Mourinho já acertou. E agora?
O empate no clássico de segunda-feira no dia seguinte ao muito suado triunfo frente ao Alverca reabriu o apetite do Benfica pelo título. Sete pontos para o primeiro lugar continuam a ser distância considerável, que nunca foi recuperada em Portugal com 13 jornadas por disputar, mas o cenário na Luz é francamente mais animador do que há um par de semanas, sobretudo tendo em conta que o FC Porto visita a Luz no início de março.
Não é que o Benfica esteja a deslumbrar, muito longe disso, mas, pelo menos, José Mourinho encontrou, ao fim de muito tempo, o onze base que melhor tem funcionado desde que assumiu o lugar de Bruno Lage, em setembro passado. É certo que o encaixe de Aursnes, Barreiro, Prestianni, Sudakov e Schjelderup atrás de Pavlidis foi forçado por várias ausências no plantel, desde logo Barrenechea, Ríos e Lukebakio, mas a equipa parece ter, finalmente, encontrado alguma harmonia em campo. Resta saber o que irá na mente de Mourinho, agora que o período crítico de lesões parecia ter ficado para trás, exceção feita a Bah, cuja disponibilidade a curto prazo é ponto de interrogação.
As melhorias no coletivo depois de um arranque de 2026 paupérrimo em resultados e exibições foram notórias e em grande parte justificadas pela revolução a meio-campo: Barrenechea e Ríos foram apostas altas do Benfica que, até agora, não corresponderam ao que deles se esperava e a dupla Aursnes-Barreiro tem funcionado largamente melhor do que a sul-americana. Não só pelo trabalho de para-brisas à frente dos centrais, mas porque isso permite à equipa encaixar Sudakov na sua melhor posição e soltar a criatividade de Prestianni e Schjelderup, que, com o tempo de jogo merecido, têm justificado a aposta de Mourinho.
Ríos é o segundo mais caro de sempre e Lukebakio barato não foi, mas, nesta altura, não mexer no que está a funcionar seria o mais aconselhável. A lesão de Aursnes, quando o norueguês tinha recuperado o rendimento da primeira época, volta, contudo, a baralhar as contas ao treinador. Sem falar de Rafa, que certamente não terá vindo para passar muito tempo sentado no banco.
P. S. — Já muito se escreveu sobre as bafientas tradições que o clássico no Dragão trouxe de volta, mas importa perguntar: ainda alguém se surpreende? As paredes do balneário estavam decoradas por motivos turísticos, a televisão com imagens para pressionar Fábio Veríssimo no intervalo foi um erro de interpretação e, no FC Porto-Arouca de 2023, o VAR esteve desligado durante 13 minutos por culpa da MEO. Há coisas que não mudam e os limites no Dragão continuam a ser algo muito difícil de entender.