Hélder Carvalho consulta imagens no Benfica-Arouca da época passada - FOTO: Kapta+
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FPF, Benfica, UNUM: movimentos de arbitragem

Houve três movimentos sobre arbitragem noticiados, um deles ocorre hoje: o da Federação, o do Benfica e o do UNUM, um grupo de associados encarnados que não é oposição a Rui Costa...

A arbitragem continua a ser tema de debate e só não teve mais palco por causa do episódio de Cristiano Ronaldo na seleção. O tema é recorrente, mas a coincidência temporal das iniciativas da FPF, da direção do Benfica e do movimento UNUM - de associados dos encarnados - expõe um jogo estratégico. O UNUM marcou um evento na semana passada e a FPF apresentou um plano com medidas para a arbitragem até 2029. O momento não é ingénuo nem puramente reformista. Pressionada pela investigação em curso da PJ que envolve a arbitragem, a FPF tem de aproveitar qualquer momento para tentar alterar a narrativa.

Não há propriamente uma novidade, porém. As medidas estavam anunciadas na candidatura de Pedro Proença à presidência do organismo, pelo que aquilo que a FPF realmente fez foi dizer que estava a trabalhar num dossiê prometido. É isso que é expectável pelo que o anúncio de que há reuniões a acontecerem é escolhido: podia ter sido pré-anunciado, podia ter sido anunciado aquando da primeira reunião, mas foi apenas ao fim da segunda...

Por sua vez, a posição do Benfica reflete uma dinâmica interna mais complexa. À partida parece forma de pressão à reforma do setor, dirigida à FPF. Refira-se, porém, que há pelo menos três medidas em comum com as que Proença apresentou como candidato e que o grupo liderado pelo vice-presidente federativo Fontelas Gomes trabalha agora - estrutura externa para liderar, profissionalização, separação de nomeações/ avaliações. Há também ideias diferentes, ou que pelo menos não estavam refletidas de forma clara no projeto de Proença, o qual, recorde-se, o presidente Rui Costa afirmou apoiar. Não será de admirar, portanto, que haja pontos convergentes.

Como não é de admirar que o Benfica tenha feito passar agora - antes do evento do UNUM, antecipando possíveis ideias e críticas de passividade - que a 11 de setembro, há quase um mês, tenha entregue a proposta à FPF.

O UNUM não se afirma abertamente como uma lista de oposição à atual direção, mas a sua iniciativa de promover um debate e propor alterações concretas à arbitragem funcionou como catalisador. Esperemos para ver se traz algo realmente inovador ou se estaremos apenas perante mais um aproveitamento político através da vulnerabilidade da arbitragem portuguesa, cujo mediatismo e maledicência cai sempre bem junto do adepto anónimo. Porque, convenhamos, já se viram oposições menos organizadas no Benfica.

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