Pavlidis, goleador grego de 27 anos do Benfica - Foto: Miguel Nunes
Pavlidis, goleador grego de 27 anos do Benfica - Foto: Miguel Nunes

O que fazer aos humores de Suárez e Pavlidis

Fenerbahçe pôs os goleadores de Sporting e Benfica a andar à roda. Leões e águias deram a resposta em momentos distintos. Nos leões, o padrão é conhecido, nas águias é esperar para ver

A história repete-se a cada verão: os jogadores treinam-se de manhã e à tarde estão ao telefone para perceber se há novidades sobre o futuro. É a dinâmica do mercado a funcionar e entre os clubes de natureza vendedora (como os três grandes portugueses, mas a que se deve acrescentar SC Braga e Famalicão) só os que conseguem ter maior capacidade de antecipação têm mais sucesso na gestão financeira e de expectativas. Antecipar não significa adivinhar o futuro, antes perceber as tendências e, acima de tudo, compreender o que se tem dentro de portas para agir em conformidade.

Vejamos dois casos que têm o mesmo interessado como denominador comum: o candidato derrotado às eleições do Fenerbahçe prometeu contratar Luis Suárez, a quem lhe pagava um salário elevadíssimo e que terá feito o colombiano ficar de cabeça à roda; já o presidente em funções quer adquirir o passe de Pavlidis e é capaz de pagar ao Benfica valores pouco comuns para um jogador que fará 28 anos em novembro.

Para ambos os casos, as respostas foram semelhantes de ambos os presidentes, embora em timings diferentes. Frederico Varandas fechou a porta em junho e Rui Costa fê-lo em agosto.

Pelo que se vai percebendo, custou mais ao avançado do Sporting ver fugir muitos milhões do bolso, mesmo que este seja só o seu segundo ano no campeonato português. O alegado mal-estar do internacional pela Colômbia no dia a dia dos leões pode ser um sintoma de uma não-saída mal digerida e que desafia o executivo de Varandas, o qual tem dado provas de ser firme (recorde-se o caso de Gyokeres) e simultaneamente preventivo (Suárez estava garantido muito antes de o sueco sair para o Arsenal). Tudo o que venha a sair deste roteiro - leia-se, qualquer mexida de última hora na estrutura do ataque - soará a muito estranho, tão estranho quanto os maus azeites do ponta de lança dos cafeteros.

Já no Benfica é mais difícil antever se a determinação pela continuidade do internacional grego é mesmo para levar até ao fim, aconteça o que acontecer. Não tanto por uma alegada pressão de Pavlidis nesse sentido (mais ou menos vocal), mas porque na Luz o padrão é diferente - mais oscilante e reativo.

Para quem não quer vender, a presença prematura nas provas da UEFA é duplamente negativa - porque coloca os jogadores na montra. Num e noutro casos, têm a palavra os presidentes para gerir os humores dos seus principais goleadores.

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