A nova estrela dos franceses, que tem sangue luso, está a caminho do Algarve
A preparar a sua segunda época como profissional, o ciclista francês Paul Seixas está na dura rotina de treinos em altitude na Sierra Nevada, em Espanha, e, aos 19 anos, o jovem que, acreditam os franceses, poderá ser o sucessor de Hinault confessou os sacrifícios pessoais que tem feito, com o objetivo de continuar a sua ascensão meteórica e competir com os melhores do pelotão.
«Dia sim, dia não, temos de treinar em espaços interiores. Não é fácil e não temos as verdadeiras sensações da bicicleta», confessou o novo líder da equipa Decathlon CMA-CGM.
A poucos dias da estreia na nova temporada, na Volta ao Algarve (18 a 22 de fevereiro), o corredor filho de um português confessou um dos lados mais difíceis do alto rendimento.
«Há dois meses que não vejo os meus pais nem a minha namorada. Mas sabemos porque o fazemos: são sacrifícios necessários para o rendimento», afirmou, sublinhando os benefícios do treino em altitude. «Quando se desce, sente-se mesmo a diferença», acrescentou, referindo-se à melhoria na resistência, na capacidade de repetir esforços e na recuperação, vantagens que já sentira na época passada.
Entre neige et tempête, Paul Seixas prépare sa deuxième saison pro dans des conditions extrêmes en Sierra Nevada : « Si j'étais là pour skier... »
— L'Équipe (@lequipe) February 9, 2026
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Numa entrevista do ano passado, em Lyon, onde nasceu, confessou que não sabia falar português, mas queria muito aprender e honrar esse legado familiar que herdou do pai, e que era fã do ciclista português Rui Costa, desde que este se tornou campeão do Mundo, em 2013.
A ascensão do ciclista de Lyon tem sido notável, culminando com uma medalha de bronze no Campeonato da Europa do outono passado, apenas atrás de Tadej Pogacar e Remco Evenepoel. «Obviamente, quando conseguimos seguir aqueles tipos uma vez, mesmo que seja só uma vez, isso dá muita confiança. Sendo muito mais novo, penso que se no final da época passada consegui acompanhá-los, significa que, se continuar a progredir, poderei encurtar essa distância», explicou Seixas.
O jovem francês encara o desafio de igualar os melhores como difícil, «mas não impossível». A sua ambição é clara: conseguir a primeira vitória na elite o mais depressa possível. «Vemos as listas de partida das próximas corridas e só há ciclistas muito fortes, mas vou dar tudo para poder levantar os braços o mais cedo possível, seja no Algarve ou em Ardèche», prometeu. Vencer não é «uma obsessão, mas uma vontade muito forte», explicou em declarações ao site francês RMCSport.
Quanto a uma participação na Volta a França já este ano, Seixas mantém os pés no chão. «Seria um sonho, claro, mas não é o meu objetivo para este ano», disse o campeão mundial de juniores de contrarrelógio, embora não se imponha «nenhum limite» e não feche «nenhuma porta».
Os franceses estão bastante entusiasmados com a hipótese pois há muito sonham com um corredor que, finalmente, suceda a Bernard Hinault, o último gaulês a vencer a Volta a França (1985), já lá vão 40 anos!
O apelido Seixas foi herdado do avô paterno, com raízes no norte de Portugal, que emigrou para França no século passado. Paul nasceu em Lyon e o pai, Emanuel Seixas, foi campeão francês de karaté, mas a sua paixão é o ciclismo desde sempre.
Uma paixão herdada do avô. «O que eu gosto é de ganhar corridas», afirmou, explicando que os sucessos do passado, como o título de campeão francês de cadetes, apenas o motivam mais. «Ganhar uma corrida é um sentimento indescritível, que não tem preço», confessou o ciclista, conhecido pela sua resistência e gosto por treinos longos, como uma sessão de 323 km com 8.500 metros de desnível que partilhou na aplicação Strava.
«Sempre fui uma pessoa de grande resistência, por isso é quase como uma pequena viagem. Às vezes sais durante sete, oito horas, vês a paisagem. E se fores apaixonado, percebes o prazer que isso dá e a alegria da superação do esforço», concluiu.