Golfista trans avança com processo em tribunal após ser banida de competição
A golfista transgénero Hailey Davidson avançou com um processo judicial contra a USGA e a LPGA, alegando que uma alteração na política de género, adotada em 2024, a impediu ilegalmente de participar numa prova de qualificação para o U.S. Women's Open no ano passado.
O processo, apresentado na passada quinta-feira em Nova Jérsia, visa não só a USGA e a LPGA, mas também três dirigentes desta última e o clube de golfe que acolheu a prova de qualificação. Davidson, de 33 anos, exige uma indemnização por danos de valor não especificado.
A polémica centra-se na nova política de género da USGA e da LPGA, que entrará em vigor a partir de 2025. Segundo as novas regras, para competir em provas femininas, as atletas devem ter sido designadas como do sexo feminino à nascença ou ter concluído a transição de género antes de passarem pela puberdade masculina. Hailey Davidson, que iniciou a sua transição já depois da puberdade, fica assim excluída.
Furious trans golfer sues LPGA Tour after being banned from competing in US Women's Open qualifier https://t.co/PoGN3FOJQP
— Daily Mail Sport (@MailSport) March 21, 2026
Recorde-se que, em 2024, ao abrigo de uma política anterior, Davidson participou numa prova de qualificação para o U.S. Open e na LPGA Qualifying School, não tendo conseguido o apuramento em nenhuma das tentativas.
Em reação, a LPGA emitiu um comunicado onde confirma ter conhecimento do processo e afirma que deixará «o processo desenrolar-se no fórum apropriado». A organização defende a sua política, declarando que esta «foi desenvolvida através de um processo ponderado e informado por especialistas, e baseia-se na proteção da integridade competitiva do golfe feminino de elite».
No processo, a golfista argumenta que a nova diretriz funciona como uma proibição efetiva para mulheres transgénero, uma vez que muitas leis estaduais nos EUA impedem que menores de idade recorram a tratamentos hormonais ou bloqueadores de puberdade.
Davidson alega ainda que, ao negar-lhe a inscrição na prova de qualificação, o Hackensack Golf Club violou a lei ao afirmar que a USGA detinha controlo total sobre as decisões de elegibilidade.
A atleta iniciou os tratamentos hormonais em 2015, no início dos seus 20 anos, e submeteu-se a uma cirurgia de confirmação de género em 2021, um requisito da política anterior da LPGA. Há dois anos, Davidson chegou a vencer um torneio num circuito menor na Flórida, mas essa mesma organização anunciou posteriormente que as jogadoras teriam de ter sido designadas como do sexo feminino à nascença para poderem competir.