Trubin quietinho na sua baliza
Há duas ideias que se podem aplicar ao Benfica-Real Madrid de hoje: por causa do apoteótico final de jogo entre as duas equipas na última jornada da fase de liga, a eliminatória entre águias e merengues será a mais mediática de todos os oito jogos do play-off de acesso aos oitavos da Champions; e ninguém pode esperar uma partida com os mesmos contornos da noite de 28 de janeiro.
Detemo-nos por agora na parte mediática: os conteúdos digitais criados durante e após o incrível momento protagonizado por Anatoliy Trubin fizeram do Benfica, do guarda-redes ucraniano e também do treinador que o mandou subir à área contrária um fenómeno mundial, cujo impacto pede meças ao recente intervalo no Superbowl – embora por razões diferentes.
Independentemente do que aconteça hoje na Luz e no dia 25 no Bernabéu, as águias fizeram história e no final da temporada aquele cabeceamento do tipo vestido de amarelo vai figurar no filme da Champions 2025/26 e será capitalizado das mais variadas formas no futuro pelos encarnados – até na hora de contratar jogadores.
O fator Mourinho também ajuda a criar uma extraordinária aura ao duplo encontro dos dois históricos. Na conferência de imprensa de Arbeloa, o nome do treinador português foi mencionado em quase todas as perguntas, algumas delas relacionando-o como possível substituto daquele que por ora exerce o cargo de forma interina.
Esteve bem José Mourinho nas respostas que deu aos jornalistas espanhóis, assumindo que pode dizer «não» a Florentino Pérez e colocando um travão ao caudal noticioso alimentado nas últimas semanas no sentido de um hipotético regresso aos blancos.
Mas é igualmente verdade que este cenário o favorece. Tanto a nível pessoal, mas fundamentalmente para tentar nivelar uma eliminatória que continua desequilibrada a favor dos espanhóis. Se no plano tático voltar a dar uma lição ao antigo aluno, é possível que os jogadores do Real Madrid sintam isso em campo e voltem a demonstrar o lado pior dos craques - o individualismo.
Mas os últimos jogos da equipa mostraram algumas melhorias. O regresso de Valverde a meio-campo, a melhoria exibicional de Vinícius Júnior e Arda Guler e o descanso dado a Mbappé na última jornada são elementos que devem causar receio a qualquer adversário, mas não há dúvidas de que o espírito de equipa, hoje, é mais visível no Benfica no que no Real Madrid. Num jogo único, disputado em casa, isto poderia ser uma vantagem competitiva, mas a duas mãos o conceito muda ligeiramente. Se quiserem eliminar o senhor 15 Champions, as águias têm mesmo de vencer na Luz. E com Trubin quetinho na sua baliza.