Tifanny sempre foi apoiada pelas companheiras e adversárias. Foto Instagram Tifanny Abreu
Tifanny sempre foi apoiada pelas companheiras e adversárias. Foto Instagram Tifanny Abreu

Tifanny, ex-Esmoriz, reage a veto a atletas trans: «É um enorme retrocesso»

O voleibol brasileiro está em ebulição e numa enorme discussão depois da federação ter acatado a determinação de impedir a participação de mulheres trans nas competições

A oposta do Osasco, Tifanny Abreu, criticou a nova política da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) que impede a participação de mulheres trans em competições, considerando a decisão um «enorme retrocesso». Apesar da medida, a atleta está autorizada a disputar o Campeonato Paulista.

A polémica surgiu na semana passada, quando a CBV anunciou a adoção das diretrizes do Comité Olímpico Internacional (COI), que exigem um teste genético negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento masculino, para a elegibilidade na categoria feminina. Esta regra será implementada a partir da temporada 2026/27 em várias competições nacionais, incluindo a Superliga A e B.

No entanto, a Federação Paulista de Voleibol (FPV) esclareceu que, como o Campeonato Paulista já estava em andamento quando a nova política foi anunciada, as regras anteriores permanecem em vigor. Desta forma, Tifanny, que jogou em Portugal no Esmoriz antes de fazer a transição, pode continuar a representar o Osasco na competição estadual.

Após a derrota da sua equipa frente ao Pinheiros por 3-2, no sábado, Tifanny falou pela primeira vez sobre o assunto, prometendo lutar contra a decisão.

«O voleibol é a minha vida, o meu trabalho. A CBV está a tirar-me tudo o que tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que venho exercendo todos estes anos. São 10 anos no voleibol feminino. Não comecei ontem», declarou a atleta de 41 anos, que se encontra naquela que será, provavelmente, a sua última época.

A jogadora sublinhou que a medida não a afeta apenas a si, mas também «o clube, os adeptos, os patrocinadores, as pessoas que se inspiram» nela e «o direito de todas as pessoas trans».

«Não me vou calar. E vou tomar todas as medidas possíveis para que a minha luta pelo direito, visibilidade, inclusão e prática do desporto não tenha sido em vão. Os meus 10 anos não foram em vão e vou lutar por eles e por todos vocês», garantiu.

Durante o jogo, Tifanny recebeu um forte apoio dos adeptos do Osasco e das suas colegas de equipa, com o seu nome a ser gritado em vários momentos e com manifestações de incentivo nas bancadas.

Uma carreira pioneira

Tifanny Abreu tornou-se uma figura pioneira no voleibol brasileiro. Após concluir a sua transição de género, recebeu autorização da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) em 2017 para competir em provas femininas. Nesse mesmo ano, após uma passagem pelo Golem Palmi, em Itália, ingressou no Vôlei Bauru, tornando-se a primeira mulher trans a disputar a Superliga Feminina.

Representou o Bauru até 2021, ano em que se transferiu para o Osasco. Ao serviço do clube paulista, conquistou a Superliga, a Copa Brasil e o Campeonato Paulista na temporada 2024/25, sagrando-se a primeira atleta trans campeã da Superliga Feminina.

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