Pedro Araújo, treinador do Alta de Lisboa, fala do avançado que marcou na estreia pela equipa principal do Benfica, e também de Stevan Manuel, outra promessa encarnada que começou no Alta de Lisboa

O futuro do ataque do Benfica começa agora

Anísio entra nos planos até final da época e sobretudo para as próximas. Renovação de contrato bem encaminhada

O Benfica entrou no mercado de janeiro com a intenção de contratar um ponta de lança com características diferentes de Vangelis Pavlidis e Franjo Ivanovic, mas acabou por não chegar qualquer reforço específico para essa posição.

A mudança de planos ficou a dever-se às habituais dificuldades em garantir boas transferências em janeiro, numa fase em que os plantéis já estão fechados e é complicado recrutar e oferecer o contexto ideal aos melhores jogadores. Os encarnados estiveram muito interessados em Lorenzo Lucca, do Nápoles, mas o internacional italiano acabou por escolher os ingleses do Nottingham Forest. Paralelamente, a boa resposta dada por Anísio Cabral reforçou internamente a convicção de que o jovem pode crescer dentro do plantel principal.

O ponta de lança de 17 anos, formado no Seixal e campeão do Mundo de sub-17 no final do ano passado, ainda não tem experiência consolidada de primeira liga, mas correspondeu quando foi chamado. Na estrutura do futebol profissional do Benfica, e em particular para José Mourinho, Anísio é visto como uma aposta clara, com condições para se afirmar como um valor seguro a médio prazo.

Apesar da contratação de Rafa Silva ao Besiktas, o português de 32 anos é, sobretudo, um segundo avançado e dificilmente será a referência ofensiva ou concorrente direto de Pavlidis, que continua a partir em vantagem para a titularidade. Neste cenário, Anísio reúne boa parte das qualidades que Mourinho definiu para a posição: presença na área, capacidade física, bom jogo de cabeça e instinto finalizador.

Ainda em fase de formação, o jovem dificilmente terá uma utilização muito intensa até ao fim da época, mas o contexto competitivo aponta para mais minutos e para a consolidação como opção válida na próxima temporada. Anísio já participou em dois jogos pela equipa principal e deixou boas sensações: frente ao Estrela da Amadora (4-0), estreou-se como suplente utilizado e marcou um golo em apenas sete minutos; no empate sem golos diante do Tondela voltou a sair do banco, esteve mais sete minutos em campo, não marcou, mas criou perigo, lutou, rematou e só o guarda-redes adversário travou o seu ímpeto numa fase em que a equipa acusava alguma ansiedade.

Com contrato até 2027, Anísio Cabral já está no radar da SAD, que trabalha para prolongar o vínculo. Depois do Mundial de sub-17 e das primeiras chamadas ao plantel principal, o nome do jovem ganhou espaço nas listas de observação de alguns dos principais clubes europeus. Ontem, o ponta de lança voltou a ser utilizado na Youth League, ajudando à qualificação das águias (ver página 9), e poderá novamente entrar nas contas de Mourinho para a convocatória do jogo de domingo, diante do Alverca, na Luz, 21.ª jornada da Liga.

Pelo menos mais dois para segurar
Anísio Cabral não é o único jovem talento da formação do Benfica a conquistar a confiança de José Mourinho. Além do médio campeão do Mundo sub-17, também Daniel Banjaqui e José Neto, laterais direito e esquerdo de apenas 17 anos, e igualmente campeões por Portugal, têm merecido destaque. Ambos já foram utilizados na equipa principal e a SAD encarnada trabalha na renovação dos contratos, apostando neles não só até ao final da época, mas sobretudo para o futuro. José Mourinho acompanha de perto os treinos e os jogos dos escalões de formação do Benfica, e tem identificado vários jogadores com potencial para integrar o plantel principal.Além dos jovens que já foram convocados para jogos oficiais, destacam-se ainda os médios-ofensivos Gonçalo Moreira — ontem em evidência na Youth League (ver pag.9) — e o italiano Federico Coletta, contratado no verão à Roma. Ambos causam boas sensações e entram nos planos para o futuro do Benfica.

A ascensão de Anísio Cabral dependerá, naturalmente, da capacidade de adaptação a uma realidade mais exigente e às ideias de José Mourinho, mas o plano passa por trabalhá-lo para ser opção cada vez mais regular. A intenção é que possa oferecer concorrência a Pavlidis ou a outro avançado mais credenciado a contratar no verão. Para já, esta época, o jovem soma minutos nos juniores, nos sub-23 e na equipa principal, concentrando nele boa parte das esperanças do clube para o futuro da posição de ponta de lança.