Tiago Fernandes foi um verdadeiro líder e os festejos após a última jornada a todos emocionaram — Foto: PORTIMONENSE
Tiago Fernandes foi um verdadeiro líder e os festejos após a última jornada a todos emocionaram — Foto: PORTIMONENSE

A épica temporada de Tiago Fernandes

A permanência do Portimonense na Liga 2 premiou o esforço e o trabalho de todo um grupo e a convicção da aposta da SAD no treinador. Sem hesitar. Do primeiro ao último dia. Este é o 'Livre sem barreira', espaço de opinião de Hugo do Carmo

34 jogos, 11 vitórias, 7 empates, 16 derrotas e 39-49 em golos. À primeira vista parecem ser números modestos, mas na realidade não o são: valeram o 15.º lugar na Liga 2, o mesmo que é dizer a manutenção. E são números fantásticos. Tanto que significaram ouro para o Portimonense e ilustram uma épica temporada para Tiago Fernandes.

A SAD dos algarvios apostou no treinador de 44 anos e acabou premiada. Contra toda a lógica do futebol português. A época 2025/2026 foi difícil, muito difícil. Basta dizer que em 2023/2024 o clube estava na Liga e que na campanha que acaba de terminar se debateu com inúmeros problemas. Desportivos e, essencialmente, financeiros. Houve que fazer das fraquezas forças e com o grupo formar uma família.

Tiago Fernandes foi um verdadeiro líder e os festejos após a última jornada a todos emocionaram. Não sei se por em parte dedicados ao pai, o falecido e inesquecível Manuel Fernandes, mas certamente por terem vindo do fundo da alma, um agradecimento por meses e meses de sofrimento.  

A vitória (1-0) sobre o Farense valeu muito mais do que três pontos. Mesmo que tenha selado a manutenção, mesmo que tenha sido sobre o vizinho e rival. O golo de Samy tem um significado especial. Inesquecível.

O triunfo e consequente permanência na Liga 2 premiaram o esforço e o trabalho de todo um grupo e a convicção da aposta da SAD liderada por Rodiney Sampaio em Tiago Fernandes. Sem hesitar. Do primeiro ao último dia.

O futebol também se faz de convicção, de fé, de compromisso, de lealdade. A tudo isto Tiago Fernandes respondeu com trabalho e dedicação. Com determinação e caráter. A recompensa chegou no último dia. Para clube, jogadores e, claro, treinador. Pareceu obra do destino, mas não. Foi fruto do trabalho. Muito trabalho. E, repito, convicção.

No Portimonense, estão todos de parabéns. Basta referir que entre os 18 clubes da Liga 2 — a extraordinariamente competitiva Liga 2 — apenas sete não mudaram de treinador durante a época. As três equipas B, FC Porto, Benfica e Sporting, cujos projetos vão muito para lá dos resultados, UD Leiria, Feirense e Lourosa, que realizaram uma campanha tranquila, e o Portimonense. O aflito Portimonense. O clube que desafiou toda e qualquer lógica e acabou por ser premiado. Uma lição para todos. Parabéns, Portimonense. Parabéns, Tiago Fernandes.  

De parabéns está também o Torreense. Termine como terminar a época, merece todos os elogios. Está na luta pela subida à Liga, de onde caiu no já longínquo ano de 1992, e, no domingo, regressa ao Estádio Nacional, 70 (!) anos depois, para discutir a final da Taça de Portugal.

Seja qual for o resultado no Jamor, diante do Sporting, e seja qual for o desfecho do play-off, com o Casa Pia, estão de parabéns Torres Vedras, Torreense e Luís Tralhão, o treinador que viu premiado o trabalho nos sub-23, que conquistaram a Liga Revelação na época transata, com a promoção à equipa principal. Mais um bom exemplo da convicção de uma SAD e do trabalho sustentando de um treinador.       

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