Volta a Portugal: Julius Johansen conquista prólogo e tira pão da boca a Rui Oliveira
Rui Oliveira estava há mais de uma hora na cadeira quente em que senta o líder provisório dos contrarrelógios e de lá não pensaria sair depois de ter pedalado a quase 54 km/h médios nos 6,5 quilómetros planos do percurso do prólogo da Volta a Portugal, na Avenida da Índia em Lisboa.
O português até já tinha sido felicitado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, quando cortou a meta com um tempo que então batia largamente a concorrência e se estabelecia como a referência no curto e intenso exercício individual contra o tempo que abriu a corrida lusa e o campeão olímpico de madison em Paris-2024, cabeça de cartaz da equipa número mundial na prova, queria muito vencer, alcançando a adiada primeira vitória da carreira do campeoníssimo da pista no ciclismo de estrada. Mas em derradeiro instante, a felicidade voltou a escapar-lhe. Houve quem fosse ainda mais rápido.
Consolo, ou talvez não, foi um companheiro de equipa a destroná-lo da liderança, a retirar-lhe a ansiada vitória e ainda a camisola amarela inaugural da Volta a Portugal.
Julius Johansen, dinamarquês da UAE Emirates, completou o trajeto em 7.12 minutos, fazendo-o em menos quatro segundos do que o companheiro de equipa, impondo a lei do mais forte. Especialista contra o relógio, o natural de Blovstrod venceu quatro de cinco cronos que fez esta temporada, perdendo apenas o dos Nacionais da Dinamarca, e não poderia ter regressado melhor à Volta, na segunda participação após a estreia em 2024, quando perdeu o prólogo em Águeda, por décimos de segundo, para Rafael Reis, e o contrarrelógio final em Viseu, por três segundos, para o futuro vencedor da corrida portuguesa, o russo Artem Nych. Eram todos companheiros de equipa na Sabgal-Anicolor.
Rui Oliveira saltou da cadeira quente, voltou a adiar a primeira vitória em profissionalismo, mas diz que não desistirá de tentar conquistá-la nesta edição da corrida, e já na etapa 1, esta quinta-feira, entre Lourinhã e Queluz, ainda que reconheça que competirá com sprinters mais vocacionados para as chegadas em pelotão compacto como se prevê que seja disputado o triunfo, ainda que ligeiramente seletivo na aproximação à meta.
De resto, essa foi também a pretensão desde logo assumida por Julius Johansen, de ceder a camisola amarela ao colega português. Para o conseguir, Oliveira tem de vencer a etapa e o nórdico não ser segundo classificado, o que será menos provável.
O dia de competição na capital foi assim dominado pela formação estrela da prova, a UAE Emirates, que ainda colocou o italiano Luca Giaimi na quarta posição, na quarta posição, atrás de Rafael Reis, que não pôde alcançar a oitava vitória em prólogos na Volta a Portugal. O corredor da Anicolor demorou mais sete segundos do que Johansen e teve de satisfazer-se com um inusual terceiro lugar.
Entre candidatos à vitória na classificação geral, Artem Nych foi o melhor em Lisboa, com a quinta posição a valer-lhe apenas um segundo de vantagem sobre o espanhol Txomin Juaristi (Euskatel-Euskadi) e dois sobre Tiago Antunes (Efapel), que teve um ótimo desempenho. Emanuel Duarte, líder da LA Alumínios, e o espanhol Adrià Pericas, chefe de final da UAE, perderam sete segundos para o russo da Anicolor, defensor dos títulos conquistados em 2024 e 2025.