Benfica District em AG: projeto aprovado pelos sócios
Assembleia Geral serviu para discutir e votar o projeto de reconversão da área envolvente ao estádio, com custo previsto de 220 M€

O Benfica District, projeto que foi a votos este sábado, foi aprovado pelos sócios das águias.

Originalmente a votação ia encerrar às 17.30 horas, mas foi estendida pela Mesa da Assembleia Geral até às 21.00 horas, após serem reportados diferentes problemas na votação online. Com o ínicio do encontro entre Benfica e Estoril no Estádio Luz às 18.00 horas, a afluência de sócios ao pavilhão número 2 reduziu bastante.

Sócios fazem fila para votar.

14h00: José Pereira da Costa, presidente da MAG, acaba de confirmar que as votações se vão estender até às 20.30 horas ou 21.00 horas, de modo a minimizar os contrangimentos que alguns sócios têm sentido na votação online.

Rui Costa respondeu aos sócios: «Não há vontade de fazer do Benfica um clube de betão»

«Este projeto não nasceria sem a aprovação dos sócios e não me parece correto estar a pôr em causa essa democracia», disse o presidente do Benfica, responde às críticas para a marcação desta assembleia geral.

«Fica a garantia e a promessa que não faremos, mesmo que hoje o Benfica District seja aprovado, não iremos partir para nenhum projeto depois de termos tudo feito como tem de ser feito sem novamente a aprovação dos sócios do Benfica se nós tivermos alguma coisa dentro do projeto que seja completamente descabida em relação àquilo que temos hoje. Jamais irei colocar o clube em risco numa situação dessas. Eu não sonho com centros comerciais, nem hotéis. O que eu quero com o Benfica é a parte desportiva e não a parte de betão. Agora, não podemos também estar a comparar ou falar que isto seja uma obra de betão quando todos os objetivos desta obra é para aumentarmos aquilo que é o nosso nível também desportivo. Estamos a melhorar todas as condições do estádio, dos pavilhões, da piscina, estamos a criar alicerces, aí sim de betão, para termos dividendos para alimentar esta obra e termos uma melhoria financeira significativa todos os anos. Portanto, não há aqui nenhuma vontade de fazer do Benfica um clube de betão porque não é esse o objetivo, mas sim elevar e continuar a crescer o nosso clube. 

«A pressa para fazermos esta AG, a pressa que há aqui é cumprirmos uma promessa eleitoral e acabarmos com o projeto até 2029. Isto só passa a ir à câmara depois desta AG e quanto mais tempo se ganhar, mais perto nós estamos de cumprir os objetivos de ter o estádio pronto ou ter o Benfica District pronto em 2029», completou.

Terminadas as intervenções dos sócios, o vice-presidente e CFO do Benfica Nuno Catarino prepara-se para responder às muitas perguntas colocadas.

Um sócio pede: «Que o Sport Lisboa e Benfica se sobreponha ao Sport Lisboa e Betão»

13h17: Faltam falar ainda seis sócios

Faltam cerca de dez perguntas, ainda nenhuma foi respondida. Um dos sócios pediu que as respostas acontecessem a cada cinco perguntas, para não acontecerem em bloco

João Diogo Manteigas, candidato à presidência do Benfica, deixou uma questão inicial: 

«Como vamos passar a ganhar e a ser hegemónicos com o Benfica District?» 

 

Gonçalo Almeida Ribeiro, ex-vice-presidente do Tribunal Constitucional e ex-candidato de João Noronha Lopes a presidente da MAG nas eleições do clube no último ano, deixou várias críticas a esta AG.

Vários sócios já pediram: «Que se esclareça o que é que estamos aqui a votar»

Um sócio pede que o projeto se concentre apenas na otimização do estádio, nomeadamente o aumento da capacidade, ao invés do «projeto megalómano» que está previsto para a envolvente do recinto

Um sócio sublinha a importância de garantir o sucesso desportivo em vez de «brincar ao betão»; outro questiona a relevância de construir um centro comercial tão perto do Centro Comercial Colombo, e até novos pavilhões, quando «é tão difícil encher os existentes»

Outro sócio lamenta que a votação esteja a decorrer ao mesmo tempo que se fazem as perguntas para esclarecimentos e pede ao presidente da MAG que mude esta prática

Mauro Xavier, que chegou a ponderar ser candidato à presidência, deixou três alertas: 

«Será decisivo lançar um concurso para um parceiro internacional, isso será muito importante; 

Este projeto não ficará abaixo de 450 a 500 milhões de euros. Devemos garantir que o estádio tem cobertura para utilização no inverno, até para ficarmos à frente dos nossos rivais; 

Devemos ter mais tarde uma AG deliberativa quando estiver selecionado o parceiro;»

Mauro Xavier publicou em A BOLA uma opinião sobre o assunto:

Um sócio alerta para os riscos de derrapagem das contas, citando as recentes obras nos estádios do Real Madrid e do Barcelona. «O do Real teve uma derrapagem de mais de cem por cento, o do Barcelona estima-se em 60 por cento. Aqui estima-se apenas 10 por cento? Cuidado que isto pode ir parar aos 500 milhões...»

«Eu gostava de saber tanta coisa, gostava de saber se vamos ser campeões», desabafa outro sócio.

Outro sócio anuncia que votou contra devido aos custos elevados e diz que «não percebe porque foi apresentado o projeto a 3 meses das eleições». Recebe palmas.

Um dos sócios pede o reforço do estádio, referindo que há capacidade para mais dos 80 mil lugares previstos, sublinhando «os sócios não pediram hotéis ou escritórios»

Sócios pedem atenção aos gastos - a segunda intervenção refere que serão «quase 300 milhões de euros, muito dinheiro vai rolar, por isso à mulher de César não basta parecer...»

11h: José Pereira da Costa dá início à sessão para pedidos de esclarecimento. Pede que os sócios não passem dos 2m30. Estão inscritos 46 sócios para falar

10h38: Está aberta a votação, tanto presencial como online, e as inscrições para pedidos de esclarecimentos. Trabalhos ficam suspensos por 15 minutos

O vice-presidente destacou que se pretende dar a quem visita a zona uma experiência mais envolvente, sendo o objetivo que as pessoas cheguem mais cedo e saiam mais tarde, sem ver apenas um jogo. «Queremos dar razões às pessoas para virem mais cedo para o estádio e sair mais tarde, proporcionar mais vivências nos espaços que vamos criar, dando mais conforto. Só para terem uma ideia, a praça do Rossio cabe dentro da nossa fan zone»

Nuno Catarino falou sobre os custos, uma das perguntas mais feitas pelos sócios.  

«Perguntam a forma como o investimento está apurado: nós sabemos a volumetria do projeto. Temos vários exemplos comparáveis para as diferentes áreas, afinal em Lisboa fazem-se 140 hotéis por ano. Na prática comparamos com outros locais do mundo a construção equivalente a Lisboa, que dá este valor. Depois pomos uma pequena contingência, do projeto somamos tudo e chegamos ao valor de 220 milhões. 

O que é que isto tem? Isto inclui também uma mescla de acabamentos, de espaços que vão ser acabados na totalidade pelo Benfica, e estamos a falar da questão dos pavilhões, e espaços que vão ser acabados em tosco, porque depois vai ser o operador que vai fazer a parte final de fazer o fitting do projeto interior, e temos ainda alguns espaços em que será uma conjugação entre aquilo que o Benfica vai fazer e o que o próprio operador vai fazer. E é assim que chegamos ao valor dos 220 milhões de investimento, ou seja, isto é o custo de construir este projeto, hoje em dia, com os custos atuais de Lisboa, nas condições em que esperamos entregar este projeto para a concessão nas áreas que vão ser concessionadas. Estamos a falar do equivalente a quase 60 mil metros quadrados de área de construção, estamos a falar de 220 milhões, estamos a falar de um custo estimado médio por metro quadrado de construção de 3.700 euros por metro quadrado, isto obviamente é uma conjugação de vários valores, há espaços que custam mais, outros que custam menos. 

O que está previsto para o estádio, com o a ampliação para 80 mil lugares, será um custo avultado a par do projeto, previsto para custar 75 milhões. «Uma das coisas que custa bastante é o fecho do estádio, a fachada, que está incluída neste projeto, há espaços que temos bastante área construída e que custam bastante menos, mas pronto, temos aqui uma distribuição de vários investimentos. Ou seja, temos aqui um custo de construção que tem duas componentes, e se quisermos olhar para os dois projetos, temos a parte do Benfica District e temos a parte da expansão do estádio, que é independente, exceto naqueles últimos 4 ou 5 mil lugares que precisamos de reforçar a estrutura para fazer o investimento internamente.» 

Nuno Catarino refere que as intervenções planeadas no estádio não vão «parar a atividade: «Temos intervenções planeadas mas sem parar a atividade no estádio (...) A inauguração final está prevista para 2029, antes do Mundial 2030.»

Estas são as intervenções no recinto:  remodelação do piso 1, «semelhante à que tem o Arsenal»; rebaixamento do relvado, com «campo à inglesa»; criação de zonas de lugares de pé no piso 0 e novas filas no piso 3.

10h: É tempo agora de responder às questões que foram enviadas pelos sócios, fala Nuno Catarino, vice-presidente e CFO

O arquiteto Miguel Saraiva vai explicar o projeto depois da intervenção do presidente.

«O Benfica District não vai comprometer a capacidade de investimento nas nossas equipas», garante Rui Costa.

«O Benfica District é um projeto estratégico, que visa dotar o Clube de infraestruturas que permitem ter um Benfica mais preparado para enfrentar os desafios do futuro.Um projeto que corporiza e traduz uma ambição na vanguarda do que de melhor se faz a nível mundial, e sem paralelo na realidade portuguesa.Uma ideia inteiramente vinculada à modernidade, que responde às prioridades presentes e antecipa cenários futuros», disse.

José Pereira da Costa, presidente da MAG, abriu a AG dando a palavra ao presidente Rui Costa

O Benfica resume assim o projeto: «O Benfica District é um projeto estratégico que vai modernizar as instalações do Estádio, reforçar a oferta de recintos, comodidades e espaços públicos na área envolvente, e criar um património cívico de valor duradouro para o universo Benfiquista. Este investimento é também um pilar fundamental para a sustentabilidade financeira do Clube a longo prazo.»

Já José Gandarez reforçou a ideia de que o Benfica District não surge como uma distração face aos resultados, mas como um investimento estruturante. «O Benfica District não vem para distrair, vem para construir o futuro. O Benfica não pode parar. Independentemente dos resultados desportivos, o nosso trabalho é dotar o clube das melhores ferramentas para estarmos sempre mais perto de ganhar», declarou.

Na véspera da Assembleia Geral que vai discutir e votar o projeto Benfica District, a direção encarnada procurou separar o momento desportivo do debate estratégico sobre o futuro do clube, numa conferência de imprensa marcada pela intervenção dos vice-presidentes Nuno Catarino e José Gandarez.

«O Benfica tem uma grande tradição de Assembleias Gerais quentes. No calor da discussão, o momento da equipa influencia sempre, mas do que temos ouvido nas sessões de esclarecimento, os sócios já distinguem que este é um projeto de futuro que vai para além do momento atual», afirmou Nuno Catarino, sublinhando que «daqui a 10 anos ninguém se vai lembrar do contexto desportivo quando a decisão foi tomada, mas sim da capacidade que este projeto deu ao Benfica para se catapultar».

Como votar?

Presencialmente, no Pavilhão n.º 2 do Complexo Desportivo do Estádio da Luz, por meio dos sistemas eletrónicos habitualmente disponibilizados pelo clube;

No site oficial do SLB, através de uma plataforma criada para o efeito, na área reservada aos sócios, onde será igualmente transmitida a Assembleia Geral em direto;

na app;

A votação à distância encerra às 17h30, enquanto a votação presencial — no pavilhão número 2 — continuará caso tal se justifique.

O processo deliberativo ocorrerá por voto eletrónico, até às 17.30 horas, tendo início logo após a apresentação da proposta pela Direção

Bom Dia. O Benfica reúne-se este sábado em Assembleia Geral Extraordinária com um ponto único. A partir das 9 horas, os sócios são convidados a perceber o que é o Benfica District – projeto para a envolvência do estádio da Luz e cuja aprovação será votada.