Jota Silva: «Queria muito representar o Sporting. Doeu»
Começou no humilde Sousense da AF Porto, até subir a pulso nos escalões em Portugal, por onde passou por Espinho, Leixões, Casa Pia e Vitória de Guimarães. Foi precisamente na cidade-Berço que somou a primeira internacionalização por Portugal (ainda representava os conquistadores) e de lá saiu, depois, para o Nottingham Forest, da Premier League. Esteve a um minuto do Sporting, no mercado de verão de 2025. Acabou por rumar ao Besiktas e hoje joga no Olympiakos.
— Como estão a ser estes primeiros meses na Grécia?
— Muito bons, tanto desportivamente como em termos de vida pessoal. Ambientei-me muito rápido. Tive a felicidade de encontrar um grupo fantástico no Olympiakos. Todos ajudaram a sentir-me em casa rapidamente. Estarmos a ter bons resultados e termos começado bem a época ajuda a que as coisas fiquem mais fáceis no início.
— Como surgiu a oportunidade de ir para o Olympiakos neste momento da carreira?
— Foi o passo indicado. Permite-me estar num clube grande — o maior da Grécia, sem dúvida alguma —, lutar por títulos, jogar na Europa e ter regularidade. Era algo de que sentia falta, comparando com o que vivi no ano passado, no Besiktas. É uma oportunidade incrível pelo clube que é, pelo que representa e pela hipótese de poder brilhar tanto na Grécia como na Europa.
— Recuando um ano, como foram aqueles minutos em que a transferência para o Sporting caiu? O que sentiu nesse momento?
— Hoje lido com essa situação com a maior das naturalidades. O futebol é assim. Acho que ficou mais marcado por ter falhado por um minuto, mas há imensas transferências que falham. Pela forma como ocorreu, vai ficar sempre marcado e continuar a ser falado. Foram momentos difíceis, e não escondo: na altura queria muito representar o Sporting. O Sporting também me queria muito, e eu queria muito voltar a trabalhar com o mister Rui Borges. Surgiu a oportunidade e tentámos todos que acontecesse. Todos queriam o melhor negócio possível — o Sporting, o Nottingham Forest e eu. Todos queriam que eu ficasse bem, disso tenho a certeza. Ninguém me quis prejudicar, mas são coisas do futebol. Doeu. Os primeiros momentos marcam sempre, levantei-me e fui treinar, porque a nossa vida segue. Se não aconteceu, é porque não tinha de ser.
— De que forma é que isso afetou a sua família? A possibilidade de voltar a Portugal era algo que agradava, e depois surgiu a Turquia... Como se gere essa mudança?
— Não vou esconder que voltar a Portugal naquele momento era importante. Eu e a Rita queríamos ser pais, por isso seria bom estarmos em Portugal e perto dos nossos. Quando se acredita que as coisas se vão concretizar, começa-se a planear. Como não aconteceu, tivemos de refazer os planos. Contudo, quem está ao meu lado — a minha mulher, o meu filho agora, os meus pais e os meus amigos mais próximos — sabe que a minha vida é muito assim e têm de estar preparados para se adaptarem de um momento para o outro, e foi isso que aconteceu.
— Disse que gostava de ter voltado a trabalhar com o mister Rui Borges. Voltaram a falar sobre isso desde então?
— Falei com ele como falo com muitos treinadores que tive na carreira e com os quais fiquei com uma grande ligação. Falamos com alguma regularidade, mas já não falamos disso.
— Como vê o trabalho dele no Sporting?
— Não gosto muito de falar dessas coisas. No ano passado, o FC Porto foi campeão com muito mérito, foi a melhor equipa em Portugal de forma destacada. Mas não falámos disso, o trabalho do mister está à vista de todos: chegou, foi campeão, ganhou a Taça de Portugal e fez um excelente percurso na Liga dos Campeões. Tem muita qualidade, caso contrário não estaria a treinar o Sporting. Fico muito feliz por ele e pela pessoa que é. Sempre me ajudou. É um grande treinador.