Sporting: fim prometido ou calculado?
Perante tantas saídas, mesmo que se quisesse, não dá para ignorar o plano que o Sporting está a executar. Frederico Varandas e a sua administração saberão os porquês, mas visto de fora há várias perspetivas a explorar. O Sporting faz isto porque olha para um momento isolado ou crê que é um modelo que faz sentido? Ou seja, pensar que a cada 3 ou 4 anos tem de quebrar por completo um ciclo de balneário.
Quando um jogador cumpre esse período deverá ter atingido o pico de valorização e a conquista de títulos. Retê-lo contra sua vontade torna-se contraproducente. Todos sabemos que é mais fácil pensar do que fazer isto, mas esta revolução do plantel podia estar já prometida a cada individualidade.
Devemos ainda ponderar outras questões: o Sporting fez uma leitura do mercado global? Que perspetiva tem sobre se os jogadores que saíram iriam valorizar? Que investimento está a vir dos principais compradores? A venda de Hjulmand por 40M€ é a maior da liga portuguesa neste verão e nem entra no Top20 de sempre de Portugal; Houve contração em relação à I Liga?
Por fim, há duas variáveis estruturais decisivas: a centralização dos direitos televisivos e a Liga dos Campeões. Comecemos pela Champions. A probabilidade de o Sporting entrar na Liga dos Campeões, e com isso manter receitas da UEFA, aumenta pelo simples facto de Portugal vir a ter três vagas, duas com entrada direta.
Já a transição para um modelo de receitas partilhadas trará inevitavelmente uma reconfiguração nos ganhos individuais dos «grandes», que deixarão de ter o poder negocial exclusivo das suas transmissões caseiras. Ao antecipar receita massiva agora com transferências, a administração leonina cria um fundo de maneio significativo e solidifica o seu balanço. No fundo, fica precavida.
Esta almofada financeira permite ao Sporting reinvestir em scouting, nas infraestruturas (as obras em Alvalade estão aí) para potenciar receita, e manter a competitividade sem depender de um futuro contrato coletivo de TV que ninguém sabe para que valores caminha.
É evidente que a gestão leonina não se livra de outro olhar. Os casos de Mateus Fernandes e de Afonso Moreira deixarão adeptos a coçar a cabeça e rivais a argumentar que, afinal, não são só eles que vendem «a formação» por valores baixos, quando o potencial está todo à mostra.
Concluindo, todas estas saídas podem ser apenas porque o presidente as tinha já prometido a jogadores que lhe deram bons anos de verde e branco. Mas olhando todo o contexto, talvez fosse mesmo uma oportunidade conjuntural a não desperdiçar.