Portugal com pouca magia só pôde dizer ‘madre mía’ (crónica)
Todos os sonhos chegam ao fim e foi o que aconteceu a Portugal em Liubliana, capital da Eslovénia, onde oito anos depois de conquistar o primeiro Europeu da história, não conseguiu somar o terceiro consecutivo: perdeu por 3-5 contra uma Espanha que nunca esteve em desvantagem e somou o oitavo Campeonato da Europa do seu historial.
Os minutos iniciais deram o mote para uma constante da partida: Portugal foi muito errático e jogou uma ansiedade palpável ao longo dos 40 minutos, muito por causa dos dois golos que sofreu nos três minutos iniciais. Toni Pérez, que seria o herói da partida, ganhou espaço para bater (2’) Bernardo Paçó pela primeira vez, antes de Portugal falhar em zona proibida, permitindo que Cecilio assistisse (3’) José Raya para o 2-0 espanhol.
No entanto, o sonho do tricampeonato europeu estava vivo e Portugal teve uma resposta fantástica. Afonso Jesus reduziu (5’) a desvantagem após passe de Diogo Santos, numa jogada de insistência; e Rúben Góis brilhou (7’) com o golo do empate: recebeu de Tiago Brito, rodou sobre o adversário e fuzilou com o pé esquerdo.
Erros a mais...
Bernardo Paçó foi mais incomodado ao longo do jogo do que Didac Plana, porque o empate não trouxe confiança a Portugal, mas sim cautela, o que retirou algum poder de fogo na frente. Após um remate tímido de Kutchy (14’), as faltas de Portugal amontoaram-se, até a sexta chegar no último minuto da 1.ª parte.
Uma mão involuntária de Erick na cara de Pablo Ramírez levou a Espanha à marca do livre direto sem barreira, que Edu Sousa quase defendeu: ainda tocou na bola rematada por Toni Pérez, mas tal como todos os portugueses viram aquela bola a entrar devagarinho na baliza, a equipa das quinas também via o sonho esfumar-se aos poucos.
Poste também brilhou
A Espanha voltou a entrar melhor na 2.ª parte e enviou uma bola ao poste aos 22’ e outra aos 25’ – até parecia que a estrelinha estava com Portugal, que jogou sempre com alguma tensão, mas ainda teve a qualidade para chegar, com mérito, ao empate: recuperação de Pany Varela, que assistiu (30’) a finalização colocada e recheada de qualidade de Pauleta.
No entanto, Bernardo Paçó era o português que mais se destacava, assim como o poste, que impediu (35’) um golo de Cecilio, antes de Toni Pérez aproveitar a passividade e espaços concedidos por Portugal para assinar o hat trick, à vontade, à entrada da área.
A seguir a Rivillos acertar também no poste (37’) com um remate fortíssimo, Jorge Braz colocou Tomás Paçó no lugar do irmão gémeo, mas Portugal mal criou oportunidades no 5x4, sofrendo sim o golo decisivo, da autoria de Adolfo, a cinco segundos do fim e que confirmou o jogo menos conseguido de Portugal.
Após 10 anos, a Espanha volta a subir ao pico do futebol europeu. Portugal alcançou o topo da montanha, mas, como aludiu Jorge Braz antes desta partida, faltou-lhe colocar a bandeira no cume.
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