«Tenho enorme respeito por Neemias e Ronaldo é um dos maiores de sempre»
LONDRES - Um dos sete alemães que, esta temporada, jogam na NBA, três dos quais nos Magic, onde também se encontram os irmãos Franz e Mo Wagner, A BOLA teve oportunidade de conversar um pouco com Tristan da Silva na deslocação da formação de Orlando a Berlin e Londres para os dois encontros dos NBA Europe Games 2026 frente aos Memphis Grizzlies, a contar para a regular season
Aos 24 anos, o extremo/poste germânico vive a segunda temporada na Liga depois de ter sido a 18.ª escolha do draft de 2024 e de, no último verão, ter ajudado a Alemanha a conquistar o título no EuroBasket.
Filho de pai brasileiro, ex-pugilista profissional, e mãe alemã, nas entrevistas, não podendo ser em alemão, Tristan prefere sempre o inglês, onde está mais à vontade, até porque estudou quatro anos na Universidade do Colorado, mas não deixou de dar a opinião do que pensa do português dos Celtics Neemias Queta, da Seleção lusa no Euro ou de Cristiano Ronaldo. Afinal sempre foi um apaixonado por futebol. Apenas fugiu a uma pergunta mais provocatória sobre CR7…
- Como foi no outro dia o jogo contra os Grizzlies e poder ganhar em casa, na Alemanha, com a sua família lá e os seus amigos?
- Foi muito emocionante. Os meus pais estavam lá, a minha mãe, o meu pai e um grupo dos meus melhores amigos. É claro que regressar à Alemanha é sempre super especial. Gosto sempre de ver as pessoas, passar algum tempo no meu país natal e conseguir ganhar, por isso foi muito especial.
- Naquele dia perguntei-lhe, se ao intervalo não tinha tido medo de poder perder aquele o jogo em casa. Estiveram com uma desvantagem de 20 pontos. Não sentiu receio do tipo: ‘Então, como é que é: estou na Alemanha. Não vamos perder este jogo!’?
- Estávamos um pouco nervosos. Posso dizer-lhe isso. Mas foi mais antes do encontro. Depois de entrarmos no jogo e de habituarmo-nos a ele, passado um bocado voltámos ao basquetebol normal. E foi o que mostrámos no terceiro quarto.
- Como têm sido estas duas épocas na NBA? Um sonho? Melhor do que alguma vez sonhou?
- É algo a que ainda me estou a habituar, especialmente com estas viagens para a Europa. Ter a equipa a viajar à Europa é muito especial. São tempos entusiasmantes. Sinto que estou a jogar muito, que estou a jogar um bom basquetebol e continuo a tentar melhorar e a elevar o meu jogo ainda mais.
- LeBron James é um dos seus ídolos quando estava a crescer e mesmo já na NBA. Na temporada passada, nos primeiros meses na NBA, teve oportunidade de jogar contra o LeBron e a fazê-lo entrando no cinco inicial de Orlando. Como foi esse momento?
- Sim, foi uma loucura. É um daqueles momentos surreais que realmente se guardam para o resto da vida. Tenho uma fotografia impressa no meu apartamento desse momento. Foi bastante fixe. Obviamente, nessas alturas estamos a competir e só tentamos ganhar e atacar quem defendemos. Mas sim, em retrospectiva, foi um muito fixe.
- Lembra-se do resultado final?
- O resultado final… não me recordo. Acho que consegui um par de triplos. Marquei para aí 12 pontos ou algo do género.
- Doze pontos, tem razão. E ganhou por 119-118…
- Sei que o Franz [Wagner] marcou o cesto da vitória no fim.
- Na passada temporada, participou no All-Star como rookie no Rising Stars. Está a contar ir esta época?
- Espero que sim. Ainda não estou muito preocupado com isso. Tenho é de tratar das coisas que acontecem no dia a dia, isso são coisas que não posso controlar. E depois, sabe, os frutos virão com o resto.
- Há ainda algum jogador que ainda não tenha defrontado na NBA e diga: tenho de jogar com ele?
- Alguém com quem eu tenha de jogar ou contra? Creio que já joguei contra quase toda a gente. No ano passado não tinha defrontado o Kevin Durant, mas consegui-o esta época.
- Esse foi outro momento para si?
- Sim, foi mais um daqueles momentos que referi.
- Defendeu-o?
- Defendi-o. Também fiz alguns pontos nesse jogo, pelo que me senti bem.
- No início da época, Orlando estava entre as melhores equipas do Este para chegar aos Finals. Depois tiveram muitas lesões e problemas. Ainda acreditam que são capazes de lá chegar?
- Com certeza. Acho que todos nesta equipa acreditam. Primeiro, para nós, é uma questão de ritmo. As coisas estão a voltar a fluir. É só garantirmos que jogamos o basquetebol certo e tudo o resto virá.
- Está surpreendido pela forma como os Celtics estão a jogar?
- Para ser sincero, não me tenho mantido a par de qual é o registo deles. Sei que o Jaylen Brown tem estado bem.
- Têm estado em 2.º/3.º lugar no Este. E em Boston joga o Neemias, que é de Portugal. Como é que o vê enquanto jogador e quando o defrontou-o no EuroBasket?
- Penso que ele tem muito influência, especialmente a nível defensivo. Na seleção portuguesa creio que tinha um papel um pouco diferente e tornou-nos a vida difícil. Foi um jogo difícil, especialmente nos primeiros 30 minutos da partida. Tivemos que a resolver no final do quarto período. Mas sim, só tenho respeito por ele.
- Se ele estiver à sua frente, porque é um defensor de topo na área, tem de pensar duas vezes se vai para o cesto ou...
- Sim, mas isso é o que acontece com muitos adversário aqui na NBA. É preciso ter a certeza do que se está a fazer.
- E como é que foi jogar contra Portugal no EuroBasket?
- Mais uma vez, tornaram-nos as coisas difíceis nos oitavos de final. Mas chegaram lá por uma razão, por isso tenho um enorme respeito por eles e pelo que fizeram no EuroBasket.
- Alguma vez visitou Portugal?
- Já lá estive. O meu pai tem lá um amigo, por isso fui de férias com alguns dos meus amigos e o meu irmão.
- Este verão realiza-se o campeonato do mundo de futebol nos Estados Unidos. Estás a pensar em ir ver?
- Provavelmente. Ainda não planeei nada, mas de certeza que irá haver uma ida a alguns desses jogos.
- Se acontecer uma final entre o Brasil e a Alemanha, como é que vai ser?
- O Brasil ainda tem que se vingar de 2014.
- Mas posso dizer-lhe que Portugal vai estar na final. Prefere Portugal contra o Brasil ou Portugal contra a Alemanha?
- Está a dizer que Portugal joga contra...
- Sim, qual prefere: Portugal contra o Brasil ou contra a Alemanha na final do Mundial?
- Diria a Alemanha, provavelmente.
- O Ronaldinho também foi um dos seus ídolos enquanto crescia e sei que joga futebol por diversão. Alguma vez jogou mais a sério, porque só começou a jogar basquetebol aos 7 anos.
- Era jovem quando ainda jogava, mas sem competir, só por diversão.
- E o que pensa de Cristiano Ronaldo?
- O que é que há para pensar? Um dos maiores, se não o maior que alguma vez jogou. E, sabe, a forma como ele trata de si como atleta, profissional em relação ao jogo. Nada mais do que amor.
- Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi?
- Nem vou responder a essa pergunta... [conclui sorrindo]