Susen Tiedtke conheceu o marido nos Jogos. IMAGO
Susen Tiedtke conheceu o marido nos Jogos. IMAGO

«Orgia no jacuzzi»: os bastidores da Aldeia Olímpica na primeira pessoa

São muitas as histórias que atletas e antigos competidores contam sobre a vida paralela durante os Jogos Olímpicos. A ESPN recolheu vários testemunhos que mostram o lado colorido e descontraído da vida antes, durante e depois das provas

Vários atletas olímpicos, do passado e do presente, levantaram o véu sobre a intensa vida sexual na Aldeia Olímpica, partilhando histórias que vão desde encontros casuais a uma «orgia no jacuzzi» durante os Jogos de Inverno de Vancouver, em 2010.

A Aldeia Olímpica é conhecida por ser um local onde os melhores atletas do mundo não só competem, mas também convivem intensamente. Nos Jogos de Inverno de 2026, em Itália, estão cerca de 3000 atletas de 90 nações, e, claro, voltam a surgir relatos sobre o que acontece longe dos palcos da competição.

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Um dos testemunhos mais chocantes foi partilhado por um esquiador que, em declarações à ESPN, descreveu um episódio ocorrido nos Jogos de Vancouver. Segundo o atleta, seis desportistas — «alguns alemães, canadianos e australianos» — participaram no que começou como uma festa noturna num jacuzzi e evoluiu para uma «orgia no jacuzzi».

A antiga saltadora em comprimento alemã, Susen Tiedtke, que participou em duas edições dos Jogos Olímpicos, explicou ao jornal BILD o porquê de tanta atividade sexual. «Os atletas estão no seu auge físico nos Jogos Olímpicos. Quando a competição termina, querem libertar a sua energia», afirmou. Tiedtke acrescentou que «há uma festa atrás da outra, e depois entra o álcool em jogo. Acontece teres sexo e há pessoas suficientes que também procuram isso», revelou ao Sportbible.

A atleta considera a regra de abstinência sexual «uma grande anedota», afirmando que «não funciona de todo». Tiedtke revelou ainda que «às vezes mal se conseguia dormir» devido ao barulho vindo de outros quartos, e que era comum os colegas de quarto saírem para permitir privacidade.

Apesar de o Comité Olímpico Internacional não incentivar estas práticas, chegando a instalar camas de cartão para as dificultar, a distribuição de preservativos é uma realidade desde os Jogos de Seul, em 1988, como medida de prevenção.

Nem todos os atletas, contudo, se deixam levar. Hope Solo, antiga guarda-redes da seleção de futebol dos EUA, que esteve nos Jogos de 2008 e 2012, descreveu a Aldeia Olímpica como uma «enorme distração» para quem não tem «disciplina». No entanto, muitos outros parecem não partilhar desta preocupação.

Breaux Greer, lançador do dardo norte-americano nos Jogos de Sydney em 2000, admitiu que, apesar de não ter conquistado medalhas, se envolveu com três atletas diferentes por dia. Por sua vez, a esquiadora alpina Carrie Sheinberg, que competiu em 1994, descreveu a Aldeia Olímpica como um «lugar mágico, de conto de fadas, onde tudo é possível».

«Podes ganhar uma medalha de ouro e podes dormir com um tipo muito giro», disse Sheinberg à ESPN. «Talvez por sentirem que nunca mais se vão ver. Também se trata de encontrar algo novo. Os atletas olímpicos são aventureiros. Procuram um desafio, como ter sexo com alguém que não fala a sua língua».

A própria Susen Tiedtke, que tinha um pai e treinador rigoroso em relação a namoros, conheceu o seu ex-marido, Joe Greene, nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, tendo casado no ano seguinte.

O antigo atirador olímpico norte-americano, Josh Lakatos, recordou a sua experiência na Aldeia Olímpica, descrevendo-a como um local de «devassidão» onde as relações sexuais são comuns. A concentração de atletas de elite a cada quatro anos, aliada aos elevados níveis de testosterona, resulta frequentemente em encontros íntimos durante os tempos livres.

Num extenso artigo da ESPN sobre o tema, Lakatos, medalha de prata nos Jogos de 1996, partilhou abertamente as suas memórias dos Jogos de Sydney, em 2000. Consciente da animação que se seguia ao fim das competições, o atleta decidiu permanecer na aldeia mesmo depois de ter recebido ordens para devolver as chaves do seu alojamento e regressar a casa.

Lakatos elaborou um plano para ficar, contando com a cumplicidade de uma empregada que ignorou a sua presença. O atirador ocupou a suíte do primeiro andar de uma propriedade de três pisos, deixando o resto da casa disponível. A notícia espalhou-se rapidamente e a residência, que ficou conhecida como «Shooters' House» (Casa dos Atiradores), tornou-se um ponto de encontro para vários atletas, incluindo estrelas do atletismo dos EUA e atletas femininas de uma equipa de estafetas escandinava.

O ex-atleta, agora com 52 anos, descreveu uma cena marcante: «Na manhã seguinte, juro por Deus, toda a equipa feminina de estafetas 4x100 de um país com ar escandinavo sai da casa, seguida pelos rapazes do nosso lado. E eu só pensava: 'Meu Deus, tínhamos visto estas raparigas a correr na noite anterior'».

Durante oito dias, a casa foi palco de festas onde os atletas aproveitaram os preservativos gratuitos distribuídos pela clínica local. Lakatos confessou sentir que estava «a gerir um raio de um bordel na Aldeia Olímpica» e afirmou que «nunca tinha testemunhado tanta devassidão» em toda a sua vida.

Recorde-se que a distribuição de preservativos aos atletas na Aldeia Olímpica é uma prática desde 1988, como medida de proteção e segurança, apesar de as camas serem feitas de cartão, o que teoricamente dificultaria a prática sexual. Nos Jogos de Paris, por exemplo, foram distribuídos 300 mil preservativos por 10.500 atletas, sem que houvesse «restrições à atividade sexual».

No mesmo artigo da ESPN, uma antiga guarda-redes norte-americana corroborou a existência de um ambiente liberal, afirmando ter visto pessoas a ter relações sexuais «à vista de todos», incluindo «na relva» e «entre edifícios».