Nuno Catarino, vice-presidente e CFO do Benfica (SL Benfica)
Nuno Catarino, vice-presidente e CFO do Benfica (SL Benfica)

Vice-presidente do Benfica responde às questões dos sócios na AG

Nuno Catarino abordou vários pontos colocados pelos associados das águias

O vice-presidente e também CFO do Benfica demorou 15 minutos a responder às diferentes questões levantadas na assembleia geral para deliberar e votar o projeto do Benfica District, desde o modelo autossustentável proposto, aos custos envolvidos em todo o projeto, até à forma como o emblema pretende aumentar a receita sem ter a necessidade de vender jogadores a equipa principal de futebol.

Custo total do projeto

«Estamos a falar de €220 milhões, que é a parte que é responsabilidade do Benfica, como as rendas é a parte que o Benfica receberá, ou seja, é tudo feito naquele pressuposto de partilha em várias dimensões do projeto. Perguntam-me vocês: 'Qual é o custo total do projeto?'. É difícil responder quando a gente vai para um concurso, por exemplo, para um hotel, que obviamente o plano que está aqui é um hotel, que posso adiantar, de 4 estrelas. Mas pode ser alguém a dizer 'não, eu quero um hotel de 5 estrelas', então as pessoas estão a pagar mais e vão investir mais. Isso é uma liberdade que nós queremos pôr a concurso e que afeta o investimento total, mas nós sabemos qual é o limite em que nós estamos dispostos a ir. E é um pouco este pressuposto que foi feito para chegar a este envelope.»

Como será o financiamento?

«O Project Finance tem por definição, quase sempre, a criação de uma empresa veículo, que será a Benfica Estádio porque já está estruturada, não há uma necessidade de criar uma entidade para fazer isto. Não quer dizer que se por alguma razão chegarmos a esse passo, poderemos ter de tomar essa decisão, mas nesta fase o veículo até existe dentro do Estádio. O conceito de quando nós dizemos que é autossustentável em termos de financiamento é mesmo este: ou seja, é um Project Finance que vai procurar que as novas receitas façam o pagamento dos custos do projeto.»

Financiamento a 15 anos

«O projeto, da forma como está definido, tem um prazo de pagamento mantendo a autossustentabilidade do mesmo, à volta dos 15 anos com os pressupostos que discutimos com dois bancos internacionais de financiamento, sem termos números fechados, mas já discutidos. Obviamente há sempre a opção de expandir o prazo um pouco mais, que é o normal, aliás 15 anos... os próprios bancos nos dizem que normalmente estes projetos estão mais nos 25 anos. Ou seja, temos aqui alguma flexibilidade, mas não é esse o pressuposto à partida.»

Concurso internacional

«Sim, vamos fazer concurso internacional, apesar de obviamente haver capacidade em Portugal para a parte hoteleira, para a parte de escritórios e para a parte residencial, mas quando avançamos mais para a parte de Arena, essa já não existe, ou existem operadores internacionais com presença em Portugal, mas vamos aqui obviamente analisar o mercado e temos recebido várias solicitações de reuniões, pedidos para apresentar proposta... temos estado a diferir isto, a dizer 'esperem mais um pouco', até explicando um pouco o que é o Benfica, quais os processos, e que vamos só começar isto na fase seguinte de resposta e de consulta ao mercado.»

O que se está a votar

«Temos o conceito, o programa base, temos o envelope financeiro, temos uma proposta para apresentar na Câmara Municipal de Lisboa para garantir valor e cristalizar capacidade no futuro para o Benfica. É isso, estamos a votar. Entendendo as dúvidas, e de facto daqui a um ano muita coisa pode mudar, e se mudar, estaremos durante o processo para explicar o que é que está a mudar, mas é isto que estamos a votar.»

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Aumento da receita sem venda de jogadores

«Esta direção tem o objetivo de levar o clube a ter €500 milhões de receita consolidada. Estes €500 milhões de receita consolidada têm, sendo receita consolidada, uma componente de venda de jogadores muito inferior à que é atual. E esse é o plano: crescer receita para reduzir a necessidade de vender jogadores, conseguirmos investir no plantel principal e seguirmos com aquilo que é a missão do Sport Lisboa e Benfica, que é ter a equipa de futebol mais competitiva possível.»