Bernardo Silva diz adeus ao City depois de vencer a Taça de Inglaterra - Foto: IMAGO

Os craques não se medem aos palmos

'Remate de Letra' é o espaço de opinião quinzenal de Hugo Vasconcelos, editor

Há 15 anos, quando estava naquela má situação no Benfica em que não jogava porque não acreditavam em mim por causa do meu tamanho, olhar para aquela equipa do Pep em Barcelona, com os tipos pequenos, com Xavi, Iniesta, Messi, Pedro, era uma inspiração

Bernardo Silva, jogador do Manchester City, aos canais do clube

O título de campeão inglês fugiu anteontem, mas Bernardo Silva despede-se do Manchester City com mais uma Taça de Inglaterra, que, como capitão, ergueu em Wembley já este mês, e como recordista de troféus no clube: 20.

E enquanto prepara a despedida final, ontem, aos canais do City, falou da relação com Pep Guardiola, explicando como, com 15 anos, e à distância, o seu treinador durante quase uma década já era uma inspiração.

É bem sabido que o percurso de Bernardo nas camadas jovens do Benfica ficou marcado por um período em que quase não jogava, por ser demasiado baixo. Como se os craques se medissem aos palmos. Por isso, ver aquele Barcelona de Xavi, Iniesta e Messi permitia-lhe continuar a sonhar.

Ver a carreira de Bernardo — se alguém tiver dúvidas do impacto que teve no City, tão grande ou maior do que tiveram Aguero ou De Bruyne, só para citar dois nomes marcantes dos últimos 15 anos, aconselho a ouvirem a entrevista de Darren Fletcher a Noel Gallagher, líder dos Oasis, e a idolatria com que o músico fala do português —, ou a de João Moutinho, que acabou de renovar com o SC Braga, a menos de três meses de completar 40 anos, prova que o futebol não é só para gente grande e é o desporto mais democrático.

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