«O Nápoles tratou-me como um cão, poderia ter jogado na Juventus»
Victor Osimhen, avançado do Galatasaray, concedeu uma longa entrevista à Gazzetta dello Sport antes de defrontar a Juventus. Entre os temas abordados não faltou a turbulenta separação do Nápoles, o trabalho com Luciano Spalletti e a vida no gigante de Istambul.
O jornal recorda que na origem da rutura esteve o vídeo divulgado no perfil oficial do emblema italiano no TikTok a propósito de um penálti falhado pelo nigeriano contra o Bologna — na publicação, supostamente irónica, Victor foi comparado a um coco, o que deu origem a um debate que se estendeu nas semanas seguintes, com algumas acusações de racismo. O próprio avançado apagou do Instagram todas as fotos do seu período em Nápoles.
«Lamento pelos adeptos, principalmente porque nunca falei sobre o que aconteceu. Alguns deles vieram à minha casa para pedir explicações. Conversámos e pedi-lhes que se colocassem no meu lugar. Depois de o Nápoles publicar aquele vídeo no TikTok, algo se quebrou definitivamente», recordou.
«Qualquer um pode falhar um penálti, qualquer um pode ser ridicularizado por isso. O Nápoles fê-lo apenas comigo, e com certas insinuações. Fui vítima de ofensas racistas e tomei a minha decisão: queria sair. Apaguei as fotos com a camisola do Nápoles do meu Instagram, e eles aproveitaram o momento para me virar contra os adeptos. E pensar que a minha filha, para mim, é mais napolitana do que nigeriana…», acrescentou.
«Tínhamos um acordo de cavalheiros com o presidente De Laurentiis, segundo o qual no verão seguinte eu poderia sair, mas do outro lado o compromisso não foi totalmente cumprido. Tentaram mandar-me para jogar em todo o lado, trataram-me como um cão. 'Vai para aqui, vai para ali, faz isto, faz aquilo…' Trabalhei muito para construir uma carreira e não poderia aceitar tal tratamento. Não sou um boneco de corda», sublinhou o atacante.
E esclareceu: «Dizia-se que não me queriam na equipa. A sério? Que treinador, naquele momento, não me quereria? Assim que chegou, [Antonio] Conte chamou-me ao seu gabinete e disse-me que estava ciente da situação, mas que, apesar de tudo, queria que eu ficasse. Expliquei-lhe que ficaria feliz em trabalhar com ele, mas que já tinha feito a minha escolha: não queria continuar a trabalhar num sítio onde não me sentia feliz.»
«Ninguém se desculpou publicamente pelo que aconteceu. Depois daquele famoso vídeo, Edoardo De Laurentiis ligou-me várias vezes. E só. Entretanto, corriam rumores de que eu chegava atrasado aos treinos, que discutia com os meus colegas de equipa... Tudo isso são mentiras. Lamento pelos adeptos, mas compreendo-os e admiro-os: eles apoiam o clube sempre e em todas as circunstâncias. Para eles, o Nápoles está acima de tudo», prosseguiu.
Esta terça-feira defrontará a Juventus, clube que poderia ter representado: «Hoje poderia estar noutros dois clubes de topo da Serie A. Antes de começarem as negociações com o Galatasaray, Giuntoli [então diretor desportivo da Juventus] ligou-me para me levar para a Juve. Falei com várias pessoas do clube, eles mostraram interesse, mas eu sabia que ele [o presidente do Nápoles, De Laurentiis] não me deixaria ir. De qualquer forma, o interesse existiu. E quando a Juve te chama, independentemente de tudo, tens de sentar e ouvir.»
E fez questão de deixar claro algumas imprecisões em relação a Luciano Spaletti, antes do reencontro desta noite com o treinador: «Dizia-se que andávamos às turras, mas não era verdade. Respeito-o: exigia muito, mas dava ainda mais. Dormiu meses na base de treinos do Nápoles, trabalhando dia e noite para nos convencer de que podíamos ganhar o scudetto. Levou Kim, Anguissa, Kvaratskhelia, e levou-me a mim, ao auge da forma, triunfando com um clube que não vencia há décadas.»
E falou do jogo com a Juventus. «Será estimulante defrontar um clube de topo. Sabemos que não podemos permitir distrações, porque contra eles qualquer erro pode custar caro. E vou reencontrar Spalletti…», assinalou.
A nível individual, fez analogia entre o Osimhen do Nápoles e o atual, do Galatasaray: «Não gosto de fazer comparações, mas sei que estou entre os melhores avançados-centro do momento. Se não sou o número um, sou o número dois. Ou, no limite, o número três…»