«Boas-vindas» à Liga também foram em grego (crónica)
A Liga começou, oficialmente, a rolar no Estádio António Coimbra da Mota, quando eram 20h15 de ontem. Mas, antes, Pizzi voltou à casa onde, há três meses, se despediu do futebol para entregar a bola ao árbitro, Ricardo Quaresma havia estado a mostrar a taça de campeão aos adeptos e, enquanto isso, Jorge Jesus ia-se acomodando na bancada da Amoreira — não para ver não aqueles (antigos) craques, com os quais já não pode contar para a Seleção, mas os que, porventura, poderiam vir a seguir.
O português (no ativo) que esteve em evidência na etapa inicial foi André Lacximicant. O extremo desequilibrou pela ala esquerda e foi dele a primeira grande oportunidade do jogo: foi por aquele lado que entrou na área e rematou, mas Carevic fez uma bela defesa. O atacante voltou a estar em destaque aos 22’, quando disparou em boa posição, para mais uma intervenção do guardião famalicense.
Os estorilistas entraram muito melhor, galvanizados pelas bancadas. A equipa de Vasco Matos, que não pôde estar no banco devido a um castigo ainda dos tempos de Santa Clara, foi a mais ofensiva, mas não conseguia materializar essa superioridade — percebida com dois bons remates de João Carvalho (12’ e 20’) — em golos.
Nisto, foram os visitantes a abrir o marcador do novo campeonato, concretamente o estreante nesta andanças, Georgios Koutsias (32’). Num lance desenhado entre o trio da frente, Sorriso, já dentro de área, pela esquerda, cruzou para Gil Dias, que serviu o reforço dos minhotos. Mesmo à boca da baliza, o grego, de 22 anos, rematou para dar as «boas-vindas» (só que na língua dele, naturalmente) à competição.
Os da casa entraram melhor, sim, mas não conseguiram faturar e foi o Famalicão a fazê-lo. O tento espevitou os comandados de Carlos Carvalhal, que passaram a dominar no seu meio campo ofensivo. Na etapa complementar, os azuis e brancos do Minho tentaram manter a toada que alcançaram no final dos primeiros 45 minutos. No entanto, relaxaram demasiado e os estorilistas empataram, aos 72’, por Yanis Begraoui. O ponta de lança marroquino finalizou (como melhor sabe fazer) uma boa jogada coletiva dos canarinhos. O passe foi de Pedro Amaral, pela direita, e o goleador só teve de aplicar o seu melhor darija (árabe marroquino) para gritar «golo».
A partir daí, os da Linha passaram a estar por cima, somando algumas oportunidades para poder virar o resultado, embora sem sucesso. No final, um ponto ficou no Sul e outro seguiu para Norte — que é para ninguém se chatear neste arranque da Liga.
O terceiro melhor marcador do campeonato passado (com 20 golos, só atrás dos 22 de Pavlidis e 28 de Luis Suárez) já começa a carburar. Em frente à baliza, o marroquino, de 25 anos, é letal. Contudo, não é apenas a em frente à baliza que se lhe reconhece qualidade: muito trabalhador em todos os momentos do jogo. No esquema de Ian Cathro resultou. Com Vasco Matos não será diferente.
As notas dos jogadores do Estoril: Joel Robles (4); Ricard Sánchez (4), Ferro (5), Sierra (5) e Medrano (5); Xeka (5) e Tsoungui (5); Guitane (6), João Carvalho (6) e Lacximicant (6); Begraoui (6); Pedro Carvalho (6), Fabrício (5), Jandro Orellana (-), Tiago Brito (-)
O homem que inscreveu o nome na lista do primeiro goleador do campeonato português. Ainda assim, esta escolha não se resume ao minuto 32, nem a esse feito que, certamente, o grego não mais irá esquecer. Oriundo do Lugano (Suíça), o reforço mostrou o que pode acrescentar a este Famalicão. É um avançado móvel, que tanto vai à direita como à esquerda e, na hora decisão, lá está ele para faturar.
As notas dos jogadores do Famalicão: Carevic (5); Rodrigo Pinheiro (5), Léo Realpe (5), Finn van Breemen (5) e Pedro Bondo (5); Van de Looi (5) e Mathias de Amorim (5); Gil Dias (5), Pedro Santos (5) e Sorriso (5); Georgios Koutsias (6); Tamás Szucs (5), Roméo Beney (4), Óscar Aranda (5), Umar Abubakar (4)
Vasco Matos, treinador do Estoril
Entrámos muito bem, mas faltou acerto. Na segunda parte encostámos o Famalicão e podíamos ter chegado à vitória. Houve grande atitude e compromisso, estivemos sempre equilibrados, mas temos muito para melhorar e crescer.
Carlos Carvalhal, treinador do Famalicão
Na primeira parte, demorámos a assentar. Na segunda, a equipa foi-se retraindo. Tínhamos o jogo sob controlo, mas não conseguimos ser afirmativos, para ir para a baliza. É o ponto de partida, mas jogamos mais do que isto.