Desqualificação polémica leva Benfica a sair de prova e apresentar protesto
A noite da passada quarta-feira, no Centro de Alto Rendimento do Jamor, em Lisboa, foi palco de uma polémica que promete dar que falar no atletismo relativamente à atribuição das duas vagas de Portugal para os Mundiais de pista coberta de março próximo (entre os dias 20 e 22, em Kujawy-Pomorze, na Polónia) na categoria dos 60 metros femininos.
Na prova Velociti Jamor, Arialis Martínez, atleta do Benfica, alcançou a marca de 7,18 segundos na primeira eliminatória dos 60 metros e esse registo ter-lhe-ia garantido a presença na competição internacional — 7,20 s é a marca de qualificação direta no feminino —, a par de Tatjana Pinto (7,23 s, alcançada a 18 de janeiro passado, no Luxemburgo), mas uma suposta falsa partida, detetada já após o final da corrida, acabou por desqualificar Arialis, já depois de os resultados da corrida terem sido disponibilizados através do quadro eletrónico do recinto.
A competição, organizada pela Associação de Atletismo de Lisboa, prosseguiria... e sem a presença de atletas do Benfica nas finais. Em desacordo com a desqualificação e protesto com a situação, Ana Oliveira ordenou a retirada dos velocistas encarnados, considerando não haver condições para a continuidade dos atletas em prova. Sisínio Ambriz e Roger Iribarne (60 metros barreiras) e Nádia Cruz e Tatiana Almeida (60 metros) não correram as respetivas finais.
A REAÇÃO DA AAL
Contactado por A BOLA, o presidente da Associação de Atletismo de Lisboa, Luís Filipe de Jesus, confirmou o protesto dos encarnados e prestou esclarecimento sobre a situação, sublinhando que a falsa partida não foi dada por falha na pistola da juíza.
«Não será um assunto destes a abalar a credibilidade de uma instituição com 100 anos. Nos nove anos em que estou à frente da AAL, e com 60 provas por ano, foi a primeira vez que tive de constituir um júri de apelo. O Benfica apresentou um protesto e terá resposta ainda no dia de hoje. O que o Juiz de Partida me transmitiu foi que, quando se apercebeu da falsa da partida da Arialis, tentou dar o segundo tiro para interromper a prova mas não conseguiu, por isso as atletas correram até ao fim. O photo finish é cego, não sabe se houve falsa partida ou não, por isso os resultados apareceram no ecrã. A AAL criou, inclusivamente, uma solução para que a atleta pudesse correr outra prova, no mesmo dia, para não ficar fora das selecionáveis para o Mundial... A Arialis, ao saber do tempo que conseguiu, ficou, naturalmente, com um ânimo que é difícil de baixar, mas o resultado tem de ser reposto de forma credível e cumprindo os regulamentos», começou por dizer.
«A comunicação rádio entre os juízes não foi feita imediatamente e isso causou prejuízo emocional na atleta», acrescentou o dirigente, concluindo.
«Após a prova, foi apresentado um vídeo através da Ana Oliveira, supostamente gravado pelo pai da Arialis Martínez, que foi mostrado aos juízes e, através desse vídeo, foi igualmente detetada a falsa partida. A única coisa que pedi ao clube foi total cooperação na entrega de toda a documentação para que, de forma irrefutável, o júri possa tomar a sua decisão e essa será soberana. Temos de ser bastante corretos para a a defesa da AAL e de todos os atletas que nela competem.»
O Benfica protestou a prova formalmente junto do juiz de apelo da Associação de Atletismo de Lisboa, considerando terem sido infringidos os artigos 16 e 18 do regulamento internacional da World Athletics, e aguarda pelos desenvolvimentos do caso nas próximas horas. Certo é que, ao dia de hoje, são Tatjana Pinto e Lorène Bazolo, atletas do Sporting, as velocistas apuradas para representar Portugal na Polónia na categoria dos 60 metros femininos.