Benni McCarthy - Foto: IMAGO

Ex-FC Porto recorda pesadelo com treinador: «Intimidava-me e tentava humilhar-me»

Benni McCarthy lembrou tratamento severo de um selecionador da África do Sul na sua primeira experiência num Mundial

Benni McCarthy, antigo jogador do FC Porto e selecionador do Quénia, revelou que um dos selecionadores da África do Sul tornou a sua passagem pela seleção nacional um desafio.

Num excerto da sua biografia autorizada, o treinador dos Harambee Stars descreveu a sua passagem nos bafana bafana, sob o comando de Philippe Troussier, como extremamente difícil, afirmando que o treinador parecia determinado a desfazer muito do que Ephraim Matsilele Jomo Sono havia construído, além de tratar os jogadores de forma condescendente.

McCarthy recordou sentir-se pessoalmente visado, pois Troussier parecia escolhê-lo na altura das críticas: gritava frequentemente com ele durante os treinos, enfatizando que Jomo já não estava no comando e que ele já não podia agir livremente.

O atual técnico sentiu que o comportamento de Troussier era motivado por um ressentimento em relação a ele, como jogador favorito de Jomo, e que as constantes tentativas de envergonhá-lo perante os seus colegas de equipa tornaram a experiência particularmente desmoralizante.

«Após a Taça das Nações Africanas, o francês Philippe Troussier foi nomeado o nosso novo treinador para nos liderar nas finais do Campeonato do Mundo de 1998. Para mim, foi um pesadelo», partilhou.

«Ele parecia empenhado em desconstruir tudo o que Jomo havia construído e adotou uma atitude paternalista para com os jogadores, sentindo-me como o seu principal alvo. 'Ei McCarthy', gritava ele durante os treinos. 'O teu pai Jomo já não está aqui; não podes fazer o que quiseres'», contou.

«Ele via-me como o filho favorito de Jomo, e a sua inexplicável animosidade era difícil de compreender. Intimidava-me implacavelmente, tentando constantemente humilhar-me à frente dos meus colegas de equipa», recordou.

Benni McCarthy explicou que, naquela fase da sua carreira, procurava um treinador que o pudesse ajudar a crescer e a levar o seu jogo para o próximo nível.

O treinador dos Harambee Stars admitiu que o que deveria ter sido uma experiência marcante na carreira, no Campeonato do Mundo de 1998 em França, se transformou num período profundamente desagradável, pois o tratamento negativo ofuscou o que deveria ter sido um marco memorável.

«Nessa fase da minha carreira, precisava de um treinador que pudesse elevar o meu jogo. Em vez disso, fiquei com alguém que me estava a criticar, a tratar-me como um novato apenas alguns meses depois de ter sido um dos melhores jogadores num grande torneio internacional. Todo o Campeonato do Mundo em França, que deveria ter sido um ponto alto da carreira, tornou-se uma experiência miserável», revelou.

Benni McCarthy admitiu que, embora poucos futebolistas tenham a oportunidade de jogar num Campeonato do Mundo, muitas vezes se viu a desejar estar lesionado apenas para evitar passar pela experiência.

Recordou ter tido pensamentos fugazes e irados sobre confrontar Troussier fisicamente, e notou que o seu colega de equipa Mark Fish quase o fez após um episódio particularmente chocante durante o treino.

«Quando Willem Jackson cabeceou a bola para fora de jogo, Troussier explodiu. Agarrou Jackson pelo pescoço e depois atirou uma bola contra a parte lateral da sua cabeça. Foi a coisa mais humilhante que alguma vez testemunhei num campo de treino», disse.

«Fish, corajosamente, impôs-se ao treinador, exigindo que ele mostrasse mais respeito aos jogadores. O ambiente era definido por conflitos constantes e histerismo, sem qualquer encorajamento. O drama atingiu o auge após a nossa derrota por 0-3 contra a França em Marselha, quando Troussier ameaçou demitir-se pouco antes do nosso segundo jogo do grupo contra a Dinamarca». concluiu.