial? Não acho. Já falei disso. O foco é o Mundial, o nosso sonho é chegar lá e dar tudo. Depois do Mundial, a decisão será a que seja a melhor para a seleção. Se estivesse preocupado com a minha posição, não era o selecionador certo. Agora é o momento de Portugal, de preparar bem a equipa e fazer o processo que precisa de ser feito.»

«Cristiano Ronaldo é um exemplo»

Outro dos temas centrais da entrevista foi Cristiano Ronaldo. Roberto Martínez voltou a elogiar o capitão da Seleção Nacional e garantiu que o avançado continua a ser uma peça fundamental dentro e fora do campo. «É um exemplo. Não há outro jogador a nível internacional com 22 anos numa seleção. A fome que ele tem, a vontade de viver o dia seguinte a tentar melhorar.»

«Está focado em ajudar a equipa e em fazer um bom Mundial. Marcou 25 golos nos últimos 30 jogos da seleção. É uma figura mundial e uma inspiração para muitos miúdos que jogam futebol. O Cristiano de hoje tem uma atitude incrível, para nós é o jogador de último movimento, de finalização, de condicionar os centrais. Pode ajudar muito os jogadores que se vão estrear.»

Mas deixou o alerta: «O nosso grupo não é só o Cristiano. Temos vários capitães de grandes equipas do mundo. É importante, mas não é um jogador que vai ganhar um jogo. Não é certo dizer que ele só está na seleção pelo que já fez e não pelo que é hoje.»

Sobre o momento em que o astro luso irá abandonar os relvados: «Olhamos para isso com naturalidade. Um dia vai acontecer ele deixar de jogar e vamos olhar para trás e ver as memórias que eles podem criar nas gerações seguintes. Precisamos de desfrutar muito dos jogadores que estão a jogar agora nesta seleção, não só ele.»

Ricardo Horta, Salvador e ausências

Roberto Martínez explicou também algumas das ausências mais debatidas da convocatória para o Mundial, nomeadamente a de Ricardo Horta, depois das críticas deixadas por António Salvador, presidente do SC Braga. O selecionador garantiu que as escolhas foram feitas com base em perfis específicos e equilíbrio do grupo.

«Nos 23 jogadores de campo temos perfis claros. Jogadores como o Pote, o Ricardo Horta ou Rodrigo Mora ocupam os mesmos espaços de jogadores que estão na convocatória como o João Félix, o Bruno Fernandes, o Bernardo Silva e o Trincão. É o equilíbrio e não há espaço para mais. É certo que o Ricardo Horta fez uma época impecável, o Mateus Fernandes também, assim como o Tiago Gabriel. Estamos a falar do espaço da seleção em que estão os melhores de Portugal e são também os melhores equipas da Europa. A competitividade é muito alta. Precisamos de tomar decisões que não sejam populares, que não sejam para agradar a ninguém.»

O selecionador explicou ainda a opção de convocar quatro guarda-redes: «O quarto guarda-redes é utilizado como apoio no treino. Há muito trabalho de finalização e muita carga para os guarda-redes.»

Já sobre a pressão inerente às convocatórias, Martínez garantiu estar hoje muito mais tranquilo do que no início da carreira. «Quando fiz a primeira escolha, em 2007, era difícil dormir com tantas decisões. Durmo bem com as escolhas, porque é fácil tomar uma decisão quando o que procuramos é claro. Difícil é reduzir o grupo a 27 jogadores. Mas é um processo muito honesto, com responsabilidade e claro, com muito trabalho por trás.»

Diogo Jota

Sem surpresas, a morte de Diogo Jota foi um assunto abordado. Martínez destacou o aspeto humano do malogrado jogador e lembrou o momento em que soube da tragédia. «Foi um momento traumático e trágico. O Diogo era muito querido. Tenho sempre um sorriso a fazer dele. É uma força. O Diogo estava sempre focado a ajudar a seleção. Há muitos sinais que continuamos com a responsabilidade de continuar o sonho dele que é ganhar o Mundial. Tinha muita qualidade humana, fazia parte de tudo. Gostava de estar sempre envolvido em tudo. Era um exemplo e ainda é uma luz que faz parte do que construímos.»

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