«Não comia e estive dois meses sozinho em casa, a Juventus salvou-me»
Jeremie Boga, reforço de inverno da Juventus, descreveu a chegada a Turim como uma «bênção» e um «sonho», após um período conturbado no Nice que o deixou afastado da equipa durante dois meses. O jogador revelou ter passado por momentos difíceis que afetaram a sua saúde e a sua família. Boga e Moffi, reforço do FC Porto, foram alvos de insultos, cuspidelas e golpes nas costas em dezembro.
«A Juventus salvou-me? Sim, salvou-me. Para mim foi como uma bênção. Estava há dois meses fora da equipa [no Nice] e agora estou na Juventus», confessou Boga, em declarações à DAZN Itália. O jogador detalhou o calvário vivido em França: «Aconteceu um pouco de tudo com os adeptos. Foi um período mau para mim e para a minha família. Estive dois meses parado, em casa, apenas com o meu preparador e a minha mulher». Sem poder ainda revelar todos os pormenores, o atleta admitiu o impacto físico e psicológico da situação. «Na primeira semana perdi alguns quilos, porque não comia muito. A minha família também tinha algum receio. Foi um período mau para esquecer, quero seguir em frente», acrescentou.
A transferência para a Juventus representou, por isso, um renascimento. Boga descreveu a emoção do momento: «Só quando assinei é que disse: ‘Estou aqui!’. Agradeço a Deus todas as manhãs por estar aqui, é uma sorte depois do que aconteceu no Nice». O segredo foi bem guardado até ao último instante. «Não disse a ninguém que a Juventus me tinha contactado, queria esperar pela assinatura. Depois liguei ao meu pai, que veio para cá comigo, e a minha mulher também estava presente. Ele ficou muito contente e orgulhoso», partilhou, revelando o conselho paternal: «‘Agora que estás aqui, tens de ficar e demonstrar as tuas qualidades’».
Já integrado no plantel, Boga mostra-se determinado a conquistar o seu espaço, apesar da concorrência de Yildiz, a quem chama de «fenómeno». «Para mim é apenas uma questão de ritmo, mas estou a encontrá-lo aos poucos. Sinto-me melhor a cada dia», garantiu. O jogador recordou ainda um dos seus momentos mais marcantes em Itália: um golo de chapéu a Buffon, ao serviço do Sassuolo. «Não posso esquecê-lo, o meu golo mais bonito na Serie A e contra uma lenda como Buffon. Uma bela recordação, mas agora estou do outro lado».
No que toca à integração, o primeiro a contactá-lo foi o seu ex-colega de equipa no Nice, Khéphren Thuram. Boga tem uma relação de amizade com os irmãos Thuram, tendo jogado com Marcus nas seleções jovens de França. No entanto, a amizade ficará de lado no próximo desafio contra o Inter. «Ainda não falámos, mas no sábado não somos amigos», brincou. «Temos de ganhar. O Inter-Juventus é um grande jogo, eles estão em primeiro, por isso será difícil, mas é uma partida que podemos e devemos vencer».