Prometeu pedir a namorada em casamento se fosse campeão e foi isto que aconteceu
Há tanta música no Alto Minho… Quim Barreiros, natural de Vila Praia de Âncora, pergunta «qual é o melhor dia para casar». A cerca de 50 quilómetros, no mesmo distrito (Viana do Castelo), nasceu agora uma variante dessa canção, em que se questiona «qual é o melhor dia para pedir em casamento». Quem responde é o barquense e artista (da bola e não da concertina), Bruninho: «quando o Ponte da Barca for campeão», dando, por isso, tempo para dar o nó no «31 de julho» recomendado pelo cantor popular.
10 de maio: foi o dia em que o Ponte da Barca se sagrou campeão da AF Viana do Castelo e Bárbara ficou (finalmente) noiva. «Estou com a minha namorada há dez anos, desde o secundário. Já temos uma filha, moramos juntos e ela dizia-me muito 'não sei porque não me pedes em casamento…' Eu tinha prometido, no início da época, que, se fôssemos campeões, fazia o pedido, conta Bruninho, em entrevista A BOLA.
«E assim foi», para a história fica um casamento graças a um campeonato distrital. O extremo, de 27 anos, ganhou coragem e fez o pedido no dia da consagração do título, na Câmara Municipal de Ponte da Barca, depois da equipa ter sido louvada pelo executivo: «Acho que ela não estava à espera que eu tivesse a coragem de fazê-lo à frente de toda a gente, naquele momento. Tinha dois ou três amigos que também já sabiam o que ia acontecer, o meu irmão inclusive, que me trouxe a rosa onde estava o anel.»
«Depois de irmos à varanda, no momento em que descemos e regressamos para junto dos adeptos, ganhei coragem e consegui organizar tudo da melhor maneira para fazer o pedido. Pedi a palavra, peguei num megafone e lá se fez... Às vezes, não saem as melhores palavras nesses momentos, mas correu tudo bem… a resposta foi positiva [risos]», recorda o momento.
«Está aqui o segredo do título, foi a motivação», brinca o «filho da terra», que, dez anos depois, conseguiu devolver o clube ao Campeonato de Portugal. «A última vez tinha sido em 2016, eu ainda era júnior, mas já fazia parte do plantel sénior. E tenho a sorte de, agora, passados dez anos, estar a viver esta alegria outra vez. É espetacular. Ainda por cima para quem é da casa, para quem é da terra. Tem um sabor diferente, é muito especial», realça.
«O mesmo filme», mas com aliança no dedo
Bruninho está a reviver aquilo que tinha experienciado há precisamente uma década - já com a mesma namorada, mais ainda sem a parte do anel… «Fui campeão distrital em 2015/16, com 16 anos. No ano seguinte, com 17, tive a oportunidade de fazer alguns minutos no Campeonato de Portugal. Na altura, até joguei contra o Zaidu e o Rui Borges, que estavam no Mirandela. O Leo, que é um dos capitães, e a Mónica, a nossa fisioterapeuta, também estavam nessa equipa. Somos os únicos resistentes e, curiosamente, há dez anos, também ganhámos o campeonato e a supertaça ao Atlético dos Arcos», lembra.
«Agora, o filme foi o mesmo, ganhámos ao Atlético dos Arcos, que é o nosso maior rival (...) Temos uma rivalidade muito forte», confessa o avançado. Mesmo assim, o mister Fernando Rego teve coragem de trocar o referido clube pelo Ponte da Barca, para ver o que nunca tinha visto em lado nenhum.
«Aqueles adeptos são únicos, pá… É uma coisa incrível. Eu já fui campeão como jogador, já fui campeão como treinador, mas esta festa foi uma coisa incrível, foi a melhor que tive. Todos os títulos foram saborosos, mas este, em todos os aspetos, foi o mais saboroso. Tenho 60 anos, mas digo isto com toda a alegria. Eu até falo nisto e por dentro mexe comigo…», revela o técnico, ao nosso jornal.
O treinador, de 60 anos, explica porque é que decidiu mudar-se para um rival: «Abracei este projeto, porque, quando o presidente João David me abordou, gostei do que me propôs. Sabia que ia ter todas as condições para alcançar os objetivos. E uma das coisas que me motivou foi a ambição do presidente. Quando o presidente me disse que queria ser campeão, nem hesitei.»
«Além disso, deu-me liberdade... Uma das coisas que imponho quando me abordam é que a escolha da equipa seja feita por mim e isso foi concedido. Na época passada, estive no Campeonato de Portugal com o Atlético dos Arcos, com quem tinha subido na anterior. Mas as palavras do presidente João David, a ambição que ele me transmitiu, é que fizeram com que eu nem hesitasse em escolher o Ponte da Barca em detrimento do Atlético dos Arcos», prossegue aquele que foi adjunto de Rui Quinta no Penafiel, na Liga, em 2014/15.
«Eu já conhecia bem o trabalho do mister e a forma como ele montava as equipas, como criava o espírito de grupo e união, que considero fundamental para conseguir os objetivos. Nós íamos falando de vez em quando e surgiu a possibilidade de o convidar. Ele aceitou o desafio que eu lhe coloquei de colocar a Barca nos campeonatos nacionais e conseguiu», explica, A BOLA, o presidente, quando questionado sobre as razões pelas quais escolheu Fernando Rego para o cargo de treinador.
João David assume que, para o ano, «o objetivo é fazer uma época tranquila, sem sofrimento, sempre com o primeiro objetivo de permanecer no CP». Para isso, irá contar com Fernando Rego, como o próprio mister confirmou, na conversa com o nosso jornal: «Tenho a palavra com o presidente desde que ele me abordou. O propósito era ser campeão e continuarmos. Estou muito feliz aqui e queremos dar continuidade ao trabalho. Sabemos que será um campeonato muito complicado, sabemos as dificuldades que nos esperam, mas temos de ser ambiciosos ao ponto de querermos algo e consolidar o Ponte da Barca no Campeonato de Portugal.»
«Vamos tentar montar uma equipa equilibrada, um plantel competitivo, sem dar um passo maior que a perna, porque as coisas e os processos fazem-se passo a passo. Ainda assim, o clube está com muita força e com muito dinamismo em termos da massa adepta, da envolvência da Câmara e de todos os barquenses», assume, por seu turno, o dirigente.
Uma derrota crucial para o sucesso
Em 32 encontros realizados, o Ponte da Barca só perdeu um, num momento que Fernando Rego descreve como chave: «O clique da nossa reviravolta foi quando perdemos com o Valenciano [em novembro, na sétima jornada do campeonato] e houve um momento que me marcou especialmente. A claque apareceu no treino seguinte a cantar, a apoiar-nos, e isto deu-nos muita força. Logo a seguir a um jogo em que as coisas nos correram mal. A partir desse momento - adeptos, equipa, Direção - unimo-nos cada vez mais, o que fez com que fôssemos campeões.»
«A massa adepta foi incrível, catapultou-nos para para os bons resultados. Estiveram sempre connosco nos bons e maus momentos e isso fez com que ultrapassássemos as adversidades», enaltece o treinador, afirmando que «na próxima época, se esse espírito continuar, a equipa vai fazer um grande Campeonato de Portugal».
«Estou num grande clube e vou continuar num grande clube», findou o mister, elogiando, além dos adeptos, toda a estrutura - desde a sua equipa técnica ao presidente, passando pelo «diretor desportivo, Jordão Amorim».