Ríos já fala da próxima época: «É importante ajudar o Benfica a ganhar títulos»
Considerado um dos médios mais completos a atuar na Europa, Richard Ríos, jogador do Benfica e da Colômbia, revela a mentalidade, métodos de treino, importância das raízes no futsal e objetivos com clube e seleção.
Atualmente com 25 anos, o médio só começou a jogar futebol de onze aos 18 anos, tendo dedicado a maior parte da sua formação ao futsal, uma base técnica que, segundo o próprio, moldou o seu estilo de jogo.
A transição do futebol brasileiro para um grande clube europeu implicou uma adaptação, até porque chegou com o rótulo de contratação mais cara da história do Benfica, proveniente do Palmeiras por 27 milhões de euros. «Claro que o futebol europeu é muito diferente do futebol brasileiro a que estava habituado. Mas estou a aprender, pouco a pouco, dia após dia», afirma Ríos em entrevista à Red Bull, sublinhando a vontade de evoluir. «Gosto de aprender, tanto como jogador como pessoa. Sempre ouvi os conselhos de quem me queria ajudar a crescer».
Quanto ao futuro, os seus objetivos são claros e ambiciosos, e passam por ficar no Benfica, apesar de estar referenciado por vários clubes, sobretudo em Itália, com o Nápoles particularmente atento. Em Inglaterra, também há sinais de interesse, nomeadamente do Manchester United.
«Tenho muitos sonhos. Ser campeão do mundo pela Colômbia e ser campeão pelo Benfica. É importante ajudar o Benfica a ganhar títulos, porque foi o clube que me deu esta oportunidade. Adoro este clube. O Benfica ajudou a minha carreira e eu quero retribuir com troféus. Tenho outros sonhos, mas vou mantê-los para mim, por enquanto. Se se concretizarem, poderei revelar quais são», projeta.
O Benfica ajudou a minha carreira e eu quero retribuir com troféus. Tenho outros sonhos, mas vou mantê-los para mim
A técnica apurada foi desenvolvida durante a sua infância em Medellín. «A minha técnica foi moldada na minha infância em Medellín, onde o futsal é muito popular. Joguei futsal durante muitos anos e isso faz parte da minha identidade», explica. «No futsal, há pouco tempo para pensar. Situações em que é preciso resolver em espaços curtos são comuns. Mover a bola com um ou dois toques, ou driblar para sair de uma situação... aprendi estas técnicas no futsal».
Em ano de Mundial, representar a Colômbia - que por coincidência está no grupo de Portugal - é a concretização de um sonho de infância: «Não consigo explicar por palavras. Era o meu sonho desde criança», confessa. «Sempre que visto a camisola da seleção colombiana, tento desfrutar ao máximo. É maravilhoso poder representar os meus amigos, a minha família e o povo colombiano».
O ruído das redes sociais
A força mental, considera, é um dos seus maiores trunfos. «Considero-me um jogador com uma vontade forte, espírito de luta e desejo de vencer», declara. «Nunca penso que não vou conseguir ganhar uma bola dividida e quero sempre vencer os duelos. O meu ponto forte é a minha força mental». Esta resiliência ajuda-o a lidar com as derrotas, que analisa de imediato para corrigir os erros. «Sou bastante duro comigo mesmo, mas a maior parte da crítica que faço a mim próprio é construtiva. Consigo ver as coisas boas e também sei como posso melhorar».
Para gerir a pressão e a negatividade, especialmente nas redes sociais, Ríos opta por se distanciar, focando-se no apoio da sua família. «Os jogadores estão habituados a esse lado, mas a família pode ficar magoada com comentários maliciosos. No entanto, isso faz parte do futebol», comenta. «Após cada jogo, recebo uma mensagem do meu pai sobre o que fiz bem e o que poderia ter feito melhor. Ele preocupa-se comigo e ajuda-me a crescer».
O médio colombiano continua focado em melhorar, nomeadamente a sua capacidade de passe no último terço do terreno. «Quero desenvolver a minha capacidade de passe no terço ofensivo. Por isso, treino-o especificamente com a equipa técnica», revela.
Após cada jogo, recebo uma mensagem do meu pai sobre o que fiz bem e o que poderia ter feito melhor