UNUM apresenta 17 medidas para reformar a arbitragem portuguesa
O movimento de benfiquistas UNUM apresentou, esta terça-feira, a versão inicial do relatório 'O Apito e a Confiança', tendo em vista uma reforma da arbitragem portuguesa. O documento contém 17 medidas, assentes em seis pilares: independência, profissionalização, transparência e responsabilização, VAR, critérios e tecnologia, e integridade e clubes.
A criação de uma estrutura autónoma para a arbitragem profissional, com direção, orçamento, contas e instalações próprias, separada da Federação Portuguesa de Futebol, é uma das principais medidas desde grupo de adeptos e notáveis do Benfica.
A implementação, que pode levar de uma a três temporadas, desconstrói-se em duas fases: «Na primeira, a FPF e a Liga podem criar uma estrutura operacional especializada, apoiada em contrato-programa, regulamentos e delegações juridicamente admissíveis, continuando os atos cuja competência legal permaneça no Conselho de Arbitragem a ser por ele praticados. Na segunda, uma revisão estatutária e legislativa pode consolidar uma autonomia mais ampla.»
O documento pretende ainda salvaguardar o processo de nomeações e fiscalização independente, garantido a representatividade de todos os atores desportivos, incluindo os árbitros.
Profissionalização total em cima da mesa
A profissionalização é outro dos pilares da reforma proposta tendo em vista uma «elite integralmente profissional», com medidas pensadas desde o início até ao pós-carreira. Desta forma, procura-se duplicar a base de recrutamento, através da criação de uma Escola Nacional de Arbitragem, para árbitros principais, assistentes e VAR, organizar o percurso de carreira e «estabelecer um quadro integralmente profissional de árbitros, assistentes e vídeo-árbitros com contrato, remuneração estável, deveres de disponibilidade e apoio multidisciplinar.»
As medidas visam ainda a abertura do VAR a antigos futebolistas certificados pela Escola.
Novidades tecnológicas
A medida que exige maior esforço financeiro é, ao mesmo tempo, uma das que maior destaque têm. A reforma proposta visa a implementação do sistema de fora de jogo semiautomático e certificado em todos os estádios da Liga, bem como a tecnologia do fora de jogo.
De acordo com o documento, o sistema do fora de jogo semiautomático teria o custo de seis milhões de euros e seria integralmente suportado pela FPF, sendo que o valor corresponde a 3,7% das receitas previstas para a próxima temporada. A tecnologia de linha de golo seria lançada «com avaliação técnica e concurso próprios».
A aposta visa reduzir o tempo necessário para que cada decisão seja tomada, diminuir o erro manual e minimizar desigualdade tecnológica entre recintos. Ambas as tecnologias entrariam em funcionamento até à segunda época.
Transparência como palavra de ordem
O movimento destacou ainda as medidas pensadas para potenciar a transparência e otimizar os prazos de comunicação: «Nota preliminar de erro ou explicação técnica do incidente em 24 horas, partilha de áudio e imagem do VAR entre 48 e 72 horas e análise técnica completa e esposta pública às reclamações técnicas dos clubes até à véspera da jornada seguinte ou em cinco dias úteis.»
As medidas propostas visam ainda uniformização dos critérios e da intervenção do VAR.
As 17 medidas apresentadas pelas águias
As medidas apresentadas visam, desta forma, «automatizar o que é objetivo e explicar o que é subjetivo». O documento identifica ainda cinco fragilidades principais que visa combater. «Quem nomeia, avalia e classifica sob o mesmo teto», «profissionalização incompleta da elite», «metodologia pouco compreendida e pouco escrutinável», «VAR pouco explicado, com doutrina instável» e «meios técnicos desiguais de estádio para estádio».
O movimento frisa ainda que a quantificação do custo da reforma «depende do modelo laboral escolhido para a profissionalização». Após a apresentação e discussão do documento aos sócios, uma versão «consolidada» será «colocada à disposição» à Direção do Benfica e das «entidades com responsabilidade na organização e regulação do futebol português».
A apresentação do relatório decorre esta tarde, na primeira iniciativa organizada pelo UNUM, projeto que se apresentou como uma casa de ideias independente para transformar a reflexão sobre o clube em propostas.
«Queremos todos voltar a falar mais do futebol do que da arbitragem. No dia em que isso existir, cada golo valerá o que vale, cada título pesará o que pesa e cada derrota doerá apenas pelo futebol jogado. A complexidade jurídica já não justifica a inércia. Um sistema que exige decisões corajosas tem de proteger quem as toma dentro das regras», frisa o UNUM.
Recorde-se que a direção do Benfica entregou um documento com propostas de reforma para a arbitragem do futebol português à Federação Portuguesa de Futebol, em reunião realizada a 11 de setembro.