Fernando Tavares, vice-presidente do Benfica com o pelouro das modalidades
Fernando Tavares, vice-presidente do Benfica com o pelouro das modalidades

Fernando Tavares critica Benfica e dérbi: «Temo que o futebol feminino entre num ciclo vicioso»

Antigo vice-presidente das modalidades das águias não gostou do empate a uma bola entre o Sporting e os encarnados em Alvalade e fez um aviso

O dérbi feminino entre o Sporting e o Benfica no Estádio José Alvalade, este domingo, terminou empatado a uma bola e causou também muita polémica, mas Fernando Tavares, antigo vice-presidente das modalidades dos encarnados, foi mais longe e criticou toda a envolvente no jogo, não só em campo, atacando o seu ex-clube e fazendo vários avisos.

«Ontem realizou-se o dérbi lisboeta no [futebol] feminino. O jogo que devia ser um dos pontos altos da Liga BPI, traduziu-se num espetáculo curto. Treinadores a demonstrarem pouca ambição, algumas das principais protagonistas fora do 11 das duas equipas, pouco público, pouca promoção do jogo, poucas ativações de RP, arbitragem fraca e entrevistas antes e pós jogo com as mesmas questões e as mesmas respostas», começou por escrever, no LinkedIn, pedindo forte investimento.

«Os agentes do futebol feminino têm que fazer uma reflexão profunda sobre o jogo e aquilo que o rodeia. Ao Estado cabe o papel de investir no crescimento da modalidade. Isto se verdadeiramente acreditar que o futebol feminino é um fator de sustentabilidade desportiva e social. Veja-se o caso de Espanha. Necessário ter estratégia, inovar e investir», afirmou, passando para o problema no Benfica.

«Ao Benfica caberia reforçar o seu papel de motor de crescimento do jogo. Mas para isso é necessário investimento, gestão de risco e coragem para assumir que para já a sua principal competição devia ser a Liga dos Campeões. Temo que o futebol feminino entre num ciclo vicioso onde será mais difícil reforçar o seu espaço de afirmação. Ganharão os protagonistas dos tetos salariais e aqueles que consideram que o futebol é só para homens ou que o feminino é apenas algo simpático para ter e não uma obrigação desportiva e social», atirou, deixando uma nota final.

«Investir não significa necessariamente ausência de gestão orçamental. Investir significa igualmente pensar no retorno e na receita. Retorno não apenas numa perspetiva económica. O futebol feminino precisa de colégio e de liderança», finalizou.