«Títulos? Jogar pelo Benfica foi o momento mais marcante da minha carreira»
Sandro Cruz estreou-se pela equipa principal do Benfica a 30 de abril de 2022, no terreno do Marítimo. Oito temporadas de águia ao peito culminaram em dois jogos pelos seniores encarnados, que nunca esqueceu.
O lateral esquerdo considerou-se «eternamente grato» ao Benfica, desfez-se em elogios a Nélson Veríssimo e recordou momento mais difícil de águia ao peito em entrevista a A BOLA.
— Que momento é que mais o emocionou: a estreia pela equipa principal do Benfica ou o primeiro título da carreira?
— A minha estreia pelo Benfica foi algo único. A grandeza que o clube tem, os oito anos que lá estive... Da minha geração, poucos chegaram lá. Ter jogado pelo Benfica foi certamente o momento mais marcante da minha carreira. A maneira como os adeptos me acolheram e apoiaram do início ao fim. Foi o momento mais alto para mim. A conquista de um título é diferente, é a recompensa do trabalho de todo um clube e dos adeptos que são muito apaixonados. A estreia foi uma coisa mais individual.
— Quem é que foram os talentos que mais o impressionaram na formação do Benfica?
— São tantos. Gedson Fernandes, João Félix, o João Neves. Numa fase inicial da carreira dele já se via o talento que tinha e o que poderia dar. Da minha geração posso dizer também Gonçalo Ramos, Tiago Gouveia, Ronaldo Camará. Tomás Araújo, António Silva. Tomás Araújo, o Beckenbauer português. Tomás Tavares, Nuno Tavares, Úmaro Embaló, Paulo Bernardo, Henrique Araújo... tantos jogadores com quem joguei. Sobre muitos deles fica aquele saborzinho amargo de ‘como é que este jogador não deu mais’, mas cada um tem o seu trajeto e nem todos chegam a um nível tão alto. Uns não deram, outros deram. Faz parte, é a vida.
— Qual foi o treinador mais marcante que teve até ao momento?
— Não posso esquecer os treinadores da formação do Benfica. O Luís Nascimento ajudou-me muito, acreditou sempre em mim. Renato Paiva também. O Nélson Veríssimo para mim foi o treinador mais importante. A maneira como ele e o seu staff me fizeram crescer... E já numa fase mais recente o mister César Peixoto é uma pessoa muito importante. Mudou mais o meu lado humano do que o meu lado futebolístico. Só limou algumas coisas que eu precisava no lado futebolístico, mas mudou muito a forma como via as coisas e foi muito importante naquilo que é hoje o Sandro.
— Pensa que está talhado para outros voos?
— Gostava de, quem sabe, voltar encontrá-lo fora de Portugal. Tem o meu número, se sair pode ligar-me [risos]. Tenho a certeza que ele tem qualidade para outros voos, mas está feliz no Gil Vicente e fez uma época muito boa.
Do apoio no banco ao talento dentro das quatro linhas
— Como é que o Benfica reagiu ao caso de racismo que o envolveu em 2022?
—O Benfica deu-me um suporte inigualável. O presidente Rui Costa sentou-se comigo e disse-me que estariam lá para tudo o que precisasse. O mister Veríssimo fez a sua parte e ajudou-me bastante num momento muito sensível. O Benfica disponibilizou-me todo o leque de staff disponível para poder sair daquele momento menos bom. Agradeço do fundo do meu coração aquilo que fizeram por mim, foi muito importante. O que aconteceu em Vila do Conde aconteceu noutros tantos campos pelo mundo. São momentos tristes, que não são aceitáveis no futebol, mas faz parte e temos de lidar. A alegria vence, somos humanos, todos erram. Não há espaço no futebol para essas situações. O Benfica ajudou-me, acarinhou-me. Sou eternamente grato ao mister Veríssimo por ter-me ajudado.
— Como é que acompanhou como observador externo o caso de alegado racismo que envolveu o Benfica?
— Ninguém sabe o que é que ele disse. Vou acreditar que ele não disse nada nada porque o Benfica é um clube com muitos valores. Acredito que se tivesse sido dita alguma coisa, o presidente e o clube teriam sido as primeiras pessoas a atuar. Mas não tenho muito a dizer sobre a situação. Tenho total confiança e sei que o Benfica não deixaria passar isso em claro.