De férias em Cancún e telefonema do empresário: Paiva recorda contratação de Paulinho
Atualmente sem clube, Renato Paiva recordou, em entrevista ao jornal AS, a sua passagem pelo Toluca. O técnico elogiou o trabalho desenvolvido no México e a herança deixada ao seu sucessor, Antonio Mohamed, que levou a equipa a conquistar dois campeonatos consecutivos.
O técnico luso destacou a evolução do clube sob o seu comando, que encontrou fora dos lugares de acesso ao play-off. «Quando chegámos, encontrámos o clube no 13.º lugar, fora dos play-offs, e em dois torneios conseguimos colocá-lo em terceiro e em segundo lugar», afirmou. O ex-Benfica sublinhou ainda o esforço para equilibrar o plantel: «Ao mesmo tempo, encontrámos uma forma de gerir um plantel mais equilibrado, melhor, contratando muito bem, trazendo qualidade para o clube e tornando o plantel melhor do que aquele que encontrámos», explicou.
O técnico considera que o seu trabalho foi fundamental para os sucessos posteriores. «Depois, Mohamed fez algumas contratações pontuais para o que realmente faltava. Por isso, creio que ficou uma base de trabalho muito boa. Faltou-nos, obviamente, o título, e isso Mohamed conseguiu com todo o mérito, com toda a responsabilidade e qualidade que tem», acrescentou.
Renato Paiva partilhou também a curiosa história por detrás da contratação de Paulinho para o futebol mexicano, revelando que a iniciativa partiu do empresário do jogador. «É uma história muito bonita, muito curiosa. Estou um dia em casa e liga-me o empresário do Paulinho a perguntar se eu precisava de um número nove. E nós estávamos com um nove mais ou menos adiantado para contratar», começou por contar. A surpresa foi grande quando o nome foi revelado: «Eu disse-lhe: ‘Bom, Pedro, já temos aqui um jogador quase fechado, mas diz-me quem é’. Por curiosidade. E ele disse-me: ‘É o Paulinho’. E eu: ‘Paulinho? Paulinho?’. E ele: ‘Sim, o Paulinho do Sporting’».
A reação inicial da direção do Toluca não foi, contudo, positiva, devido à idade do avançado e a receios sobre a sua adaptação. «A primeira reação foi que não, que já era um pouco velho, que tinham medo da adaptação de um europeu ao futebol mexicano, que nunca tinha saído da Europa», explicou Paiva. Foi então que, juntamente com o chefe de prospeção do clube, Víctor Palacios, delineou uma estratégia para persuadir os diretores Santiago San Román e Zinha.
A convicção de Paiva foi decisiva: o treinador contactou diretamente o jogador, que estava de férias em Cancún, e assumiu a responsabilidade pela contratação, apesar das exigências financeiras do avançado. «Na última reunião, o Santiago disse-me: ‘Bom, a decisão é nossa, a decisão é tua. Tens 100% de certeza de que é o homem de que precisamos?’. E eu disse-lhe: ‘Não tenho 100, tenho 200% de certeza do jogador que vem’». Além dos títulos que conquistou, foi ainda o melhor marcador das últimas edições do campeonato.
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