Darwin Núñez não vive momentos felizes
Darwin Núñez não vive momentos felizes

Darwin Núñez e o preço da ilusão

O Liverpool comprou o jogador de que não precisava e pagou bem acima do seu valor apenas porque podia, condicionando o futuro da equipa no imediato e o avançado a longo prazo

Há seis anos, o Benfica pagou por Darwin Núñez cerca de 24 milhões. Menos de dois anos depois, o Liverpool criava parangonas com os 75 milhões brutos que deixou na Luz e a possibilidade de o negócio atingir redondos 100 milhões.

Nunca lá chegou, terá ficado pelos €85M. Mesmo com a máquina de valorização encarnada de então, era surpreendente. Talvez bizarro. O uruguaio era bom jogador, mas não um jogador fenomenal. Havia lacunas técnicas que iriam certamente ser expostas no melhor campeonato do planeta. Como é que Klopp teria concordado com isto?

Hoje, Darwin tem um valor de mercado de €20M, depois de não ter sido inscrito pelo Al Hilal e dado, por isso, uma pálida imagem do jogador que, apesar de tudo, já foi no último Mundial. Os sauditas tinham pago 53 milhões, mas com estrangeiros a mais mandaram-no para a solidão das bancadas, de onde, se todos se calarem um bocadinho, ainda se ouve Anfield a pulsar à distância. A Riade, não chegam agora propostas e já se admite o empréstimo. Aos 27 anos, deveria estar no auge da carreira, porém as hipóteses de mostrá-lo são curtas.

O Benfica fez a sua parte, se considerarmos que esta não incuía o fator humano. A partir daí, era com o Liverpool. Escrevi há uns meses como foi o processo da contratação de Darwin. Havia um líder com dinheiro de um título europeu e vontade de gastá-lo, e quando Klopp, sempre muito rigoroso nas entradas, se apercebeu, nada podia fazer. O uruguaio não estava na lista de possíveis reforços dos Reds, apesar das estatísticas interessantes. E havia ainda questões, como o não falar inglês, o ser introspectivo e pouco expansivo, e até com tendência para a depressão e superstição, que complicavam a adaptação.

O alemão tentou. Colocou-o sobre a esquerda para aproveitar as diagonais fortíssimas, promoveu eventos, conversas, dinâmicas de grupo. No entanto, a instabilidade peranta a baliza não desapareceu. Em Anfield, paira ainda a ideia de que se perdeu um título por sua culpa. Ainda que não o tenham deixado sozinho.

Em Inglaterra e nos outros países, todos perceberam que não era jogador de 100 milhões ou talvez até nem de metade. E se a ascensão foi rápida, a queda foi vertiginosa. Darwin não tem culpa pelo que lhe fizeram na Arábia, porém poucos já acreditam nele. E tornar-se-á sempre um aviso de que o contexto errado, sem se pensar na defesa dos jogadores, pode acabar rapidamente com boas carreiras.

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