Aos 22 anos, Eileen Gu ocupa o quarto lugar no ranking das atletas mais bem pagas. IMAGO
Aos 22 anos, Eileen Gu ocupa o quarto lugar no ranking das atletas mais bem pagas. IMAGO

Eileen Gu, a estrela mais brilhante dos chineses que ganha milhões longe da neve (fotos)

Toca piano, fala mandarim e aos 18 anos decidiu representar a China, país da mãe. Conquistou dois ouros e um bronze em Pequim2022, tornando-se a campeã olímpica mais jovem da história dos Jogos de Inverno. Em Milão2026, já subiu ao pódio e é uma estrela global que ganha milhões fora das pistas

Eileen Gu, 22 anos, quádrupla medalhada nos Jogos Olímpicos de Inverno, é uma das maiores estrelas de Milão-Cortina. Embora ainda seja estudante, a esquiadora que compete pela China capitalizou a sua imagem e está no topo das atletas com os maiores rendimentos em 2025.

Em 2022, nos Jogos Olímpicos de Pequim, Eileen Gu, que compete em esqui estilo livre, conquistou três medalhas, duas de ouro e, quatro anos depois, a atleta nascida em São Francisco regressou à melhor competição, em slopestyle, big air e halfpipe.

Gu já conquistou uma medalha de prata em Milão-Cortina, no slopestyle, e confirmou parte das enormes expectativas, mas a esquiadora é também um exemplo de como se pode construir uma marca pessoal desde muito jovem, garantindo rendimentos avultados.

Da Califórnia para o Mundo
Eileen Gu divide-se entre capas de revistas como a Vogue e ganhar medalhas. Nos primeiros Jogos Olímpicos, em Pequim, com apenas 18 anos subiu três vezes ao pódio para orgulho dos chineses, rendidos à sua nova estrela internacional. Nascida e criada em São Francisco, na Califórnia, a jovem esquiadora de 22 anos decidiu mudar de nacionalidade para representar a China - país de origem de sua mãe. É fluente em inglês, a sua língua nativa, mandarim e ainda toca piano. Além disso, é modelo da IMG Models - participou de desfiles e apareceu nas capas das edições chinesas da InStyle, Marie Claire e Vogue - e embaixadora de marcas de luxo como Louis Vitton e Tiffany & Co.

Gu começou a esquiar aos 3 anos, com a mãe a investir muitos recursos na paixão da filha. Ao mesmo tempo, desde a adolescência, começou a colaborar com várias marcas e a ganhar dinheiro para pagar a sua educação.

«É importante mostrar aos jovens que não precisam de esperar até serem mais velhos. Podem fazê-lo agora», disse a chinesa, segundo a Fortune, defendendo que a idade não é uma limitação e que é sempre melhor começar um novo trabalho mais cedo do que mais tarde.

Depois, tal como a mãe, Gu estudou em Stanford, interessando-se por física quântica, uma área útil para a sua carreira desportiva, e, atualmente, estuda relações internacionais.

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«Sou uma estudante muito eclética. Posso ter uma conversa com um físico e defender o meu ponto de vista e posso desfilar num espetáculo no dia seguinte. Acho que é bastante revolucionário, especialmente para uma pessoa jovem. Porque toda esta questão da polivalência acontece geralmente noutras fases da vida», explicou Gu.

19, 370 milhões de euros
Eileen Gu ganhou em 2025 mais de 23 milhões de dólares, ficando em 4.º lugar no top das atletas mais bem pagas, depois das tenistas Coco Gauff, Aryna Sabalenka e Iga Swiatek

Apesar do sucesso desportivo, a esquiadora continua em paralelo a sua carreira de modelo e assinou vários acordos com a Red Bull, Porsche e TC, além de desfiles vários para a Louis Vuitton. Isso significa que Gu está frequentemente em aviões, entre locais onde tem obrigações profissionais, como modelo e como atleta. O que, às vezes, é cansativo. Mas vale milhões. No ano passado amealhou mais de 23 milhões de dólares, cerca de 19 milhões de euros, e apenas um por cento deste valor vem da carreira desportiva.

Um exemplo extremo de duas semanas agitadas na vida da estrela do esqui acrobático aconteceu em 2023. Naquela altura, Gu teve em 14 dias um evento na Universidade de Stanford, dois desfiles de moda em Barcelona e em Itália, uma festa surpresa nos Estados Unidos, um baile em Paris, um evento numa escola de raparigas na Califórnia, após o qual se seguiram os exames finais da faculdade!

O cansaço afetou a saúde mental de Gu, que passou por períodos em que não tinha vontade de fazer nada, conforme confessou. «Queria sempre ir embora, independentemente da situação. Queria ir para casa quando estava na cidade ou ir dormir quando estava acordada. Nunca senti que estava no lugar certo», reconheceu a bicampeã olímpica.

Tive um impacto positivo sem prejudicar ninguém. Digo isto sinceramente, sem qualquer sarcasmo: usem o tempo e a criatividade necessários para criar estes insultos para pensar nos vossos talentos e em como os podem usar para tornar o mundo melhor

Apesar desta exposição, Gu acredita que o seu sucesso individual tem de ser partilhado. «Após alguma reflexão, percebi que o que é verdadeiramente gratificante e significativo, para além do sucesso pessoal, é de facto o sucesso coletivo – partilhar com os outros o que se tem a sorte de ter e usar a sua voz e plataforma para algo positivo», explicou Gu.

Com a comunidade em mente, Eileen Gu tomou a complicada decisão de representar a China. Desejava inspirar pessoas na China, especialmente raparigas, a praticar este desporto. A sua escolha foi frequentemente criticada, mas Gu tentou não dar muita atenção aos críticos. «Existem fatores geopolíticos em jogo, e as pessoas odeiam a China em geral. Portanto, é bastante difícil quando sou associada a este monólito maléfico que as pessoas querem detestar. Nunca se trata de mim e do que faço», sublinhou ela.

«Tive um impacto positivo sem prejudicar ninguém. Digo isto sinceramente, sem qualquer sarcasmo: usem o tempo e a criatividade necessários para criar estes insultos para pensar nos vossos talentos e em como os podem usar para tornar o mundo melhor», continuou Gu.

Atualmente, tem mais de dois milhões de seguidores no Instagram e centenas de milhares de visualizações no TikTok.