O médico Renee Richards foi o primeiro atleta trans a assumir-se e chegou à final de pares no Open dos EUA. IMAGO
O médico Renee Richards foi o primeiro atleta trans a assumir-se e chegou à final de pares no Open dos EUA. IMAGO

Estas são as 29 atletas trans com títulos no desporto feminino

Ao longo dos anos, várias atletas transgénero alcançaram sucesso notável em diversas modalidades, conquistando títulos nacionais e internacionais. O site Outsports, plataforma digital de notícias e opinião sobre desporto focado em temas LGBTQ+, fez uma lista, cheia de americanas, mas não só. Ana Caldas e Tiffany também são citadas

Apesar do debate público sobre a participação de atletas transgénero em competições femininas, uma investigação revela que mais de 24 mulheres trans já conquistaram títulos de relevo a nível estatal, nacional ou internacional, contrariando alegações de que tais vitórias seriam inexistentes.

A controvérsia ganhou força em 2022, quando o ativista trans Schuyler Bailar, antigo atleta da NCAA, afirmou que a ideia de mulheres trans a vencerem competições nacionais ou internacionais «não existia». No entanto, os factos demonstram que, já naquela altura, a alegação era falsa, com várias atletas a somarem vitórias importantes.

Sarah Stratigakis (AFC Toronto) e Quinn ( Vancouver Rise FC) que se assumiu como não binária. IMAGO

Até hoje, nenhuma mulher trans assumida conquistou uma medalha olímpica na categoria feminina. A futebolista canadiana Quinn, que subiu ao pódio, identifica-se como não-binária. Ainda assim, o número de vitórias em campeonatos nacionais, internacionais e outros torneios de relevo é significativo e abrange diversas modalidades.

A lutadora Alana McLaughlin

Mas existem outros nomes notáveis no desporto. A jogadora de andebol australiana Hannah Mouncey, embora sem registo de vitórias em grandes competições, integrou a seleção nacional do seu país e competiu a nível internacional. No ténis, Renee Richards chegou à final de pares femininos do U.S. Open em 1977. No golfe, Mianne Bagger venceu títulos regionais na Austrália, mas não um campeonato do circuito profissional feminino. Caroline Layt fez parte de uma equipa de estafetas 4x200 metros que estabeleceu um recorde nacional australiano. Nas artes marciais mistas (MMA), Fallon Fox e Alana McLaughlin venceram combates profissionais.

A lista de campeãs, que competiram sempre dentro das regras estabelecidas, inclui nomes de várias modalidades, desde o atletismo e ciclismo ao voleibol e bilhar.

No atletismo de pista, várias jovens atletas destacaram-se. Veronica Garcia sagrou-se bicampeã estadual nos 400 metros em Washington, respondendo aos apupos dos detratores com um direto: «Arranjem uma vida». Já Aayden Gallagher venceu o campeonato estadual do Oregon nos 200 metros, enquanto AB Hernandez, na Califórnia, dominou uma prova de convite nos Ontario Relays com uma margem surpreendente de quase 2.500 metros sobre a segunda classificada.

No ciclismo, Katheryn Phillips conquistou o campeonato nacional de masters dos EUA em 2025, na categoria de 55-59 anos. Austin Killips venceu a Volta do Gila, no Novo México, em 2023, o que levou a UCI a reavaliar a sua política para atletas trans. Recorde-se ainda o caso de Veronica Ivy, bicampeã mundial de masters em ciclismo de pista em 2018, e Michelle Dumaresq, que venceu o campeonato nacional canadiano de BTT de downhill em 2003.

O sucesso estende-se a outros desportos. A voleibolista brasileira Tiffany Abreu, que jogou em Portugal, no Esmoriz quando ainda era homem, foi peça fundamental na conquista da Taça do Brasil de 2022 e, aos 40 anos, em 2025, somou vários títulos pelo seu clube, o Osasco. No levantamento de peso, Laurel Hubbard, que participou nos Jogos Olímpicos, arrecadou dois Campeonatos da Oceânia e dois dos Jogos da Commonwealth, além de uma medalha de prata no Campeonato do Mundo de 2017.

Outros triunfos notáveis incluem o de Noa-Lynn van Leuven, que venceu uma competição de dardos no seu torneio de estreia no PDC Challenge Tour, e o de Jamie Hunter, que em 2022 conquistou o seu primeiro grande título no US Women's Snooker Open. Na natação, Ana Caldas venceu cinco campeonatos nacionais na categoria 45-49 anos, com margens de vitória raramente vistas na modalidade.

A lista de campeãs inclui ainda JayCee Cooper (campeã nacional de supino em 2019), Molly Cameron (vencedora do Cascade Gravel Grinder em 2023) e Lana Lawless (campeã da competição Long Drivers of America em 2008).

A ex-tenista Renee Richards

Ao longo dos anos, várias atletas transgénero alcançaram sucesso em diversas modalidades, conquistando títulos nacionais e internacionais.

No atletismo, CeCé Telfer sagrou-se campeã da Divisão II da NCAA nos 400 metros barreiras em 2019, enquanto representava a Franklin Pierce University, sendo nesse ano nomeada Atleta Feminina do Ano pela Outsports. Mais recentemente, em 2024, a velocista Sadie Schreiner, do Rochester Institute of Technology, venceu o título dos 200 metros da Atlantic Region Outdoor, somando ainda vários campeonatos da Liberty League. Já Tiffany Newell, em 2022, venceu a corrida de 5000 metros em pista coberta no Canadá, na categoria 45-49, estabelecendo um recorde nacional. Por sua vez, a italiana Valentina Petrillo conquistou múltiplos campeonatos nacionais tanto antes como depois da sua transição, embora tenha sido impedida de competir nos Jogos Paralímpicos de Tóquio devido a uma alteração na sua classificação.

Na natação, Lia Thomas, da University of Pennsylvania, conquistou um título nacional da Divisão I da NCAA nos 500 metros livres, tendo também chegado às finais dos 100 e 200 metros livres. A nível escolar, Terry Miller venceu títulos estatais no Connecticut, onde a sua colega, também transgénero, Andraya Yearwood, ficou em segundo lugar, e conquistou ainda campeonatos regionais da Nova Inglaterra.

O ciclismo também conta com várias campeãs. Kate Weatherly, praticante de BTT, venceu dois títulos nacionais na Nova Zelândia, um em 2018 na prova de downhill e outro em 2022. Jenna Lingwood foi campeã de Masters (40-44) nos campeonatos nacionais de ciclocrosse dos EUA em 2022, no Connecticut. No mesmo ano, a ciclista de BMX Chelsea Wolfe venceu um evento UCI USA BMX Freestyle no Texas. Já em 2015, a neerlandesa Natalie van Gogh venceu o Trofee Maarten Wynants, uma competição internacional na Bélgica, e obteve vários resultados no top 10 noutras provas.

Noutras modalidades, destacam-se Victoria Monaghan, que venceu o campeonato aberto de dardos da Nova Zelândia em 2022, tornando-se a primeira mulher transgénero a competir no Campeonato do Mundo, após ter sido uma jogadora classificada na categoria masculina. Natalie Ryan, por sua vez, venceu duas grandes competições do escalão de elite da Professional Disc Golf Association em 2022, incluindo o MVP Open. No roller derby, Juniper Simonis conquistou múltiplos Campeonatos do Mundo com a Women’s Flat Track Derby Association, e Wren Pyle venceu o campeonato nacional de Skimo dos EUA em 2022, na categoria de Sprint Sub-23.