Há um português a brilhar na Polónia há cinco anos: «Não me sinto uma lenda»
Atualmente a cumprir a sexta temporada com as cores do Lech Poznan, Joel Pereira esteve em conversa com A BOLA para olhar para o passado, abordar o presente e perspetivar o futuro.
Com passagens pela formação de Perosinho, FC Porto, Padroense e Vitória de Guimarães, bem como experiências no Académico de Viseu e no Gil Vicente, o lateral-direito que celebrou recentemente o 30.º aniversário emigrou cedo e acumulou experiências no futebol cipriota (DOXA e Omonia) e eslovaco (Spartak Trnava), antes de assentar na Polónia. Sagrou-se, pela terceira vez, campeão em 2025/26 e ainda conquistou a Supertaça em agosto. É já uma figura de culto para os adeptos do clube, mas não se considera uma lenda.
— Está na Polónia há cinco anos, soma 220 jogos e é o segundo estrangeiro com mais presenças na história do clube, apenas atrás do seu colega Mikael Ishak . Já ganhou também quatro títulos. Sente-se já uma lenda viva do Lech?
— Não me sinto uma lenda. Quem dá esses estatutos são os adeptos e eu nunca me vou intitular como lenda. Sinto-me um jogador importante do clube nos últimos anos, de sucesso.
— Depois de passagens por Chipre e Eslováquia, a Polónia tornou-se a sua segunda casa. O que é que o Lech e a liga polaca lhe deram para que atingisse este nível?
— Uma coisa é jogar em clubes do meio da tabela, como o Gil Vicente ou o meu primeiro clube no Chipre, onde o contexto torna mais difícil destacar as minhas características ofensivas, e outra é estar num clube que passa a maior parte do tempo no processo ofensivo. No Lech encontrei o contexto perfeito para começar a apresentar números diferentes, que até então não tinham aparecido a este nível.
— A época passada foi a melhor do Joel em termos ofensivos, com quatro golos e nove assistências, e esta época já leva três passes decisivos. Em Portugal, como referiu, não tinha esse rótulo de lateral tão ofensivo...
— É o contexto. Não poderia ter no Gil Vicente o número de assistências que tenho no Lech, porque não passávamos a maior parte do tempo em processo ofensivo. Se eu estivesse em Portugal, provavelmente não teria os mesmos números, mas sinto que sou muito mais jogador desde que cheguei à Polónia. Estou mais experiente e compreendo os diferentes momentos de jogo de outra forma.
— Que diferenças há entre o campeonato polaco e o português?
— O campeonato polaco está a crescer muito todos os anos, com os clubes a investirem cada vez mais. Muitos clubes estão a pagar valores elevados. Taticamente está a evoluir, sem dúvida, embora comparado a Portugal, ainda estejamos um pouco distantes na qualidade tática e individual. Como digo à minha família e amigos, o jogo contra o Benfica será um bom teste para perceber o nível em que se encontra o campeonato polaco e, neste caso, o Lech Poznan. O Benfica está numa fase muito boa, e estou curioso para perceber esse nível de diferença.
— Quais são as metas do Lech nas provas internas e na Europa?
— Nas provas internas, queremos ganhar tudo. Já ganhámos a Supertaça e vamos lutar pela revalidação do título, que é um objetivo claro. A Taça também é algo que o clube procura há vários anos. Na Europa, a ideia é fazer o melhor possível a cada jogo, sem metas específicas, mas entrar sempre para ganhar. Mesmo que a derrota por 4-0 com o Crystal Palace pareça pesada, cometemos erros que nos penalizaram muito, apesar de eles terem merecido a vitória.