Giro: Afonso Eulálio reforça vantagem sobre Vingegaard em dia em cheio para a Bahrain
Afonso Eulálio continua a fazer furor no 109.º Giro e, esta quinta-feira, na 12.ª etapa, que ligou Imperia a Novi Ligure, num total de 175 quilómetros, com duas subidas de terceira categoria, aumentou a vantagem na classificação geral sobre o dinamarquês Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike).
Na geral, o português da Bahrain Victorious (48.10,38h) tem agora 33 segundos de vantagem sobre o dinamarquês da Visma Lease a Bike Jonnas Vingegaard, já que passou na frente na bonificação a 13 quilómetros da meta e ganhou 6 segundos. Na 3.ª posição segue Thymen Arensman (Netcompany INEOS), a 2.03m, com Felix Gall (Decathlon) a ocupar o 4.º lugar a 2.30, e Ben O'Connor (Team Jayco AIUla) em 5.º a 2-50.
De resto, o dia no Giro foi em cheio para a Bahrain, pois foi um colega de equipa de Eulálio, o belga Alec Segaert, de 23 anos e que cumpre a sua primeira Volta a Itália, a vencer a etapa (3.53.00h), batendo o compatriota Toon Aerts (Lotto Intermarché) por 3s, depois de ter fugido ao pelotão. O pódio fechou com Guillermo Thomas Silva (XDS Astana team), ficando fora deste Ethan Vernon (NSN Cycling Team) e Jasper Styven (Soudal Quick-Step), todos com o mesmo tempo que o 2.º. Tal como Afonso Eulálio que cortou a meta em 47.º.
Nelson Oliveira (Movistar) e António Morgado (UAE Emirates) chegaram num grupo a 11.57 minutos e ocupam, respetivamente, a 68.ª e a 136.ª posições da geral.
⚡️ Every second counts and he knows it! 🩷 Afonso Eulalio drops the peloton and gets the bonus seconds at the @redbullita KM !
— Giro d'Italia (@giroditalia) May 21, 2026
⚡️Ogni secondo conta e lui lo sa! 🩷 Afonso Eulalio si stacca dal gruppo e si prende l'abbuono del Red Bull KM!#GirodItalia pic.twitter.com/B9c4cEIydF
Mas, Alec Segaert, que é irmão de um dos diretores da Bahrain Victorious, acabou mesmo por se tornar na grande figura desta tirada onde conquistou a vitória mais importante da sua carreira. E, na verdade, só foi surpreendido pelo seu ataque tardio e longo quem quis, pois essa tem-se sido a sua imagem de marca.
Mas nada aconteceu ao acaso pois, no final, e depois de ter sido cumprimentado por Afonso Eulálio, o belga revelou que a estratégia havia sido planeada na noite anterior, aproveitando os últimos 3 km do percurso.
A tática, já lhe havia assegurado a vitória no Grand Prix de Denain desta temporada. Desta feita, tornou a lançar um ataque fulminante e manteve o ritmo até ao fim sem que alguém o alcançasse. «Isto é super, fantástico. E logo no meu primeiro Giro. Vim muitas vezes a Itália nas camadas jovens e até vesti a camisola rosa no Giro Next Gen, mas conseguir isto ao mais alto nível...», começou por afirmar de sorriso rasgado.
Segaert já tinha estado perto de repetir a estratégia com sucesso na Nokere Koerse, mas aí acabou por ser alcançado. Desta vez não. «Quando decidi atacar? Já ontem à noite», confessou a rir. «Tive-o sempre na cabeça. Este era um bom ponto no percurso. Fiquei satisfeito com o desenrolar da corrida. O ritmo foi forte nas subidas e depois os colegas de equipa dos sprinters restantes tiveram de puxar. Foi a minha oportunidade, porque todos estavam no limite. Um último esforço. Por este resultado, damos tudo.»
O triunfo de Segaert engrandece ainda mais a participação da Bahrain-Victorious na prova, que já tinha sido destacada pela Maglia Rosa, e também branca (juventude), de Afonso Eulálio. «Já estava a ser fantástica graças à camisola rosa do Afonso Eulalio, isto é simplesmente fantástico», completou Alec Segaert.
Por seu lado, Afonso Eulálio não escondeu a sua satisfação. Afinal conseguiu manter a posse da Maglia Rosa por mais um dia, o nono, e pela sétima etapa consecutiva, depois de a ter vestido pela primeira vez - é o terceiro português de sempre a consegui-lo após o final da 5.ª tirada. «É impossível não estar feliz com esta camisola. Hoje foi um dia excecional, verdadeiramente perfeito», afirmou.
O líder, natural da Figueira da Foz, revelou ainda uma curiosidade sobre a estratégia da equipa: «Desde ontem que o Alec é o meu colega de quarto. Tínhamos planeado isto, mas o facto de o plano se concretizar é simplesmente perfeito».
Relativamente aos 6s de bonificação que conquistou, uma jogada a que os comentadores da Eurosport que estavam em direto disseram que foi «de se lhe tirar o chapéu», Eulálio, de 24 anos, explicou que a oportunidade surgiu de forma inesperada. «Estavam basicamente de graça. Os outros não quiseram sprintar por eles, mas nós fazemos este tipo de sprints durante todo o dia depois de curvas e descidas. Foram mesmo de graça», concluiu.
Ainda que falte muito para a 21.ª etapa, que se disputará em Roma a 31 de maio, num percurso de 131 km, são muitos os que continua, à espera que Jonas Vingegaard desfira o seu ataque fatal de principal candidato à vitória. Mas, mais um dia passou sem que tal acontecesse.
O vencedor de duas Voltas a França (2022, 2023), de uma Volta a Espanha (2025), mas nenhuma a Itália, onde até hoje apenas ganhou duas etapas, esclareceu que a Visma-Lease a Bike assumiu a liderança do pelotão apenas por razões de segurança, uma estratégia que, inadvertidamente, permitiu a Segaert lançar o seu ataque decisivo.
«Assumimos a frente apenas para nos mantermos em segurança. A minha equipa fez um trabalho fantástico hoje», assegurou o dinamarquês, elogiando o esforço dos colegas. «Estávamos simplesmente a rolar para nos mantermos na frente. Talvez algumas equipas só se tenham apercebido quando já era tarde demais», comentou, justificando assim a razão pela qual os seus gregários deram espaço a Segaert. «É bom para eles», concluiu.