Luís Campos revela que observou Pedri: «Éramos seis olheiros a vê-lo»
Luís Campos, diretor desportivo do PSG, recordou numa entrevista ao Téléfoot os tempos em que observou Pedri, médio do Barcelona, e explicou a evolução do trabalho de um olheiro no futebol moderno. O dirigente português, considerado uma das figuras-chave na construção da equipa parisiense que conquistou o triplete, a par de nomes como o treinador Luis Enrique ou de jogadores como Vitinha e Dembélé, partilhou uma memória de quando viu Pedri jogar pela primeira vez, antes da sua transferência para o Barcelona.
«Há uns anos, fui ver o Pedri jogar. Era a segunda vez que o via. Já o seguia quando jogava no Las Palmas. Era um jogo da seleção espanhola de sub-17. Éramos seis olheiros na bancada a vê-lo», começou por contar Luís Campos, destacando a camaradagem que existia na altura. «Depois dos jogos, costumávamos sair para jantar juntos, conversar e partilhar as nossas ideias e impressões. Hoje em dia, isso é impossível. Se fores a um Mundial de Sub-17, já não há cinco olheiros, mas sim mil! Enchem uma bancada inteira sozinhos».
Para Luís Campos, este exemplo «demonstra a importância que o olheiro adquiriu no mundo do futebol». O português sublinhou que a prospeção de talento que conheceu «era diferente da de hoje», apontando as dificuldades do passado. «Não tínhamos vídeo nem todas as ferramentas. Agora acontecem coisas extraordinárias. Tínhamos de confiar no nosso instinto, na nossa experiência. Tínhamos de decifrar e compreender a personalidade do jogador».
O diretor desportivo do PSG revelou ainda alguns dos pontos-chave para a observação de jogadores, afirmando que «o aquecimento dá indícios importantes sobre o seu caráter, a sua concentração e a sua aplicação». Além disso, acrescentou que observar um jogador durante uma partida permite recolher muita informação, como «a sua linguagem corporal, como se move em campo e como joga com os outros».
Sobre a complexidade do seu trabalho, Luís Campos detalhou: «O mais difícil na observação é conseguir projetar o que vemos em campo. Temos de nos perguntar se um jogador que observamos numa situação específica se adaptará ao nosso contexto e isto requer não só experiência, mas também sensibilidade».
Para ilustrar a diferença entre identificar talento e encontrar o jogador certo para uma equipa, o dirigente português concluiu com um exemplo pessoal. «Quando vou a um jogo com os meus irmãos, às vezes pergunto-lhes quem acham que é o melhor jogador em campo. Eles apontam-no e costumam acertar muitas vezes. Mas perceber quem é o melhor jogador em campo para a minha equipa não é a mesma coisa. É preciso conhecer muito bem a tua equipa e o teu clube».
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