«Como é que vamos voltar a ganhar e ser hegemónicos com o Benfica District?»
João Diogo Manteigas, que foi candidato à presidência do Benfica, deixou várias questões quanto ao projeto Benfica Discrict, nomeadamente quanto ao financiamento, mas também a viabilidade de algumas medidas previstas, como os lugares em pé na remodelação do estádio.
«Começo por fazer duas notas prévias. Uma primeira, obviamente, tem de ser necessariamente para o Presidente da Mesa, Dr. Pereira da Costa, tem sido recorrente às queixas que nós fazemos, mas relacionadas com o processo, o formato das Assembleias Gerais. Já nas do Orçamento, nas situações de contas das Assembleias Ordinárias e outras, os sócios falam, nós queremos ouvir opiniões para poder decidir votos, e depois temos pessoas a votar sem nos ouvir, para além da questão do voto, que já foi aqui, obviamente, dissecado. Cabe à Mesa e ao Presidente, de uma vez por todas, alterar aquilo que os sócios querem, porque não é só uma decisão que lhe cabe a ele», começou por sublinhar quanto ao processo de votação.
«Em segundo, ouvi aqui, em primeira mão, por um consócio, o arquiteto Saraiva, que não esclarece por completo aquilo que é esta magnitude, o peso que isto tem para o futuro de Benfica. Vi aqui vários exemplos de outros clubes cujos projetos estão em curso, mas há um que está mais relacionado com aquilo que devia ser a visão do Benfica, que é o do Manchester United. É provavelmente a maior regeneração urbanística e desportiva depois das Olimpíadas de 2012, em todo o seu Reino Unido, em que a chave e a mensagem que o Manchester United quis deixar passar foi ‘vamos ter a melhor equipa do mundo de futebol, no melhor estádio do mundo de futebol’. E acho que é isto que o Benfica é, é futebol e modalidades. E foi isto que eu tive o cuidado de analisar, os sócios perguntaram e interagiram com o Benfica relativamente a isto do Benfica District. E mais de 80% quer saber do estádio, tudo o que está relacionado com o estádio, ou seja, futebol», sublinhou.
João Diogo Manteigas deixou várias perguntas para as mudanças no estádio:
«A questão, obviamente, do Benfica District, e passo já imediatamente para as perguntas, não tem uma resposta para aquilo que é essencial, que é como é que nós vamos voltar a ganhar e como é que vamos passar a ser hegemónicos com o Benfica District? Coisa que, obviamente, o senhor arquiteto não vai conseguir responder, mas eu estou à espera de que os senhores atrás de mim me respondam, porque até agora não conseguiram responder.
No aumento do estádio, uma primeira pergunta essencial de alguns meses a esta parte. Tenho de me preocupar com questões de segurança. Se o nosso estádio hoje, o atual, como está, está devidamente licenciado pela ANPC (Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil). E se não estiver como é que o Benfica District vai resolver isto?
Segundo, safe standing [ver em pé]. Já ouvi várias vezes o doutor Caterino, vou ser breve, a falar do safe standing, a UEFA aprova, o governo português não. A Lei para a Violência no Desporto tem um artigo preciso em que não aprova o safe standing. Não aprova para aumento da lotação, que é o que estão a fazer.
Terceiro, o doutor Catarino referiu também que o custo do aumento do estádio tem sido parte dos meios do clube e que vai pagar com os bilhetes que vendemos para o futebol. Ora, o estádio é da empresa Benfica Estádio, a bilhética é da Benfica SAD. É a SAD que tem patrocinado as obras no estádio. Se sim, qual foi a relação económica e financeira que foi criada entre as duas empresas? Benfica District: o doutor Caterino referiu, passo a citar, há a expectativa da FIFA de suportar alguns custos e há um conjunto de aspetos que vão ser bastante facilitados pelo evento. Estivemos a analisar tudo o que foi a bid para o Mundial 2030 da FIFA. Não há verba para obras neste caso.»
Depois um pedido de esclarecimento sobre a relação entre Benfica Estádio e Benfica SAD.
«Referiu, e passo a citar, que ‘estamos a criar condições para termos receitas e ficar menos dependentes de vendas de jogadores dos prémios das participações desportivas e das receitas dos sócios’ e complementou que ‘o Benfica disse que possa abrir já receitas anuais na ordem de 37 milhões de euros brutos’. Se todo este complexo desportivo pertence à Benfica estádio, e se este é o veículo que vai ser utilizado para o financiamento, pergunto, as receitas entram na Benfica Estádio, mas depois como é que passam para a Benfica SAD? Terceiro, empréstimos e financiamentos. A Benfica Estádio vai ser, e eu preciso que confirmem, o veículo e não qualquer outra empresa do grupo. Que garantias estão previstas para isto? O estádio vai ser uma garantia para este tipo de financiamento, sim ou não? Em caso afirmativo, se o clube detentor a 100% da Benfica estádio através da sua SGPS, estão a pensar convocar ou não uma nova Assembleia Geral para autorizar a prestação dessas garantias de acordo com os nossos estatutos e as sociedades comerciais.»