Rui Mota no Sporting: «Vínhamos de um contexto com falta de ordenados»
— Trabalhou no Sporting desde 2012 a 2016, apanhou a eleição de Bruno de Carvalho como presidente; como foi viver esses anos marcantes no clube?
— Eu apanhei a fase de ascensão com o presidente e muita coisa se fala, mas só posso falar do que vivi e todos nós temos experiências diferentes. A minha experiência, nesse aspeto, foi muito positiva. Vínhamos de um contexto onde, desde a falta de ordenados, ou, vamos dizer, de uma visão desportiva de outra dimensão, ali as coisas alinhavaram-se. Certo é que depois, eu não estava presente, não vou falar, as coisas acabaram por não surtir o efeito desejado. Mas a verdade é que nesses quatro anos em que eu estou, e não tem a ver comigo como é óbvio, mas tem a ver com a evolução e o crescimento do clube, foram anos positivos. Enquanto treinador, foi riquíssimo. Trabalhei com treinadores como Jesualdo Ferreira, Leonardo Jardim, Marco Silva e Jorge Jesus, e Sá Pinto.
— Deve ter aprendido imenso.
— No Sporting, tive a possibilidade de beber de todos estes grandes treinadores, o Marco e o Leonardo estavam na fase ascendente da carreira, o Jorge Jesus já tinha dado provas, tendo sido campeão no Benfica. E depois também o facto de ter lidado com uma geração de ouro do Sporting, com jogadores como João Palhinha, João Mário, Cédric, William Carvalho, Adrien Silva, tantos, tantos, Slimani, Bryan Ruiz… Foi muito rica essa passagem no Sporting, perceber as formas de estar, o dia-a-dia, as dificuldades, preocupações, leva-me hoje a estar como treinador principal de uma forma mais preparada.
— Qual é o próximo passo da carreira? Ser treinador principal em Portugal?
— Ser treinador principal sempre foi o meu caminho. Em Portugal ou não, isso vai depender. O mercado é muito versátil. Eu sou um treinador de projeto e ambicioso, a minha ideia é sempre fazer tudo para ganhar, produzindo qualidade que possa encaixar na minha forma de ver o jogo. Obviamente que eu também sei que em Portugal, se calhar, ainda não sou visto como uma possibilidade de estar num grande que me possa dar essa capacidade para ganhar. Portanto, um outro projeto que tenha também objetivos positivos, estarei sempre disponível para ouvir os projetos que fizerem sentido tanto para o clube como para mim. Se não, é voltar a conhecer outros contextos.
— Talvez para o 12.º país na carreira.
— Pode ser. Têm surgido várias propostas. Em Portugal, na Europa, na Ásia, no continente sul-americano, tem surgido muita coisa, ainda não houve nada que se concretizasse, mas felizmente tem havido essa procura. Se não for numa liga mais competitiva, que seja um projeto para conquistar, para ganhar ainda mais títulos. Felizmente, e com tão pouco tempo como treinador principal, já o conseguimos fazer.
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