Participação de adversário de Portugal no Mundial 2026 vigiada devido a surto de ébola
A seleção da República Democrática do Congo, adversária de Portugal no Grupo K do Mundial 2026, deverá poder participar na competição, apesar do surto de ébola que assola o país. A administração americana e a FIFA estão a colaborar para assegurar que a comitiva congolesa possa entrar nos Estados Unidos. «Estamos a trabalhar ativamente com a FIFA para garantir que a viagem e a passagem sejam seguras, e que tanto os viajantes como o público americano permaneçam seguros», declarou Satish Pillai, gestor de incidentes da resposta ao ébola do Centro de Controlo de Doenças (CDC).
Esta declaração surge na sequência do anúncio de Washington de um reforço dos controlos sanitários nas fronteiras para evitar a propagação do vírus. Contudo, as autoridades norte-americanas ainda não especificaram que medidas concretas serão aplicadas à delegação congolesa durante o torneio, que se realiza nos Estados Unidos, Canadá e México, de 11 de junho a 19 de julho.
A FIFA garantiu estar a acompanhar a situação de perto. «A FIFA está ciente e a monitorizar a situação relativa ao surto de Ébola e está em comunicação estreita com a Associação de Futebol da RD Congo», referiu a organização em comunicado, acrescentando que a saúde de todos os envolvidos «continua a ser a prioridade máxima».
A seleção cancelou a parte do estágio de preparação para o Mundial que estava prevista para decorrer este mês em Kinshasa, a capital congolesa. Ainda assim, de acordo com o site Politico, a comitiva continua a planear viajar para a Europa e depois para o Texas antes do início do torneio, em junho.
O plano original previa uma concentração em Kinshasa no domingo, com um treino aberto ao público no Estádio Tata no dia 26, antes da partida para a Europa a 27 de maio. Este itinerário foi agora descartado. «Atualmente, os jogadores encontram-se fora do país após os seus jogos do fim de semana», explicou um porta-voz. «Eles não regressarão e iniciarão o estágio na Europa ainda este mês».
A preocupação internacional aumentou no domingo, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de âmbito internacional. A decisão foi tomada após o registo de mais de 600 casos suspeitos e 139 mortes confirmadas. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou esta quarta-feira que os números deverão aumentar, estimando que o surto da estirpe bundibugyo tenha começado «há alguns meses».
Até ao momento, foram confirmados 51 casos na República Democrática do Congo, epicentro do surto, e dois casos no vizinho Uganda, ambos de pessoas que viajaram a partir da RD Congo, resultando numa morte. «Sabemos que a escala da epidemia na RDC é muito maior», admitiu o chefe da OMS, mostrando-se particularmente preocupado com as mortes entre profissionais de saúde.
Apesar da gravidade, o comité de emergência da OMS concluiu que a situação «não é uma emergência pandémica», classificando o risco como «elevado a nível nacional e regional e baixo a nível global». O primeiro caso conhecido remonta a 24 de abril, quando uma enfermeira morreu em Bunia, capital da província de Ituri.
Este é o 17.º surto de ébola no país, mas a estirpe bundibugyo, que não era vista há mais de uma década, apresenta desafios adicionais, pois não existe vacina aprovada nem medicamentos específicos para a combater. O vírus apresenta uma taxa de mortalidade que pode variar entre 25% e 90%. Os sintomas iniciais são semelhantes aos de doenças como a malária e a febre tifoide, ambas comuns na República Democrática do Congo, o que dificulta o diagnóstico precoce.
Para os adeptos congoleses, as dificuldades também são evidentes. Aqueles que já possuem visto terão de provar que estiveram 21 dias fora das zonas de risco antes de entrarem nos EUA. Já para quem ainda não obteve visto, o processo complica-se, uma vez que a Embaixada dos EUA na República Democrática do Congo suspendeu temporariamente todos os serviços de vistos.
Portugal tem estreia marcada precisamente contra a RD Congo, a 17 de junho, em Houston. A seleção nacional defrontará depois o estreante Uzbequistão, a 23 de junho, também em Houston, e encerrará a fase de grupos contra a Colômbia, a 27 de junho, em Miami.